Escritas

Lista de Poemas

PARQUE DE DIVERSÕES


E Deus criou o céu e a terra
Gostou disso, mas faltava alguma coisa
Então criou o dia e a noite
E também gostou disso
E Deus criou o mar e os rios
E separou a água da terra
Então criou os astros e as estrelas
Para enfeitar o firmamento
E Deus criou os animais
Para que se proliferassem
(inclusive as muriçocas)
E os separou (ou juntou)
Entre machos e fêmeas
E Deus finalmente criou o principal
Para diverti-lo no seu circo triunfal
Criou o ser humano volúvel
Pronto à desafiá-lo
Soltou no 'paraíso' o casal
Homem, mulher e a serpente
E acionou seu joystick
Brincando à revelia
A cada fase que passava
Deu-se uma medalha
E fez do homem herói do jogo
Ou simples perdedor
Brincou de guerras e amores
E o homem saiu do 'paraíso'
Foi à lua e voltou
Mas nunca se encontrou
Deus é pai e ele (homem) espera
Tirar da cara a maquiagem
De palhaço divertidor
No circo do criador
Deus na sua ânsia de vitória
Criou até seu antagônico
E o diabo nele se inspirou
Ao criar seu próprio play station
Que vença o melhor...
(Nane-21/04/2015)

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MARIA NA FRENTE


Passa na frente Mãe Celestial
E toma para Vós a minha dor
E torna minha a vossa fé
No aplacar da saudade maior
Embale em vosso manto
A esperança no meu pranto
E toma a minha mão
Guiando os meus passos
Divida comigo a vossa força
Na aflição dolorida da separação
Do tão amado ser
Por algum motivo, levado
Seque, com vossos ósculos
As lágrimas teimosas que rolam
Quando chora o coração
Nos momentos de aflição
Passa na frente Mãe Celestial
E abra todos os caminhos
Para que eu sinta (com certeza) a segurança
Do meu filho em Vosso regaço
E que eu faça de minhas lágrimas
Gotas de luz sob o brilho do sol
Num arco-íris colorindo
O sorriso do meu menino
(Onde quer que ele esteja)
*Para alguém muito especial.
(Nane-17/04/2015)

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ORAÇÃO PELAS MÃES ÓRFÃS


Nossa Senhora
Guarda o menino
E aplaca a dor
De quem, como vós
Perdeu seu menino
Nossa Senhora
Na ponta dos dedos
Rezando o vosso terço
Todas as órfãs mães
Acariciam os rostos dos
seus filhos idos
Nossa Senhora
Mãe suprema
Abraça e conforta
As dores das mães
Saudosas e nostálgicas
Das suas sementes
Nossa Senhora
Nesse dia melancólico
De tantas lembranças
Aninha seus filhos
Com vossos braços
De Santa Mãe
E vossas filhas
Por certo agradecidas
Sentirão vosso conforto
Na lágrima derramada
Pelas faces das mães
Reconhecidas da vossa proteção
Nossa Senhora
Mãe bendita
De mães e filhos
Guarda convosco
Os filhos das mães
Que à ti os confia

E que essa saudade

Seja a certeza
Da vossa bondade
No cuidar dos filhos
E do certeiro reencontrar
Que assim seja
Nossa Senhora...
(Nane - 17/04/2015)
*Arte de Teresa Prado

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PENSA NISSO


De todas as porradas da vida
Nenhuma doeu mais
Que a de te ver jogando a toalha
Se humilhando por nada
Seus gestos soberbos
Seu olhar inquisidor
Sua pompa no falar
Jogados no ralo
Valeu toda essa dicotomia?
Se expor em total evidência
Correndo riscos desnecessários
Doeu mais que o findo
A imagem desfeita
A carência sabida
O saber tanto de você
O reconhecer do nada
Quem sabe vale a pena
Quem sabe te botaram no prumo
Quem sabe tua crista
Se dobrou ao amor
Mas saiba que doeu
Te ver jogando a toalha
Por saber que até nisso
Finges o que não sente
É só o desejo da vingança
Falando mais alto que a dor
Quando, por fim, detonares esse amor
Rirás o sorriso vingativo
Triste sina a tua
De não deixar em paz
Quem cai na besteira de te amar
E não ter como (por isso) pagar
(Nane-15/04/2015)

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SONHO E PESADELO


As vezes bate um cansaço
Tão grande e desanimador
As vezes bate a frustração
É quando o sonho se faz pesadelo...

No hospital o enfisema ameaça
O amigo escapa por pouco
O cigarro está proibido
Se comigo, melhor fosse morrer

Cinco décadas passadas
Outra metade vivida
Olhar para frente de cabresto
Seguir o ruflar do tambor

Cobranças de tantas dívidas
Impotência no pagar
A glote fechando acordada
O ar mergulhando num mar sem o²

Orações e rezas em vão
A prece desviada no espaço
O espaço tão finito e apertado
A morte na fumaça do cigarro

Correria em debandada
Vida sem sentido
Servindo sem servir
Para o que há de vir

O cansaço resfria
Todos os sentidos
Santo nenhum ajuda
Pro diabo meus medos

(Nane-17/04/2015)

*Arte de Egas Francisco

Foto de Elian Vieira Silva.

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PENSA NISSO


De todas as porradas da vida
Nenhuma doeu mais
Que a de te ver jogando a toalha
Se humilhando por nada
Seus gestos soberbos
Seu olhar inquisidor
Sua pompa no falar
Jogados no ralo
Valeu toda essa dicotomia?
Se expor em total evidência
Correndo riscos desnecessários
Doeu mais que o findo
A imagem desfeita
A carência sabida
O saber tanto de você
O reconhecer do nada
Quem sabe vale a pena
Quem sabe te botaram no prumo
Quem sabe tua crista
Se dobrou ao amor
Mas saiba que doeu
Te ver jogando a toalha
Por saber que até nisso
Finges o que não sente
É só o desejo da vingança
Falando mais alto que a dor
Quando, por fim, detonares esse amor
Rirás o sorriso vingativo
Triste sina a tua
De não deixar em paz
Quem cai na besteira de te amar
E não ter como (por isso) pagar
(Nane-15/04/2015)

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UMA TRISTE POESIA


Chora mãe
Todas as suas dores
Enquanto eu
Na minha frieza
Tento não escutar
Xaropes e unguentos
De nada mais adiantam
E seu Deus todo poderoso
Parece não te escutar
Mas não precisa se preocupar
Chora mãe
Todas as suas dores
Misturadas com as minhas
Que por centésimos de segundos
Você percebe, e esquece
Chora mãe
Todas as suas dores
Sem cura ou anestesia
Enquanto eu faço poesia
Das nossas lágrimas escondidas
Chora mãe
Por mim e por ti
E deixa guardado lá no passado
O tempo dos carinhos correspondidos
Sem tantas mágoas e tristezas
Chora mãe
Todas as suas dores
E todos os seus lamentos
Nas madrugadas insones
Para mim e para você
Chora mãe
Todas as suas dores
Posto que as minhas
Eu choro nas palavras
E faço delas (tristes) poesias
(Nane-19/04/2015)

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SONHANDO EM SER CRIANÇA


Fizeram-me homem
De fuzil nas mãos
Precocemente empedernado
Na sobrevivência
Lacraram num ataúde
As quimeras e fantasias
Dos meus sonhos de menino
Brutalmente emancipado
A tal maioridade
Cospe fogo e mata
Para que eu não morra
E sucumba com a infância
Na solitude de um descanso
O tremor de um ruflar insiste
Em me elevar por sobre a miséria humana
Nas asas da esperança de criança
Sobrevoo inerente de segundos
Sustentado pelas asas da liberdade
Abertas em meio à podridão
De uma guerra dita santa
Vislumbro brincadeiras e cirandas
E outras crianças de etnias
Diversas e tão afins
No sorriso ímpar infantil
O ranger da tampa do ataúde
Recolhe minhas asas podadas
No estampido seco de um rifle
E o menino vira homem de matar
(Nane-08/04/2015)

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PENSAMENTOS CONFUSOS


Já não esconde mais seu lamento
Que chora e grita em meus ouvidos
Quando deito a cabeça no travesseiro
Em busca do sono perdido
Embriagada pelo não adormecer
A cabeça não pensa direito
Os sentimentos se misturam
Num limiar de portais inebriantes
Uma culpa em dissonância
Faz de mim Iscariotes
Em sábado de aleluia
De chibatadas e pedradas
Um adeus inevitável
Entre lágrimas e sorrisos
Se confundem num alívio
Entre o bem e o mal
Uma menina chora a sua falta
Uma mulher te quer ver livre
Um médico e um monstro
Numa só carcaça
O cansaço alucinógeno
Corrompendo a sanidade
Na pergunta que não quer calar
Do que é certo ou errado
Deus do céu ou do inferno
E eu tenho que ter fé
Me destes um cobertor
Mas eu morro de frio
Não sei mais o que fazer
Na angústia dos lamentos
Das dores sem refresco
Que escuto noite e dia
As vezes uma vontade
Bate forte e sem sentido
De correr sem direção
Para lugar nenhum
E nesse desespero
A loucura me assedia
Feito uma bala perdida
No alvo certeiro
A sua incoerência
A minha incongruência
Vidas entrelaçadas
Num adeus
(Nane-05/04/2015)
*Arte de: Marcos Coimbra

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MAIS QUE O MUNDO (e mais um pouquinho)


Subjetivo amor
Muito além daqui
Onde o sexo é reflexo
E a ternura amplidão
Maior de todos os amores
Rompendo o sepulcro frio
Em direção ao universo infinito
Perene em seus mistérios
Pisando em estereótipos
Vislumbrando a essência
De outras histórias
Redivivas
Com as bençãos de Platão
E na cabeça a confusão
De outra dimensão
Sem nenhuma exatidão
A certeza de ser
Ainda que sem poder ter
O certo de um errado
E a conta a pagar
Passe o tempo que passar
Venha quem vier
Meu subjetivo amor
Há de perdurar
(por toda a eternidade)
(Nane-08/04/2015)

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Comentários (1)

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joaoeuzebio
2020-08-13

A VIDA INCERTEZAS E A ESPREITA DE NOSSOS DESEJOS BELO POEMAS UM ABRAÇO

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