Lista de Poemas
A pecadora

Peco por falar
Por me expor
Por me deixar transparecer
Por mostrar quem sou
Peco quando amo
Ou mesmo se desamo
Peco por dizer a que vim
Por não mandar recado
Peco se dou carinho
Ou se ignoro
Peco por gostar
Peco por demonstrar
E quando não gosto
Também peco
Porque se não destrato
Deixo claro o que é fato
E peco apenas por pecar
A cada vez que amo
Que encanto
Que tento
Que faço
Que desfaço
Que mostro
Que não escondo
Peco porque vivo
Por não ser o que esperam
Por desapontar
Por não sofrer
Por pouco me lixar
Por nada me importar
Com o que de mim vão achar
E aí...eu peco...
(Nane-17/06/2010)
Dentro de nós

Entre erros e acertos
A gente se completou
E de certa forma
Viveu um grande amor
Agora é passado
Se não fui perfeição
Você também não foi solução
Guarde de mim o melhor
Que eu também levarei o seu
E esqueçamos o pior
Deixemos o passado adormecer
Vou levar você na mente
Por onde quer que eu vá
Mas é preciso te fazer adormecer
Dentro de mim
Para que em outras bocas
Eu não beije a sua
Para que em outros corpos
Eu não ame o seu
Então vou te fazer adormecer
Dentro de mim
Vou levar o seu melhor
E quando eu tiver que partir
Me guarde na lembrança
Pois mesmo adormecida
Viverei dentro de ti
(Elian-23/03/2012)
No meu abraço
Vem comigo...
Deita em meu colo a sua cabeça
Fecha os olhos e escuta a canção
Deixa voar o pensamento
Sonha com o que você quiser
Enquanto acaricio seus cabelos...
Estou aqui para te confortar
Sou sua amiga...sua irmã
E posso te afagar até amanhã...de manhã
Vem...vai passar essa agonia
Que tira dos seus olhos
O brilho intenso que inveja
A lua e as estrelas lá no céu...
Eu vou cuidar de ti
Senta aqui perto de mim
Deixa ficar lá fora
Tudo o que te incomoda
Não diga nada agora
O seu silêncio revelador
Tem meu regaço acolhedor...
Se aninhe em meus braços
Não diga nada
Apenas deposite nesse abraço
O seu cansaço...
(Nane)
Turbilhão de sentimentos

Amor e ódio se misturam
Andam juntos e se confundem
São irmãos de primeiro grau
Bons por ora, por ora maus
Caminham lado a lado na eternidade
Trocam de vestimenta quando querem
Reviram de ponta à cabeça a realidade
Não pensam no que fazem
Amor e ódio se encontram
Na tênue linha do destino
Se completam em paralelas
Ao longo do caminho
Tão pertos e tão distantes
São ímpares e profundos
Quem é quem nesse instante
Cabe à nós decifrar
Amor que faz doer
Ódio que faz fortalecer
Sentimentos que se embaralham
Quem é que vai saber
Se te amo ou se te odeio
O que explode no meu seio
Turbilhão sem nenhum nexo
De um sentimento tão complexo
Te amo e te odeio
Em momentos diversos
Te amo quando te odeio
E te odeio por te amar
(Elian-06/02/2012)
Câncer da alma

O câncer da alma se prolifera
Em metástases que contamina
Multiplicam-se as células
A alma cresce além do corpo
Ultrapaça os espaços contidos
Se aperta...faz doer...quer se libertar
Corpo inócuo e impávido
Não percebe o perigo
Da alma que se rebela
E tenta fugir...liberta
Na metástase que cresce
E faz romper os músculos
Já sem muita resistência
Sem elasticidade...
É alma rebelde em corpo insano
Querendo fugir sem saber pra onde ir
Mas não querendo ficar
No corpo que a abriga sem nenhuma briga...
A metastase se prolifera
E devasta como fera
Tentando de todas as formas
Romper o elo que prende
A alma aflita no corpo
De quem não mais almeja
Nada que seja de corpo
Nada...que seja daqui...
(Elian-19/03/2012)
Seus olhos

Tão límpidos
Tão expressivos
Tão frios, tão lindos
Seu olhos que falam
Que sabem dizer
Que me fazem sofrer
Que me dizem não mais querer
Seus olhos são o espelho
De tudo o que és
De tudo o que diz
Sem a boca abrir
Seus olhos são como o lume
Que se apagaram pra mim
Não refletem mais o carinho
Que sentias por mim
Seus olhos são flechas
Que fincam no peito
Fazendo sangrar
Até meu coração dilacerar
Seus olhos que antes
Sorriam pra mim
Me dizem agora
Friamente que é o fim
Seus olhos tão belos
Fecharam para mim
A esperança da vida
Me deixando assim
Seus olhos...
Não me olham mais
(Nane-26/12/2011)
Três em uma

Dispa-se das suas vergonhas
Se olhe no espelho
Se ame...se goste
Deixe que o mundo se dane
Viva e faça a sua vida
Dispa-se dos seus medos
Sem medo de ser feliz
Escancara a sua diversidade
De santa, de puta, mulher...
Deite na sua cama
Com o desejo que tiver
Com quem você quiser
Se entregue e se ame
E resplandeça em sua face
O prazer de fêmea em gozo...
Vem, mulher nua
Dispa-se de seus bloqueios
Avance todos os sinais
Aflore seus anseios
Jogue fora seus receios
Ame e se deixe amar
Sem nenhum pudor
Sem muito pensar
Com muito amor
A santa está em ti
A puta mora aí
E podem sim, bem conviver
Posto que és...mulher
(Elian-16/05/2012)
In...Grata

Sou grata ingrata
Que faz da gratidão
Castigo, prisão...
Persona non grata
Na gratidão do coração
Na paz do meu espírito
Que vaga ingrato
Sem a grata sensação
De se sentir grato
Em sua imensa vastidão
De espírito ingrato...
Sou ingrata sem graça
Que não sabe ser grata
E sente o peso da gratidão
Se impondo em minhas costas
E gritando aos quatro ventos
Que a minha ingratidão
É o preço à pagar
Pela minha liberdade
Que mais tarde virar cobrar
A ingratidão que me fuzila
Por não saber ser grata
À quem por mim foi grata...
A gratidão me cobra
O preço da ingratidão
E eu...ingrata pago
Por não saber ser...grata
(Elian-05/04/2012)
Noite de lua cheia

Porque tanta dor assim
Porque esse vazio em mim
Eu tento mudar tudo
Mas a lua vem me atiçar
Olho para ela lá fora
Está linda à brilhar...
As estrelas dançam ao seu redor
Um halo clareia o azul à sua volta
Porque você não veio até à mim...
A noite está quente
Eu sem sono
Escuto as músicas que falam de você
São lamentos...sou eu a te falar
Da falta que você me faz
Hoje a noite me tirou para dançar
Em meio a multidão
De estrelas piscantes em volta da lua
Eu olho lá atrás...e não te vejo
Onde está você em meio a multidão...
Já não falo mais com a lua
Já não caminho a beira-mar
Deixa como está...
Tudo isso vai passar
A vida há de me ensinar
Tudo isso vai passar
(Elian-08/02/2012)
O voo da Gaivota

Viajei em meus sonhos
Alcei voo...
Sobrevoei o mar
E vi no silêncio do meu voo
A sua imensidão de calmaria...
Voei tão alto...o mais que eu podia
Planei sem preocupação
Alto...bem distante do chão...
Deixei o vento me levar
Por onde ele fosse passar
Voei sem destino nenhum
Em busca de nada e de tudo
Dei asas a minha liberdade
E voei para longe daqui
O calor do sol
Subi, subi, subi...
Veio a vertigem
Embrulhou-me o estômago
Pesou-me o corpo
A asas se fecharam
Mergulhei no vazio
A terra se aproximando
Depressa demais
Os olhos turvos
Parafuso no ar
Sangue na areia
Gaivota caída
Não voo mais
Nem mesmo de avião
Mulher acordada
Sonho perdido
Realidade exposta
Começa outro dia...
(Elian-19/03/2012)
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