Escritas

Lista de Poemas

Mundo real


Poeta não mente
Inventa
Faz da fantasia
A sua realidade
E da sua tristeza
Poesia
Poeta é assim
Não se conforma
Com o fim
E dá asas a imaginação
Na esperança vã
De abrandar seu coração
Poeta enfeita
Com palavras a vida
Que de tão vivida
Torna-se ferida
Em chagas visíveis
Poeta é um grande
Fazedor de novas vidas
Inconformado com a real
Cria no seu mundo ideal
A sua felicidade
E ninguém pode dizer
Que seu mundo é irreal
Pois poeta não mente
Inventa...

(Elian-22/02/2012)

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Vislumbrando a eternidade



Decidi deixar na eternidade
O que é da eternidade
A vida é aqui e agora
E de viver aqui...é a hora

Deixar que a aurora da eternidade
Amanheça na sua hora da verdade
Importa agora é seguir nesse jardim
Que eu mesma plantei pra mim

Fluir a vida que eu tenho
Alimentar os sonhos que eu sonho
Amar os entes queridos
E atravessar a caminhada sem reclamar

A vida aqui é uma passagem
Em que o tempo é mínimo
Diante da eternidade que me espera
Para os reencontros planejados

Olho lá adiante o horizonte
E vislumbro meu novo caminhar
Deixa a eternidade atrás dos montes
É hora dessa vida aqui, tocar

(Elian-04/02/2012)

👁️ 371

Tela de poesia

Se um pintor eu fosse
Seriam minhas poesias telas
E quantos quadros teria para pintar
Quantas cores para misturar

Com certeza não teria um só estilo
Pintaria o surrealismo colorido
Quando meus rabiscos sem rimas e sem métricas
Fluíssem do fundo de minha alma

Retrataria o bucólico na tela
Quando minhas mãos escrevessem
Sobre estar apaixonada
Em poesia dedicada a pessoa amada

E faria exposição do gótico
Quando a ira me invadisse
Num rabisco sem lirismo
Na loucura mergulhada

Exporia minhas telas num museu
Como um livro fechado na estante
Onde só quem poderia ver
Seria quem 'soubesse' ler

Se eu fosse um pintor
Jamais pintaria o rosto seu
Pois foi tanto que te rabisquei
Que as cores, com as dores... misturei

Hoje a tela está vazia
E não vejo mais a poesia
O pintor perdeu a mão
E o poeta...o coração

(Nane-30/12/2011)

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Virginiana


Tudo em mim vai além
Sou virginiana...detalhista
Dou sempre o meu tudo
Sem me importar se colho o nada
Faço e refaço quando preciso
Na tentativa de ser sempre o meu melhor
Os outroos até podem não gostar
Mas eu procuro em mim...o meu melhor
Não gosto de ser só mais uma
Vou em busca de ser a uma
Não gosto de imitar
Prefiro ser copiada...
Não sou desaforada
Só gosto de ser notada
E para isso...tem que ser bem feito
O que quer que eu vá fazer
Senão corro o risco de iludida
Me passar por ridícula

(Elian-08/02/2012)

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Uma cena do passado



A cena na infância longínqua está gravada na memória...minha mãe cuidando de seu jardim, entre rosas e margaridas, palmas e hortências...eu sentada no alpendre da varanda, entre bonecas e livros, que ela mesma me ensinou à lê-los. A conversa girando sobre o futuro que viria...o que seria de mim...o que seria eu...Por ela, como quase todas as mães, médica de branco, doutora Elian! Mas eu, já de pequena, sonhava escrever e contar histórias...dizia pelos quatro ventos que seria escritora. Como as mulheres que escreviam os livros que eu lia. Lia os homens também, mas naqueles tempos de tantas desigualdades, eu já admirava as mulheres escritoras, embora tenha sido um escritor quem marcou a minha iniciação nas leituras. O primeiro livro que li foi 'O meu pé de laranja lima' de José Mauro de Vasconcelos. E foi aí que me encantei com a literatura. Minha mãe contava as histórias de Monteiro Lobato para nós (a sua filharada), mas na época não tínhamos livros disponíveis, e ouvíamos a sua narrativa imaginando as cenas.
Naquele dia, em que ela cuidava do seu jardim, tão admirado pela vizinhança, minha mãe me dizia que quando ela envelhecesse, seria colocada num asilo. Ela dizia que esse era o destino dos pais. Que era comum isso, já que os filhos certamente teriam seus compromissos profissionais e familiares, e ela estava preparada para isso. Eu a olhava admirada e retrucava: ...Jamais mãe! Eu nunca vou deixar que você vá para um asilo. Vou cuidar da senhora enquanto a senhora viver mãe. Ela apenas sorria um sorriso de quem não acreditava...e continuava plantando suas flores.
Hoje é o futuro...minha mãe está aqui, comigo...envelhecida, frágil, deficiente...estou cumprindo minha promessa daquele dia...tão distante. Eu não virei uma médica, mas vesti o branco da enfermagem. Também não me transformei numa escritora, mas virei rabiscadora...e o futuro daquele tempo... é o meu presente de hoje.

(Elian-17/03/20112)

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O silêncio do poeta


Seu olhar está distante
Num ponto nenhum
A mente divaga sem destino
Por onde andará...vai saber
As mãos parecem inquietas
Sem 'estrada' para percorrer
Esquálidas, suadas, desajeitadas
Ele apenas observa à sua volta
Não conversa com ninguém
Nem mesmo vê o que se passa
Parece uma estátua
Tão só...tão solitário
Por onde andará seu pensamento...
Seu silêncio parece arrogância
Aos que com ele falam, sem respostas
Mas no fundo é só um transe hipnótico
Que sem aviso, arrasta a sua alma
Deixando o corpo inanimado assim...calado
Quanto tempo levará...ninguém sabe
Mas o tempo necessário
De um poeta operário...
É uma ausência que se impõe
Na sua busca eterna por inspiração
E só sua respiração
Diz que ele está bem, vivo
Deixem o poeta em seu casulo
É só a sua paz que ele busca
Nas palavras que procura
Para expressar a sua arte
Não o julguem arrogante
Ou tão pouco em agonia
O silêncio do poeta
É o prefácio da poesia...

(Elian-02/06/2012)


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Sou eu assim


Se dia ou noite
Se frio ou calor
Se grande ou pequena
Se muito ou pouco

Sou eu assim
Dubiamente dúbia
Sem nunca me esconder
Da minha dualidade

Se bela ou se fera
Se brisa ou furacão
Se sol ou se lua
Se vestida ou se nua

Sou eu no meu estilo
Voltando ao meu encontro
Que por algum motivo
Me perdi de mim

Se triste ou se feliz
Se insana ou serena
Se feia ou bonita
Se leiga ou doutora

Sou eu em meus delírios
Devaneios sem os quais não vivo
Rabiscando minhas dúvidas
Nas certezas que eu crio

Se anjo ou demônio
Se preta ou se branca
Se louca ou se mansa
Se boa ou se má

Sou eu em meus caminhos
De flores e espinhos
Em busca de mim mesma
Pela estrada que tracei

Se perto ou se longe
Se real ou virtual
Se tanto e tão pouco
Se é ou se não é

Sou eu em meus anseios
Vivendo a minha vida
Dúbia, mas não perdida
Na minha própria dualidade

(Nane-04/01/2012)

👁️ 353

Três minutos de viagem


Embarquei na astronave
Sem saber para onde ir
Viajando pelo espaço
Em branco...em branco
Na cabeça só viagens
Sem mapas, sem portos
Estrêlas sem brilho
Passaram por mim
Me deixei levar assim
No infinito espacial
Envolvida no silêncio
Do espaço sideral

Lá nada pode me atingir
Vou viajando sem saber
Por onde hei de ir
Subindo sem destino
Indo pra lugar nenhum
Apenas seguindo
Sem saber se vou voltar
Esquecendo de você
E de mim
Apenas viajar...

Quanto tempo vai levar
Pouco importa
Eu quero viajar
Sem destino de pousar
A nave vai me levar
E em algum lugar há de pousar
E se por acaso se perder
Na deriva do espaço
Eu vou sobreviver
Enquanto puder respirar

(Elian-23/03/2012)

👁️ 422

Yin e Yang







Eu sou
Eu fui
Eu sei
Eu tudo
Na real, eu nada...
O que sei de mim
Não sei
Pensei saber
Me conhecer
Mas nada sei
Me idealizei
E não me apresentei
Tenho atos e ações
Gestos e palavras
Sentimentos e vontades

Que nunca pensei
Pudesse ter
Faço coisas que não faria
Se fosse eu, de fato eu
A pessoa que conheço
E acreditava ser eu...
Idealizei o que eu queria ser
Na essência do meu ser
E descobri que para me conhecer
Não basta o meu querer
Sou céu
Sou terra
Sou parte da humanidade
Meu Yin e meu yang
Tanta estrada para rodar
Tanta coisa para aprender
Tanto eu...para conhecer
Eu sou
Muito do que não sei
Ou nada...do que pensei

(Elian-19/05/22012)

👁️ 445

Malandro que é malandro

Malandro que é malandro


Malandro que é malandro, não morre de amor
Levanta, sacode a poeira em plena boemia
E faz nascer da sua dor, uma letra pra compor
Um samba com muita poesia

E a noite carioca ajuda o poeta
A acalmar seu coração
Na Lapa tudo é festa
E Madureira...berço do samba-canção

Vila Isabel tem sua magia
É a terra de Noel
Tem bamba a noite inteira
Compondo samba de primeira

Não importa de onde você seja
Mas se quer esquecer de um amor
Vem comigo, viva, sinta e veja
Nas noites cariocas o que é calor

Não dramatize um final
Faça dele um bom sinal
Olha quanta vida há na noite
Deixa o samba te envolver
E esqueça o seu sofrer

Senta numa mesa com os bambas
E aprenda com eles a compor
A letra de um novo samba
Zombando da sua antiga dor

Malandro que é malandro, não morre de amor...

(Nane-05/05/2012)

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Comentários (1)

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joaoeuzebio
2020-08-13

A VIDA INCERTEZAS E A ESPREITA DE NOSSOS DESEJOS BELO POEMAS UM ABRAÇO

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