Escritas

Lista de Poemas

LÁGRIMAS DE UM AMOR LIBERTO

Em gotas de lágrimas me tornei,
Nesse seu triste choro que enfada,
Por que ousa me maltratar amada?

Por que o amor para mim chegou,
Levando o meu opróbrio para longe,
E eu somente umas lágrimas sou?

Que em seu choro me encontrou,
Apascentado, escorrido e liberto,
De afrontas não mais sou coberto.

Enxugado, fortalecido e exaltado,
Amada, admire e odeie o meu fado,
Nesse seu choro de contínuo enfado.

Deixe cair e secar as que restam,
Dos teus olhos que o amor foi tirado.
Sem mim essas que nada mais prestam.

Erimar Santos.
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ILUSÃO DE AMOR

O meu amor nunca diz que me ama
Ao se envolver e se alegrar comigo
Mas adora ter-me em sua cama
E eu gosto de correr esse perigo.

Ela nunca muda a sua fala
Insistindo em me deixar iludido
Com prazeres minha boca cala 
E me diz que é meu bom partido.

O meu amor brinca de me amar
Mas não sabe aonde isto vai dar
Se desiludido eu um dia despertar.

Pois já são muitas as atitudes
Que os meus olhos sempre veem
Não me leva a sério, acha que me ilude
Está segura no que os outros creem.

O meu amor não quer que eu mude
Corrompendo o meu coração carente 
Pelo engano de me amar me confunde
E eu não sei se ela é amor ou uma amante.
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ENCIUMADO

Me deixa na minha loucura, não vejo nada que me traga paz. Sua dura visão me impõe ilusões e as pedras nas suas mãos o meu pão, lançado no abismo do meu interior pela profecia da mentira ele não me sacia a fome. Quem dera não vissem um homem louco e faminto porque não tem paz, pois a sua paixão depositou numa virgem que com o seu amor o envenena com o furor de víboras-áspides. Não há antídoto que o salve, morrerá mil mortes antes apaixonado matando o próprio corpo desesperado. Ninguém firmará os sentidos nele e alucinado estará cego até que mine o sangue em seus poros, e o consuma a peçonha por inteiro. Desviem os vossos caminhos dele.
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TEMPOS PERDIDOS

Uma coisa farei, para bem longe irei,
Fugirei do passado que me entristece,
De coragem meu coração não carece,
Para encarar novos desafios que terei.

Cansado estou e acuado me vou,
Daqueles que me buscam ao longe,
Fraco estou e alvo fácil ainda sou,
O vulnerável costume me constrange.

Duma coisa eu sei, está tudo perdido,
Nada aqui conquistei pelo trabalho a fio,
Nem paz, nem amor, somente fui afligido,
Lembrar dos momentos me dá calafrio.

Às vezes choro pensando sozinho,
Por que fui desprovido de boa sorte,
Pessoas boas não tive no caminho,
Alguém que me guiasse a um Norte.

Por isto agora fujo sem olhar para trás,
Para bem longe dos rostos fingidos,
Uma longa viagem farei, busco a paz,
Expectável é recuperar os anos perdidos.
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A VERDADE A QUALQUER CUSTO

Em uma dor que corrói
Na ponta dos dedos
E em todo o dente que dói 
Confessando os segredos
Da alma numa agulha
Quando o corpo esbulhado
Tem arrancado uma unha
O destino é traçado
Ao que não se propunha
Quando se esfria a carne
E o sangue não tem mais curso
Pois viver já não é a verdade 
E a morte lenta é o único recurso
Tendo a língua infame penetrando na dor 
Dos olhos perfurados e apagados
O torturador.
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SONHOS MORTOS

Ele sonhava com pessoas mortas
Elas eram bem vivas em seus sonhos
Estavam sempre lá em suas portas
Em suas casas eram espíritos tristonhos.

Ele não entendia por que sonhava
Sempre com o seu pai e a mãe dum amigo
Sonhos sem sentidos o assombrava
Memórias do passado seriam castigo.

Mortos, mas vivos em seus sonhos
Que ele não sabia o que significava
Sonhos com mortos um tanto estranhos
Que não exprimia algo, mas o enfadava.

Intrigado com o sobrenatural
Nestes sonhos ele era uma criança 
O seu pai foi um homem meio mal
E no subconsciente pode ter uma lembrança.
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BOCA DE TOLO

A valia dum olho na terra de cego,
Já diz claramente o velho ditado.
O que vale a língua na boca tola,
Dum homem insensato? Coitado!
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MEDO DE MIM

O que mais me resta é correr
Fugir para bem longe de mim
Para a minha derrota eu não ver.

O que eu não quero é sofrer
Porque fujo é deste medo de mim
Para não por muito a perder.

Se o meu medo é mesmo de mim
Como poderei então me escapar?
Pois juntados nós estamos enfim.

Eu tenho é que o encarar em mente
E batalhar com ele até o fim
Antes que este medo me mate
Ou para sempre eu o mate em mim.
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POBRE FUNDAMENTO

A casa foi edificada toda bela,
Adornada com finos acabamentos,
Em seu interior à luz de vela,
Descansa em paz seus elementos.

A casa está vazia e sombria,
Não há hóspedes descentes,
Esta casa muito silêncio queria,
Mas à noite há vozes eloquentes.

A casa está se enlouquecendo,
Tem abrigado muitos dementes,
Adornada bela, mas morrendo,
A casa vive dias doentes.

Ela tem seus parentes,
Seus pais estão preocupados,
Na edificação foram inconsequentes,
Todos adornos agora ameaçados.

Pelo fundamento que se fraquejou,
Onde não teve apoio e sustento,
A casa quase se desmoronou,
Ao enfrentar seu primeiro forte vento.



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INFELICIDELIDADE

O que eu procuro em você
É difícil de encontrar e sentir
É tão complicado o porquê 
Você me tem feito desistir.

A nossa relação é uma façanha
A todo tempo há desconfiança
Há medo e muita artimanha 
Por momentos de pouca bonança.

Eu preso nas minhas dúvidas
Você com as suas barganhas
Eu alimentando outras vidas
Você em outras vidas estranhas.

Tudo aparentemente correto
Com um casal de futuro incerto
Dois corpos em um mesmo teto
Num relacionamento dito aberto.

Um homem quer uma mulher
Em um sentimento dividido
Uma mulher também o quer
Em um matrimônio corrompido.

Duas árvores que se murcham
Com os seus caules feridos
Duas raízes que se arrancam
Vendo os seus troncos caídos.
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Comentários (3)

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parabéns
parabéns
2024-11-11

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi
2022-09-20

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz
lagazaz
2020-09-12

Belo poema