Lista de Poemas
Mulher de verdade

Não quero parecer mais jovem
Não quero patrocínio de beleza
Não quero pelejovem.com
Quero o direito às minhas rugas
E a minha face nua e crua
Sem máscara ou maquiagem
Que caem e borram
E me transformam em espectros
De um passado que não volta
Não quero a ilusão da juventude
Na pele esticada e pesada
Por produtos enganadores
E propagandas mentirosas
Quero sim as minhas marcas
Esculpidas pela vida
Tal qual as ondas do mar
Que esculpem as pedras sem cessar
Não quero me olhar no espelho
Sem poder gargalhar
Para não correr o risco
De algum ponto arrebentar
Quero poder tirar minha blusa
E ver que o tempo passa
Olhar meus seios já caíndo
Sem silicone, sem plástica
Sem nenhuma falsidade
Quero a beleza da natureza
Posto que sou flor mulher
Que nasce, cresce e envelhece
E quando o meu tempo houver passado
E o meu sino tiver tocado
Que se escreva em minha lápide
Aqui jaz uma mulher de verdade
(Elian-05/04/2012)
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Duas ou mais

Nas faces que tenho
Sou duas ou mais
Anjo e demônio
Vadia e santa
Blasfemo e rezo
Depende da hora
Me faço de vítima
Mas sou algoz
Me dispo de pudores
Me cubro de vergonhas
E se acalento
Também jogo ao vento
Porque sou dúbia
E por vezes acéfala
Grito em silêncio
E silencio berrando
Rezo aos santos
E acordo com o diabo
Que tenta e me atenta
E eu me deixo tentar
Porque sou duas ou mais
Sem saber onde vou parar
Enquanto procuro por mim
Nas noites escuras e sem fim
Ou nos dias de sol escaldante
Queimando meus neurônios inconstantes
E porque sou dúbia
Estouro e explodo
Xingo e praguejo
E peço desculpas
E deixo partir
Quem não sabe sentir
Que sou duas ou mais
E não sei voltar atrás...
(Elian-05/04/2012)
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Lua mulher

Lua mulher
De fases
Imensa e sutil
Pequena e pueril
Feminina e menina
Clareando a noite
Em alvos lençóis
Num halo de luz
Que seus olhos seduz
Num acasalar de eclipse
Do sol e da lua
É fogo e paixão
Na cama nua
Que se confunde
Com a imensidão
Mulher e lua
De fases
Que atenua
Seu brilho pleno
Durante o dia
De correria
Lua mulher
De fases
Faz cegar com seu brilho
Ao dar prazer
Ao ter prazer
No anoitecer
Mulher e lua
De fase
Se confundem
Se fundem...
(Elian-18/05/2012)
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Semente

Morrer jamais...
Somos um eterno ir e vir
Renascemos da própria morte
Ou morremos da própria vida
Somos amálgama de nós mesmos
Em constante mutação
Fazemos da semente
A árvore da nossa sustentação
A semeadura é livre
Mas a colheita...obrigatória
Cabe à nós plantar bom fruto
Ou colher veneno puro
A seara se prepara
E somos nós os responsáveis
Pela plantação à germinar
A semente nunca mente
É só o resultado de quem plantou
Quem planta nuvem
Colhe tempestade
Mas na escolha da semente
O agricultor fica à vontade
Não morreremos jamais
Iremos e voltaremos eternamente
A semente vai sempre germinar
E é você quem irá plantar
O que fatalmente irá colher...
(Elian-05/02/2012)
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Onde está você?
Onde está a sua mão
Que me acostumei a segurar
Nas horas de aflição
Onde está seu ombro
Que me servia de conforto
Quando eu me apavorava
Não sinto mais o calor do seu abraço
Nem vejo a luz do seu olhar
Por onde você está
Onde está você
Que esteve ao meu lado
Por todo esse tempo
Quando mais precisei da sua mão
Quando mais precisei do seu ombro
Quando mais precisei do seu abraço
Quando mais precisei da sua luz
Quando mais precisei de você
Me sinto só...
(Nane-05/11/2014)
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A QUEDA DA RAINHA

Na hora da batida
O coringa prevaleceu
E a Dama de Copas caiu
Seu jogo era limpo
E a canastra, real
Mas o coringa se infiltrou
E o jogo, foi sujo
A carta estava na manga
A Dama de Copas não sabia
Seu jogo foi sempre tão limpo
E a Dama de Copas caiu
O Rei usou de subterfúgios
Guardando a Dama de Copas
Enquanto flertava com o coringa
Uma carta na manga
Deixou ela pensar que reinava
No seu próprio reino
Mas era o coringa quem dava as cartas
E por isso a Dama de Copas caiu
Ao Rei isso pouco importa
Bateu e o jogo acabou
Por tão pouco tempo durou o reinado
Da Dama de Copas que caiu
O Rei agora é garboso
E desfila com o coringa risonho
Na carruagem nova de abóbora
Luzindo e se expondo
A Dama de Copas queria
Andar de carruagem também
Mas o Rei só tinha uma carroça
E a Dama de Copas caiu
Rainha morta
Rainha posta
O Rei usou o coringa
E seu reino agora é de outra
(Nane-13/-2/2015)
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O 5º ato

Nuvens que passam
Formas que formam
Imagens que veem
Olhos que olham
O que não existe
E no vento se desfaz
Danço na chuva
Lavo a alma
Encharco o corpo
Rodopio na rua
Me sinto nua
Sorrio de mim mesma
E ouço a música
Ergo um castelo
Na beira do mar
Sabendo que a onda
O irá levar
Mas é tão lindo
Que me deixo enfeitiçar
E dentro dele sonhar
Sou o resumo da ópera
Que aplaudem sem entender
E que até dormem
No ato final
No acorde mais alto
Do barítono que canta
Mas nem a todos encanta
O vento espalha
A nuvem se desmancha
A areia vira um monte
A cortina se fecha
E eu...adormeço...
(Elian-05/03/2012)
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E agora

E agora...
O que faço com o que restou
Os suspiros que me assaltam sem querer
As lágrimas que rolam pela face sem avisar
O pensamento que foge até te encontrar
A saudade que queima e teima em não passar
E agora...o que faço com isso....
Só o tempo vai me curar, eu sei
Mas e enquanto ele não passa
O que faço com tudo isso
Que parece querer me dizimar...
Se até meu coração parece suspirar
Descompassado em arritmias
Parece querer falhar...parar...
Mas ninguém morre de amor
Foi o que eu sempre ouvi dizer
Mas e de tristeza....será que se pode morrer...
E agora...
O que faço com a falta que sinto de você
(Nane - 08/01/2012)
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Gôndolas de Aveiro

Aveiro de Bragança
Bragança de Aveiro
Fecharam- se as portas do porto
Desencontraram-se o rio e o mar
Imigraram seus filhos
Ao infante a muralha
Protegida e solitária
Aveiro e Veneza
De gôndolas passeiam
Espelhando as cidades
De Aveiro e Veneza
Na história distante
A Nova Bragança
Recusada morreu
Trazendo à tona
Aveiro mais forte
Não é só Veneza
Se faz serenata
Ao amor verdadeiro
Nas noites de lua
Sob as estrelas
Nas gôndolas de aveiro
(Elian-17/05/2012)
*Uma homenagem aos Lusitanos
que com frequência visitam meu blog.
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Grito do silêncio

Que sem você não sei viver
Olha só um pouquinho pra mim
Não deixa eu acabar assim
Você fez de mim um turbilhão
Me colocou culpas nas costas
Me fez viver coisas que não sei explicar
Me ensinou a amar...e a me acabar
Hoje não valho o pão que como
Me perdi na estrada que tracei pra mim
E numa linha retilínea e sem fim
Consegui me perder de mim
E pensar que um dia
Sem nenhuma malícia
Era eu quem tinha as rédeas
E ditava as regras
Quando será que vai me perdoar
E esquecer todo esse mal
Te juro, pensei que te fazia bem
Te compensei apenas por te amar
Você me derrubou
Me fez te amar e te querer
Não sei se é só por teu prazer
Mas você sabe me fazer sofrer
Me deixa te deixar
Me deixa te esquecer
Não me deixa terminar
Insana...sem você
Isso é um S.O.S
Não faz assim comigo
Escuta meu grito silencioso
Antes que seja muito tarde
E então...me esqueça de verdade
(Nane-30/12/2011)
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joaoeuzebio
2020-08-13
A VIDA INCERTEZAS E A ESPREITA DE NOSSOS DESEJOS BELO POEMAS UM ABRAÇO
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