Escritas

Lista de Poemas

Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte III - 2

2

as ruas barulhentas me apagam eu não ouço
agora as horas correm como dentes em bocas que gargalham
sento-me na pedra a mesma pedra
e há alguma nuvem depois do mar de carbono
Deus me aguarda sou eu
sem espelhos agora que as horas passam correndo
barulhos barulhos que ferem como pedras pontiagudas
no rosto nos lados nas pernas
eu me viro vem por todos os lados
estou aqui sentado
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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 14

14
Quando fechei meus olhos e transpus o teto para além daqui
para além de lá
para dentro
perdi meus olhos para além do teto
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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 11

1

falta pouco para saborear minhas entranhas
com sabor de novo
varro na casa meus pedaços
enxugo o sangue derramado com esforço algum estou novo de novo
sou  um vampiro inacabado 
 meu incômodo que nem mortadela fresca
deixa cheiro no ar quando estou faminto eu devoro  queixas com ódio
jogado e misturado
meu sangue quetichupe
sugo
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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 6

6
a cozinha pequena me inferniza
o pó não abandona nunca e se junta em times escuros como pernas de aranhas emaranhadas
eles frequentam a cozinha a sala os cantos dos quartos
e todos os dias eu volto 

a cozinha se fosse grande eu não via
eu abria os braços e eu abria as pernas  sentava  pensava
eu esperava  e olhava e não veria
a cozinha pequena todos os dias me faz agonizar 

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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte III - 5

5

Nada dentro talvez porque não sinto o gosto
nem meu nem em meu copo
a bebida evapora leve vai secando e são muitas horas até me livrar do medo
evaporamos numa disputa infernal
eu e o copo
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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 7

7

Olho as marcas no assoalho e meu vestido na cadeira escorrega
porque nunca ninguém em volta?
Porque nunca muitos barulhos e risadas?
Porque eu e meu silêncio profundo ainda de mãos dadas

voos voos voos me aguardam amanhã sempre e sempre
não vou cortar os pulsos a não ser para ver a cor acordar com a cor e pintar um quadro vivo
 
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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte II - 5

5

Ló teto cobertura transponível no coito proscrito
pedaço semente cozido no escuro
olhos agudos e semicerrados
morando juntos amarrotados
lavavam as frutas em água salgada
e um calor na coluna que nasce desejo
os olhos semicerrados
a boca carne e dentes não gargalham
mordem o fruto mordem a carne mordem e cospem fel

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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 9

9



Ah meu olhar desperto para nada
meu corpo inerte no sofá
o teto nada me diz  e eu o atravesso 
minhas mãos jogadas  seguras pelos meus braços
não morro disso
nenhuma hemorragia porque caí me fez cair mais ainda
eu estou de olhos pregados no teto

parei de usar a palavra não
sim para não te atendo
sim para não quero
sim para mim sim

sim para comer demasiado as palavras 
eu estou em silêncio e algumas delas fazem sentido sozinhas
a mortadela tem saber de morte embutida

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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 1

1

What a wonderful world

a mesa pálida e as cadeiras me olhando um olhar morto

em minha volta as coisas what a wonderful world

os porcos gostam da solidão

e posso me lambuzar sozinha

enquanto as paredes aguardam meu movimento

eu em meu canto vazio

what a wonderful world

se é amargo meu gosto ninguem vê, 

what a wonderful world

então me lambuzo e limpo as mãos no avental

os olhos estão no centro da mesa

e não me importo com a comida

sem trocas, nessa manhã cinzenta

what a wonderful world 

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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte II - 4

4

Enquanto eu clamo na sala vazia de mim não crio nós
sem mãos
só,  porque me calo enquanto um anjo se apaga no infinito eu
despedaçado lamentoso surdo eu
 
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