Escritas

Lista de Poemas

Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte III - 8

8

Sinto cheiros de passado presente de tempos futuros em mim
tintas emaranhadas cores confusas acordam 
transbordando o copo
minhas veias acordam também em cortes profundos pulsam quase vazando e tomando minha respiração

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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 2 e 3

2
Coloco uma música e deixo as ondas irem onde não vou
meu corpo preso ao lugarejo eu
minha música vagando e eu engordo o espaço meu

pela boca uma mosca entra e eu cuspo e olho o chão
enquanto a música voa
 
3

Maria cerrou os portões não foge mais
corre!! corre que as galinhas bicam por demais
Maria comeu palavras e plantou manjericão
Maria em silêncio ouve pássaros e os muros não tem pintura
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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 8

8

O quadro valia quantos quintais? Quantas galinhas? Quantas esquinas
percorri para pinta-lo
agora está na galeria dos que aguardam
o quadro que escorrega as cores que vão e voltam
para cima e para baixo
para cima e para baixo
para cima e para baixo
novo tédio
novo nada
novo feito
passou e amanhã aguarda....
 
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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 5

 5
   Porém  me voltei  
    lembro dos olhos rastreadores 
    ainda escondido
    e o sol me lembro
    dos meus  olhos puxados,

   de me ver do lado de fora de mim
    eu era um ponto de interrogação
    por detrás das portas e janelas,

    era a esquina e a outra rua do bairro encantado
    meus olhos tinham cabos que se enveredavam
    e ninguém via não via   eu via
    tudo além do silêncio e de uma rua vazia

    Em mim  
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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos, Parte I - 13

13
Sabor , sabor, sabor
a mesa posta em pratinhos copos e um bule
os biscoitos são iguais mas não os mesmos em minha diária metamorfose

gosto de palha que só o queijo estragado salvamofado
misturei palavras em acompanhamento pra começar o dia
o relógio pára para me deixar ver as horas por um segundo
eu agradeço a gentileza
um pouco de agradecimento se mistura como palha velha todos os dias
palha com cor de braços maternos
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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 4

4

lembro da primeira primavera na calçada de mãos dadas com meu pai
lembro de uma rua com portas e janelas fechadas
do silêncio, me lembro 
me lembro de não ir além em passo lento,
do vestido branco e dos cabelos escorridos
nem vento 
nem mesmo o pisar nos gravetos 
não lembro
nem mesmo uma palavra, não lembro
lembro das mãos dadas
e da rua sem esquina
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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte II - 2

2

Eu desejo eu desejo eu desejo
e meu nome não morre hoje 
meus obscuros buracos negros explodem  
são  bigbangs novos
luzes novas
eu escapo de mim sou altíssima densidade e sufoco 
vou vomitando luzes 
são meus demônios e me salvam

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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte II - 1

1

cem mil almas canhões atingiram o infinito mudando
o céu para além do arcoíris
e tudo escuro e tudo claro
vem e vai morte vida tudo gira e volta
almas e demônios que se abraçam 
sepultados
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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte II - 7

7

Horas esquecidas horas esquecidas em Sodoma
refugiados pecaminosos soterrados em eus silenciosos
meus dias são dias contados
sou olhos semicerrados sou lós sou tetos desabados
sou filhas vadias sou inícios perdoados
dor de parto gritos urros
caminho pelo chão pedras pontas que me ferem os pés
meus chicotes, eu me flagelo
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Poema do livro Poemas em Cortes Profundos Parte I - 10

10

  Estou jogado no sofá, sem pena ou desgosto
me confundo com quem me invade 
sem querer
meu idioma é um olhar de soslaio de quem aguarda a presa
sou guloso

eu só aguardo um eu qualquer que desconheço
todos mos dias o persigo 
é ele que quero engolir e fazer com que, de dentro para fora,
me coma me mate acabe comigo

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