Lista de Poemas
MENTIRA VERDADEIRA
Por que te amo
Nada me é permitido
Além do desejo
De te ter
E por te amar
Nada há de ser limitado
Dentro do meu querer
Mesmo sem poder
E por nada ser verídico
Insisto em te amar
Mesmo que nunca te tenha
Além do pensamento
E por seres só uma mentira
Te faço de verdade
Em todos os meus desejos
Não realizáveis
E por não existires
Tornas-te meu maior desejo
E vives em meus devaneios
Tornando-te real em mim
E por seres meu maior amor
Me entrego e morro
Quando percebo que és mentira
E eu a tua verdade
Perdoa meus desatinos
E entenda de uma vez por todas
Que de uma tola mentira
Fiz minha maior verdade
(Nane-17/05/2015)
O PALHACINHO FREDERICO

Que adorava os palhaços
Lá da televisão
Tinha tanto medo o menino
Dos palhaços de verdade
Que preferia observá-los
De longe...bem de longe
Pensava mesmo que eles tinham
Aquelas caras pintadas
Dia e noite, noite e dia
Mas ainda assim gostava deles...
Veio o dia então
Que o menino percebeu
Que o palhaço era homem
E medo não precisava ter
Palhaço agora, ele queria ser...
A vó, que palhaça também era
Pintou sua carinha
E o menino no espelho
Se viu como um lindo palhacinho!
Tão feliz ele ficou
Que não quis tirar a máscara
Os flashs pipocaram
E para todos ele posou
Com um sorriso de felicidade
Do palhaço Frederico...
Adormeceu o palhacinho
E sonhou com as palhaçadas
Acordou de cara limpa
Contando pra todo mundo
Que fora palhaço por um dia
E que isso, por certo virou poesia.
(Nane/11/05/2015)
FELIZ DE QUEM DEU MILHO AOS POMBOS

Afunde seu derrière no sofá macio
Ajeite suas costas na fofa almofada
Conecte-se com o mundo lá fora
Enquanto passa indolente a sua vida
Feliz de quem deu milho aos pombos
Posto que viram os pombos em bandos
E ouviram seu revoar ao saciarem a fome
E viram o poeta fazer disso, canção
Agora, tudo isso acontecendo
E você aí...afundado num sofá
Teclando no seu celular
Conectado ao mundo inteiro
Protestando contra o sistema
Dos coxinhas e dos truculentos
Entre foices e martelos
Sem sair do seu lugar
Feliz de quem deu milho aos pombos
E viu que eles são reais
Hoje você voa tão alto quanto eles
No seu mundo virtual
Grita bem alto em seu perfil
Esse seu jeito de herói varonil
Enquanto do seu lado o silêncio
Afasta todos os seus amigos
Afunde seu derrière no sofá macio
E deixa morrer de fome os pombos na praça
Enquanto os tiros dos canhões disparados
Atingem seu alvo real
(Nane-19/05/2015)
RODA TUA BAIANA SALVADOR

Salvador, Salvador
O que é feito de ti
És filha do grande Criador
E teu nome te conduz
Cidade de puro sincretismo
Respira por teus becos e vielas
Tuas ruas e avenidas
Todas irmanadas religiões
Salvador, Salvador
Porque fostes castigada
Com tanta severidade
E tantas vidas perdidas
Que fizestes Salvador
Teu povo é só amor
Foi aviso da mãe natureza
Para cuidar da tua beleza
Ah Salvador...
Que teu povo seja confortado
Por todos os Santos que em ti moram
E que sejam (também) por eles ensinados
Que teus dirigentes se orientem
No respeito ao meio ambiente
E te reestruturem com o mesmo fervor
Dos fiéis filhos de São Salvador
(Nane-20/05/2015)
PORQUÊS

E tão cheios de regras
Com e sem acentos
Em começos e fins
Que já nem sei do certo
Nem tão pouco do errado
Será você o certo
No acento circunflexo
Ou errado no junto
Que julguei separado
E por isso tirei o chapéu
No final da linha
Entre tantos porquês
Perguntei a mim mesma
Por que será
O porquê de não mais ter
O porquê da minha vida
Perdido em meus porquês...
(Nane-09/05/2015)
PORTAL DE LIMIARES

Nas trevas do meu desassossego
Procuro em vão pelo alívio
Da morte que me rejeita
Vocifero todas as heresias
Batendo na porta do umbral
Limiar do inferno e do céu
Nas minhas entranhas decompostas
As palavras abortam em minha boca
Feito feto cuspido na latrina
Ensanguentando meu karma
Destituído de qualquer missão
Pesa-me nas costas o preto velho
Agarrado feito filhote indesejado
Nos anos que se arrastam nas trevas
Do que seria a minha vida
Os remédios condutores do sono
Postados inertes na prateleira
Como um convite do abrir da porta
Do umbral limiar do meu inferno ou do meu céu
O cansaço tomou conta de mim
Nas trevas do meu desassossego
Procuro em vão pelo alívio
Da morte que me rejeita
(Nane-20/05/2015)
MULHER DE CARGA

Da culpa de ter
A marca na alma
De ser mulher
Carrega seu fardo
No corpo nu
Em plenas avenidas
Do país que te oprime
Mulher de cargas
Pesadas e à mostras
Para quem tem olhos
De ver e entender
Mulher coragem
De expor seu corpo
Aos olhares curiosos
Que quase sempre não veem
Mulher bonita
Em todas as suas formas
De alma livre
No corpo atada
Mulher de carga
Altamente explícita
Na força explosiva
Da sua ARTE
(Nane- 11/05/2015)
*Foto de: Bárbara Avelino
VÍSCERAS MISTURADAS

No meu desespero
Que grita teu nome
No meu silêncio
Dentro de mim
Se fez tsunami
Sacolejando meus órgãos
Misturados e sem lugar
Esvaindo o sangue
Jorrado em lágrimas
Salgadas e adocicadas
Com cheiro nauseabundo
O pulmão enegrecido
Comprimindo o coração
Perdidos no fog da fumaça
Do cigarro companheiro
Bate nas costas e cabeça
Não sei se cérebro ou coração
Só sinto o pulsar insano
Da saudade do teu corpo
Rasgo com minhas unhas a minha pele
Na esperança de ver aliviar
A pressão dessa dor que me consome
E fugir da tua opressão
O peito já não sangra mais
Na cirurgia da triste poesia
Só não sei o que deve ser extirpado
Pra tirar você de mim
Onde está meu coração
Nessa arritmia dos meus órgãos
Atrás da penumbra dos pulmões
Ou no cérebro ensandecido
Pouco importa isso agora
Sou retalho do que fui
Exposta e a venda na xepa
Dos mortos vivos por amor
(Nane-11/05/2015)
*ARTE: Espuma, latex e acrílica s/ papel de:
Bárbara Avelino
VELHAS CRIANÇAS RANZINZAS

Honrarás teu pai e tua mãe
Seja como for
Honrarás teus progenitores
Velhas crianças ranzinzas
Teimosas e sem medidas
Por saberem que são pais
Dos pais virados agora
Ah, por vezes falta a paciência
Mas fala mais alto o sangue
E ruge a 'mãe' da mãe por sua cria
De outras estratosferas
Sobe a ira ao ver na TV
Maus-tratos de filhos ou de terceiros
Que fazem com a criança velha
Indefesa e sem esperança
O físico e o psicológico
Já tão penalizado
Pelo tempo e pela estrada
Estampado no olhar anuviado
A tristeza contida
No corpo limitado
Aguarda com dignidade
A liberdade da alma
O grande Criador ordenou:
Honrarás teu pai e tua mãe
E um filho da puta (que também é mãe) qualquer
Ignora e não cumpre
(Nane-15/05/2015)
*Arte de Ivan Gomes
LATENTE LOUCURA

Revividos num instante
De sanidade latente
Acabrunhada...
Doce loucura
Que me priva do verossímil
Conduzindo mi'alma
Sem amarras ou grades
Viajante espectro
Livre de acepção
Mergulhando em rios
Correndo pros mares
A culpa destoa
Da santa loucura
Quando emerge do nada
A mais (ainda) louca sanidade
Ferrolhos trancafiados
Pesando na alma
Aflita que vaga
Encarcerada no corpo
Sou meio e tudo
De um inteiro partido
Na luta perdida
Do certo e o errado
Vago na minha sanidade
Contida em meus desejos
Enquanto na minha loucura
Vivo o meu bem querer
(Nane-16/05/2015)
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