Escritas

Lista de Poemas

POESIA ATEMPORAL


Escrevo de um tempo
Sem mais tempo
Quando todo o nosso tempo
Era o tempo de nós dois
Busco um tempo
No tempo que tenho
O tempo ido
Por tanto tempo perdido
Já não tenho o tempo
Que tive em outro tempo
Quando o tempo de bonança
Fazia poesia do tempo
É tempo do adeus
Ao tempo do amor
E sem ele não vale o tempo
Dessa vida sem tempo
Nesse espaço de tempo
Meu tempo tem muito espaço
Para relembrar do tempo
Que o tempo apagou
E o seu tempo se espalhou
No vento que o tempo trouxe
Meu tempo se perdeu
E no tempo...parou
(Nane-04/05/2015)

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DESNUDANDO A HIPOCRISIA


Em pleno dia da poesia, alguém muito 'pudica'
denunciou a página 'Asas da vida' da poeta e amiga
Adriane Lima. Suas poesias são doces e maravilhosas
e ela sempre teve e tem o bom gosto de ilustrá-las com
imagens de nu artístico. Isso ofendeu a visão do (a)
puritano em questão. Provavelmente eu serei a próxima,
já que a partir de agora só ilustrarei meus rabiscos com o
nu (nem tão artístico) em protesto contra o facebook.
Até que o 'Asas da vida' seja desbloqueado.
E tenho dito.

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Desnuda a poesia

De suas vergonhas
Mostra seu corpo
Em palavras obscenas
Toma do cálice
Da pouca vergonha
E solta sem preconceitos
Seu corpo nu
Ah poesia...
És vestes de tantos poetas
Que se mostram nus
E por isso são considerados
Deplorados, depravados
Denunciados, achincalhados
Feito um dragão monstruoso
As espátulas giratórias
Castra sem piedade
Censurando como nos velhos idos
A arte poética
Do(a) ousado(a) poeta
Que despe palavras
Na imagem proibida
Pelos olhos pudicos
Da inveja mundana
Dispo-me na rede
Não por desafio
Mas por solidariedade
À arte censurada
E por mandar às favas
Os hipócritas resguardados
Por covarde privacidade
(Nane-23/04/2015)

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ACERTO DERRAMADO


O que fazer com a incerteza
Do certo e do errado
Quando o seu certo se derrama
E se mostra todo errado
Cavar na areia um buraco
E enfiar lá a cabeça
Deixando a respiração sufocada
Morrendo enterrada
Ou adormecer por longo tempo
E despertar no esquecimento
De um novo tempo
Sem ares ou ventos de lembranças
Deixar a cabeça na guilhotina
E decepar todas as decepções
Sem carrasco ou extrema-unção
Talvez seja a solução
Correr por uma longa estrada
Até cair exaurido
De cara no pó do chão
Destruído ou de tudo destituído
Enquanto não vem a resolução
A incerteza permanece
E o errado prevalece
Sobre o certo derramado
(Nane-05/05/2015)


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SÓ UMA ENTREVISTA


Soltam faíscas meus olhos
Despudorados de desejos
Arrancam num só piscar
As cortinas de teu corpo
Flui libertária a imaginação
Alimentando meu tesão
Enquanto minhas mãos passeiam
Brincando em tua pele
O desejo faz seu apelo
Transformando em loba
Salivando de vontades
A insana, a louca
Te prendo em minhas garras
Te devoro com volúpia
Em espasmos contraídos
Te levo ao paraíso
Murmuras gemidos em meus ouvidos
Lambuzas meu ventre com saliva
No ápice do meu clímax
A explosão do meu gozo
Teu 'ham, ham' me assusta
Teu sorriso e a pergunta
Se está tudo bem
Me traz de volta
Vestido e tão distante
De tudo o que vivi
Nos segundos que sonhei
Com teu corpo no meu corpo
(Nane-24/04/2015)

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MENINO TRAVESSO


Com sentimentos não se brinca

Nem tão pouco se manipula

O destino é o senhor

E Cupido só um menino

Brincalhão e sem escrúpulos

Flecha corações à revelia

De um que ama o outro

E do outro que ama algum

Faz salada de sentimentos

E se diverte com a confusão

Causa dores aos corações

Deixando marcas nos espíritos

Em seu caminho um rastro de desilusão

Costuma adoecer de tristeza

Quem antes sabia sorrir

Sem mágoas e nem paixões

Cupido é narcótico

Viciante e fatal

Faz vibrar e delirar

Para depois, sem dó, matar

Não adianta aconselhar

A vítima fascinada

Mas se você puder

Não se deixe acertar

Com sentimentos não se brinca

Nem tão pouco se manipula

O destino é o senhor

E Cupido só um menino

(Nane-05/05/2015)

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O DIA DO AMOR


Hoje é dia do amor
Como se o amor
Tivesse um dia só
Parva mania de 'dias'
Que tem a humanidade
Em honra à negociata
Frágeis amores
Que precisam desse dia
Para se imporem
Sábios animais
Que amam sem apego
Por saberem amar
Tolos dos homens
Que sofrem por amor
Que nunca faz sofrer
Tolos os filósofos
Que ditam teorias
E se matam em suas práticas
Tola a autora
Que finge ao escrever
O que não sabe viver
(Nane-25/04/2015)

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EXAUSTÃO


Sem pudor me entrego
Ao deleite nos teus braços
Gozando a cada um dos teus afagos
Perdida em nossos tremores
Entre gemidos e uivos
Feito animais no cio
Despudorados e acelerados
Sufocados de prazer
Provo o néctar dos deuses
Na tua boca provocante
Que entreaberta mordisca
Meus seios intumescidos
Entre nossas quatro paredes
Somos assumidos depravados
Desbravando todos os poros
Suados e arrepiados
Nossos pelos eriçados
Nossos flancos encaixados
Nossos sexos incendiados
Nossos sons desconexados
Desmaiamos de prazer
Sem mais forças para o amor
É preciso adormecer
É preciso descansar...
(Nane-23/04/2015)

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LOUCURAS






Onde está você?
Senão dentro de mim
Entranhado em minhas vísceras
Exposto no meu corpo
Fazendo parte de mim toda
Me amando, me odiando
Tão lindo e tão meu
Amante e amigo
Louco e desesperado
Querido e idolatrado
Amado e desejado

Me deixa te amar
Sem mais nada te pedir
Amanhã na madrugada
Me afasto, vou embora
Te deixo adormecido
Sem saber se sou real
Se sonho ou pesadelo
Apenas imaginação
De uma louca ilusão...

(Nane-25/05/2011)

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QUE TEUS OLHOS POSSAM VER


Olha teus olhos a pureza
Despida da maldade

Qual a veste da tua alma

Senão teu nu exposto

Fez Deus a criatura

Sem nada a acobertar

Olha teus olhos a pureza

Despida da hipocrisia

O nu é tua essência

Gritando liberdade

Vomita tua perfídia

Expõe tuas vergonhas

Olha teus olhos a pureza

Do teu próprio ser

Quem sabe se depois de te conhecer

Entenderás o que é ser nu

Dispa-te da ignorância

Inunda-te da arte

Olha teus olhos a pureza

Do nu na beleza da poesia...

(Nane-24/04/2015)

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LAPSOS DE MEMÓRIAS


Olhando um nada tão distante
Procuro por um só ponto
Que me traga de volta
As lembranças de mim.
Um vazio tão cheio
Circunda meu ser
Perdido num nada
Vagando sem esteios
Feito alma penada
Em meio à pessoas
Tão ansiosas como eu
E desconhecidas.
Já fui alguém
Que amou e foi amado
E que agora apagou da memória
Toda a sua história.
A infância perdida
Embora vivida
Guardada em algum lugar
Que não na memória
Ativa em mim.
A mocidade com amigos
Quem sabe, com amantes
Ou mesmo, amores
Também escondida
Num canto qualquer
Da falha memória.
O espelho me diz
Que meu tempo se acaba
Na curva descendente
Do semblante envelhecido
E das mãos enrugadas
Pela maturação presente
E a memória ausente.
Lapsos incandescentes
Feito estrelas cadentes
Passam e deixam rastros
Dizendo ser aquelas pessoas
Quem dizem que são
Na minha vida vazia
E sem raiz nenhuma.
Demência ou loucura
Sumiu meu legado
Ainda em vida...
(Nane-28/04/2015)

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Comentários (1)

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joaoeuzebio
2020-08-13

A VIDA INCERTEZAS E A ESPREITA DE NOSSOS DESEJOS BELO POEMAS UM ABRAÇO

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