Lista de Poemas
Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte III - 2
2
as ruas barulhentas me apagam eu não ouço
agora as horas correm como dentes em bocas que gargalham
sento-me na pedra a mesma pedra
e há alguma nuvem depois do mar de carbono
Deus me aguarda sou eu
sem espelhos agora que as horas passam correndo
barulhos barulhos que ferem como pedras pontiagudas
no rosto nos lados nas pernas
eu me viro vem por todos os lados
estou aqui sentado
👁️ 337
Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 14
14
Quando fechei meus olhos e transpus o teto para além daqui
para além de lá
para dentro
perdi meus olhos para além do teto
Quando fechei meus olhos e transpus o teto para além daqui
para além de lá
para dentro
perdi meus olhos para além do teto
👁️ 448
Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 11
1
falta pouco para saborear minhas entranhas
com sabor de novo
varro na casa meus pedaços
enxugo o sangue derramado com esforço algum estou novo de novo
sou um vampiro inacabado
meu incômodo que nem mortadela fresca
deixa cheiro no ar quando estou faminto eu devoro queixas com ódio
jogado e misturado
meu sangue quetichupe
sugo
👁️ 432
Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 6
6
a cozinha pequena me inferniza
o pó não abandona nunca e se junta em times escuros como pernas de aranhas emaranhadas
eles frequentam a cozinha a sala os cantos dos quartos
e todos os dias eu volto
a cozinha se fosse grande eu não via
eu abria os braços e eu abria as pernas sentava pensava
eu esperava e olhava e não veria
a cozinha pequena todos os dias me faz agonizar
👁️ 382
Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte III - 5
5
Nada dentro talvez porque não sinto o gosto
nem meu nem em meu copo
a bebida evapora leve vai secando e são muitas horas até me livrar do medo
evaporamos numa disputa infernal
eu e o copo
👁️ 350
Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 7
7
Olho as marcas no assoalho e meu vestido na cadeira escorrega
porque nunca ninguém em volta?
Porque nunca muitos barulhos e risadas?
Porque eu e meu silêncio profundo ainda de mãos dadas
voos voos voos me aguardam amanhã sempre e sempre
não vou cortar os pulsos a não ser para ver a cor acordar com a cor e pintar um quadro vivo
👁️ 496
Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte II - 5
5
Ló teto cobertura transponível no coito proscrito
pedaço semente cozido no escuro
olhos agudos e semicerrados
morando juntos amarrotados
lavavam as frutas em água salgada
e um calor na coluna que nasce desejo
os olhos semicerrados
a boca carne e dentes não gargalham
mordem o fruto mordem a carne mordem e cospem fel
👁️ 418
Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 9
9
Ah meu olhar desperto para nada
meu corpo inerte no sofá
o teto nada me diz e eu o atravesso
minhas mãos jogadas seguras pelos meus braços
não morro disso
nenhuma hemorragia porque caí me fez cair mais ainda
eu estou de olhos pregados no teto
parei de usar a palavra não
sim para não te atendo
sim para não quero
sim para mim sim
sim para comer demasiado as palavras
eu estou em silêncio e algumas delas fazem sentido sozinhas
a mortadela tem saber de morte embutida
👁️ 397
Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 1
1
What a wonderful world
a mesa pálida e as cadeiras me olhando um olhar morto
em minha volta as coisas what a wonderful world
os porcos gostam da solidão
e posso me lambuzar sozinha
enquanto as paredes aguardam meu movimento
eu em meu canto vazio
what a wonderful world
se é amargo meu gosto ninguem vê,
what a wonderful world
então me lambuzo e limpo as mãos no avental
os olhos estão no centro da mesa
e não me importo com a comida
sem trocas, nessa manhã cinzenta
what a wonderful world
👁️ 1 038
Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte II - 4
4
Enquanto eu clamo na sala vazia de mim não crio nós
sem mãos
só, porque me calo enquanto um anjo se apaga no infinito eu
despedaçado lamentoso surdo eu
👁️ 396
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
NoComments
Português
English
Español