Escritas

Lista de Poemas

LAMENTAÇÃO

Não há tréguas, já andei léguas,
Escalei montes e cruzei mares.

Fujo às pressas dos rumores,
Intrépidos que vêm de longe.

Deles o rosto não se esconde,
O temor se expande em águas.

O terror é apregoado em tábuas,
Os joelhos se derramam lentos.

A justiça vem aos quatro ventos,
Na terra há imensas desolações.

Um fogo que derrete os corações,
Exércitos de incontáveis multidões.

São iguais enxames de acrídeos,
Que infestam verdes plantações.

Enfraquecendo-as feito pulgões,
Na minha alma o uivo de canídeos.
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ONDAS DE UMA INFÂNCIA PERDIDA

Vai-se um barco ao mar, se vai uma vida a sonhar, nas ondas que vêm e que vão, no balanço do tempo que se constrói um ladrão. Um filho que nasceu, uma história que se criou, num barco que se afundou, pelas ondas encapeladas, são relatos de vidas frustradas. Uma paixão ironizada por uma educação descabida, desencadeada por uma mãe despercebida, o pai era louco, vida totalmente bandida. O crescimento e a criação de forma desfavorecida, desigualdade social, oportunidades banidas. Um ser precoce abraçado pelo mal, por promessas ilusórias, busca real por coisas fatais, jamais satisfatórias. A perda do pai, brutal e inesperada, a entrega da mãe na esbórnia desenfreada, lançada a sorte, se alimentando à mão armada. Correria, herança criminal paternal herdada, fazendo alianças, territorialidade ampliada. Na atividade, efeito suicida, distante da área protegida, fuga alucinada. Sem medo, guardando os segredos que levam à culpa, disputas, para a guerra sempre encontra desculpas. A identidade preservada pela vida impopular, fama de quebrada. Essas tretas são danadas, acabam saindo por entre os dedos, impossível manter as mãos fechadas, por mais que cerre os dentes sempre a boca não permanece calada. E a língua de veneno se move inquietada pela inveja de parceiros que a muitos janeiros andavam de mãos dadas. Hoje a parada é grande, a informação já foi passada, se acertar esse trabalho, se aposenta como barão, além de deixar bem a maioria dos irmãos. Favelas, redutos, vielas, fortalezas de cabras putos, bandidos são muitos, mas poucos resolutos. Desce agora, corra e ataque, cerque, renda, com piedade não se mate, pilhe e despoje a contento e não pare, seja vento. A carga já foi tomada, dinheirada, dinheirada, saia do campo aberto, já soou a sirene, logo a polícia estará por perto. Trabalho perfeito, tudo como planejara, a alma lavada, o orgulho estreito, com gana bate forte no peito, olho no olho quero o meu e tem de ser do meu jeito. Não acredita em fada, é quem comanda a parada, se tem boca malvada a conversa é mudada. Traído não teve tempo pra nada, o sonho de barão foi acordar na enseada, com os olhos vendados e a boca amordaçada. Os seus inimigos queriam a sua vida tirada, e o prêmio do roubo dividiriam a bolada, portanto tudo tem o seu preço, desde a criancice o engano foi seu berço, na vida de ladrão não conseguiu verdadeiro apreço. Foi deixado para morrer à própria sorte, enganado, nos muitos amigos há sempre um judas, traidor que a alma do próximo desnuda. Desta vez muito alvoroço se fez na cidade, houve buscas incessantes, investigações para elucidar toda a verdade, ninguém escapa, a justiça anda e veste capa, tem olhos vivos e audição de morcegos, os traidores que deem as caras a tapas porque terão terríveis desassossegos. Um a um foram sendo trazidos, fechados nas grades, outros para os jazigos, se acabou a cambada de falsos amigos bandidos.
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SEM PIEDADE

Os dentes foram todos quebrados ao morder o bastão da impiedade, a língua foi arrancada por testemunhar mentirosamente, os olhos furados ao ignorar a injustiça. O coração arrancado, os braços amputados, não tem alma mais, humano ou desumano tanto faz, as mãos sujas, os pés ligeiros, o sangue inocente derramado, vulpinismo, culpado e condenado, é sabido, mas não encontrado, é fugido, demonizado. Quem viu ficou horrorizado, maldito ventre que pariu tanta maldade.
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PREDADOR E A PRESA

O predador espreita a sua presa
Indefesa, pelo medo desfalece
É traiçoeiro, ataca de surpresa
Esperançoso pelo que o apetece.

Na calada, na surdina é vigilante
Seus sentidos apurados, aguçados
Sua vítima paralisada um instante
Seus instintos friamente calculados.

Se é fuga, terror, tortura ou morte
O predador mantém a expectativa
Se a caça alcançará boa ou má sorte
Porque a sua grande boca, saliva, saliva.
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UM FAVOR ESPERO

Na pressa eu busquei a Tua face implorando por perdão meu Deus e Deus meu, o pecado que há em mim trilhou o meu lombo tal qual o boi trilha o milho, apressa-Te em me socorrer pois são profundas as minhas feridas, vivem dissolutos aqueles que dizem ah! Não há Deus, contudo eu na minha paciência suportando as minhas feridas espero na tua misericórdia. Faça-me justiça ó Deus, pois a minha recompensa vem do Senhor que fez os Céus e a Terra. Mostra-me a razão do meu sofrer, me faça entender a tua vontade para que eu viva e diga o quanto o Senhor é bom e que o teu favor está sobre os justos.
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NA MINHA FRAQUEZA

Na minha fraqueza pensei que já não haviam mais esperanças, tanto choro, tanta angústia, nenhuma luz, rubor na face ante a escuridão, tais os sons melancólicos dos pombos eram os meus gemidos, sofridos em busca de perdão. Sem entender os meus caminhos que seguiam tortos por veredas sem paz, rastejando no pó sorvendo somente o que mais morto te faz, sem brilho nos olhos, semblante arriado pelo peso das culpas por tantos pecados. Na sarjeta padecendo sem vida, ergui os meus olhos e eis que senti a mão de Deus estendida, que leva à redenção, e os meus ouvidos ouviram uma voz que disse: filho segure firme a minha mão e não a soltes mais, se fores fiel e atentares com o teu coração para as minhas palavras, a formosura porei em teu rosto e te livrarei de atual e de futuro desgosto.
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PREVALECERÁ A JUSTIÇA

A fé que me impulsiona adiante, latente me leva a sentir a vitória, em busca de uma glória futura que os olhos não veem, mas a esperança é a cura. Ver, viver e reviver o que traz a paz e o que leva à vida, olhar, tornar e retornar para o que é justo e verdadeiro, ouvir, sentir e ressentir o que toca o espírito e alegra a alma. O que é a vossa vida? É uma brisa que sopra e se vai, como a fumaça que se esvai ao vento. Homem altivo, Deus te abaterá, não ria da própria sorte, considera os teus caminhos que são maus. Pois arma cilada ao justo e retesa o arco com a flecha aguda espreitando no caminho, escancara a boca com dentes afiados tal qual o leão quando rasga a presa, despreza os conselhos do Altíssimo e perverte o que é são, persevera em enganar e armar laços para que os justos e inocentes neles caiam. Balança enganosa é a vaidade daqueles que desprezam a própria alma, ficarão enredados em seus intentos de malícia, por isso não alcançarão o braço da salvação, nem subsistirão ante o tribunal da verdade.
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EM PROL DO AMOR

Ao ver o sol, a ver o mar, com o coração duro sem o desejo de amar. O som da gaita, um pendão arvorado, o choro de uma criança num peito desmamado. A ama-seca, o leite avultado, a alegria da criança, o choro consolado. E viver era doar o coração sem saber que a ilusão morava ali ao ver o sol e ver o mar. E a vida passa e não nos damos conta de que amar é preciso, amar ao outro como se nunca houvesse amado. E a vida nos arrasta e nos tornamos fúteis e perdemos a essência desse sentimento. Há a urgente necessidade de amar o amor de mãe, amor de pai, amor de irmãos, amor de semelhantes. Há de se anunciar aos gritos, aos quatro cantos do mundo que amar é preciso, nos microfones, nas mídias informar que o amor é justo. É necessário, é obrigatório o amor, é necessário em todas as nações um manifesto em prol do amor. Examinemo-nos.
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TENHO PRAZER

Tenho prazer no trabalho executado honestamente, no suor que escorre na face e arde nos olhos diligentemente, tenho prazer no cansaço de cada dia, recuperado nas noites que o sono ao corpo contagia, tenho prazer no favor quando se é necessário ajudar ou ser ajudado, tenho prazer no pão que mata à fome e repõe as forças com todo o cuidado. Tenho prazer na vida, abastada ou sofrida, anciã ou pouco vivida, tenho prazer na paz pelo alívio que ela traz, tenho prazer na bondade quando se faz de espontaneidade, tenho prazer em ver os semelhantes felizes, amando, amados em suas raízes. Tenho prazer em todo o conjunto do universo, tenho prazer num povo unido e não disperso, tenho prazer num coração puro e sincero, na caridade, no amor entre nós verdadeiro, tenho prazer na empatia, na humildade que esmero, tenho prazer, tenho fé em todos os sentimentos bons que de nós humanos espero.
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NA LOUCURA DOS PENSAMENTOS

Os pássaros voam livres, mas também fogem de seus caçadores, eu vivo empenhado à procura de uns fugitivos amores. Seria capaz de arredar um olho para um lado ou empurrar fortemente um grão de milho com ambas as mãos? Onde mora o segredo da sensibilidade? Os meus amores são de uma burra idade, e eu investigo as causas da minha insanidade, se minha crença na ciência nunca foi sempre verdade, quando o médico receitou para os outros um psiquiatra e me disseram: sois loucos, esse louco nos mata, essa droga é para doido, precisamos de outra terapia com menos loucura e mais utopia. Assim a minha alma afligia capturando somente o canto dos pássaros, porque os amores fugitivos ou presos, não cantam no silêncio como eles, mas nos encantam e nos enlouquecem ao passo que nos prendemos no manicômio das nossas mentes.
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Comentários (3)

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parabéns
parabéns
2024-11-11

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi
2022-09-20

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz
lagazaz
2020-09-12

Belo poema