Lista de Poemas

256 - ESPLENDOR

Sol há de expor esplendor ao divã.
Pó se reduz: os baús reabri.
Só me compus com a luz por aqui:
Ó, com a flor indolor, temporã.

Não há temor se me for amanhã.
Tão perspicaz e sagaz eu senti
Quem se refaz com a paz e sorri:
Vem por amor no calor e na lã.

Vim através de marés, temporais,
Sou, apesar de chorar, quem jamais
Vai no porvir desistir de viver.

Vou com a fé, bem a pé, ao jardim.
Pai que eu amei e amarei é por mim:
Deus Jeová me dará o poder.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/04/2020)
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255 - IMAGINAR O PARAÍSO

Já posso imaginar o Paraíso:
Com sonhos, só dormir na noite fria;
Sem sono, despertar num belo dia;
Adormecer mas só se for preciso;

Transformar em jardim o chão que piso;
Sentir perfeita paz que não sentia;
Chorar mas só de simples alegria;
Sorrir mas sem forçar qualquer sorriso;

Viver enfim a vida que não finda;
Ter amanhã beleza e juventude;
Ver toda a terra cada vez mais linda;

Tirar da mente o velho mundo rude;
Agradecer a Deus bem mais ainda;
Poder amá-lo como nunca pude!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 13/04/2020)
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ZÉ-NINGUÉM

Eu, Zé-ninguém, zonzo,
Causei-me lesões
Pisando roseiras,
Cruzando desertos:
Visei o horizonte.

Sou zero e sozinho
Preservo o casulo.
Grisalho e sisudo
Não zelo os vizinhos
E zombo do asilo.

Isolo-me exausto,
Pesado e vazio
No exílio cinzento
E azul em que existo
Ausente, invisível.

Dos olhos fazia
Prisão de episódios,
Desastre e desordem.
Desejo, risada,
Prazer desfizeram-se.

Exumo o desânimo,
Desenho ilusões,
Rasuro a razão,
Visito jazigos
E exalto a miséria.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 08/04/2020)
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UM TRASTE

Um traste retrógrado
Que trouxe na trouxa
Mil tralhas e trecos.
Seus trajes são trapos
Que as traças destroem.

Outrora ilustrado,
É triste retrato
De estrondo e destroços.
Entregue a maus tratos
Com três cicatrizes.

No estrume nutriu-se
De tripas, detritos.
Se o trigo se estraga
Contrai as entranhas.
Seu trono: a latrina.

Por trás, por um triz,
Frustrou falcatruas,
Intrigas e tramas.
No tronco prostrou-se,
Mostrou descontrole.

Sem tropa e sem trégua
Vem troncho e restrito.
Sem truque e destreza,
Vai trêmulo e trôpego
Aos trancos, nas trilhas.

Por trechos estranhos
De extremas estradas
E trilhos de trem
Com trágicos tráfegos,
Atrasos e trânsito.

Em transe encontrava
Entradas estreitas,
Sem trincos, sem trancas,
Das trevas dos traumas
Sem traço de estrelas.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 10/04/2020)
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254 - DA JANELA

De novo da janela já me anima
Sonhar sem estranheza que amanhã
Lá fora se desfaça o louco afã
E a praga não me prenda nem deprima.

Aclamo as tardes claras neste clima:
Pensei na criação com crença sã
Velando nuvens leves como a lã
E o sol que exalta o céu azul acima.

Nas noites à janela vou de novo
Mostrando aos olhos tristes cada estrela
E o mundo aqui da mente enfim removo.

Eu vi que Jeová mais paz revela
E por amor se importa com seu povo
Que nota o dia novo da janela.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 05/04/2020)
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MEUS BRAÇOS E ABRAÇOS

Meus braços obreiros
Fabricam abraços
Que brunem o bronze
E abriram-se abruptos
Aos breves cabrestos.

Meus braços te abrandam
Com brio e nobreza,
Se a bruta lembrança
Te obriga a cobrar-te,
Com brados, de bruços.

Meus braços febris
São brasas vibrantes
Que brilham por brechas
Se o breu te acabrunha
E a brisa enebria.

Meus braços te abrangem:
Cobriram-te abrigos
De bruscos abrolhos,
De brumas sombrias,
De brenha escabrosa.

Meus braços e abraços
São brandos lembretes.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito para a minha esposa Ingrid da Rosa em 03/04/2020)
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S OU S

Assim, no sul,
Às cinco e seis,
Eu sei que sou
Um ser tão só:
Um céu sem sol
Que saia ao som
De cem canções.

Não sou mais são:
Não saro e sangue
Das solas salta
Na insana senda.
Mas sofro e surjo
Bem sob as cinzas
Mais cego e surdo.

Não sou possante:
Cresci com sobras
De sal e açúcar
Que se consomem.
Cansei-me cedo.
Vencido sumo
Em certas selvas.

Não sou mais sábio:
Pois, se à mercê
Do sopro sonso
Das sensações
Persigo sonhos,
Só singro o sono
E o senso cessa.

Não sou mais certo:
Passou acima
Macissa sombra
De assombro e susto.
Cá sobre o solo
Conselho aceito
Sem sério açoite.

Não sou mais solto:
Na cela suja.
Eu, sem passado,
Pensei em sete
Pessoas santas,
Tão sãs e salvas
E sua ação.

Em suma, sempre
Me sinto simples
Recém nascido
Sensível, sóbrio,
Que suga os seios
Sem seiva, secos,
E sente sede.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrita em 28/03/2020)

(Poema que descreve as angústias dos deprimidos que não veem neste sistema de coisas qualquer sentido.)
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252 - OLHAR MELHOR

Orando a ti verei o que será
Ser forte até o fim aonde eu for;
Morrer inculpe e reto neste horror;
Viver no teu favor, ó Jeová;

Amor mostrar a irmãos em hora má;
Ao peito meu a paz maior expor;
Sonhar com o amanhã, ó meu Senhor;
No alívio mais veloz sentir-me lá.

Alheio ao mal o olhar ficou melhor.
A fé dos olhos fez um bom refém.
E neste mundo a noite foi menor.

Sei ver se não houver: de cima vem.
Ó Deus, há mais que dor ao meu redor!
Na luz que tu me lanças vejo além.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 26/03/2020)
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251 - SANTA PAZ

À noite da janela aberta nós
Expomos sempre o peito à santa paz.
A fé que temos fortes já nos faz:
Façamos orações também a sós!

Porém, por fim será bem mais feroz
O mundo que nos mostra coisas más.
Quem traz notícias tristes, para trás!
São vãs e não ouvimos sua voz.

Pensemos mais em ser de mente sã.
Saibamos: é tão bom dormirmos bem
Alegres no calor da nova lã!

Provamos: sem pavor o sono vem.
Sonhemos e tenhamos amanhã
A luz que surge lá e ascende além.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 26/03/2020)
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250 - PESTILÊNCIA

Se à rua a morte ronda, o mundo rui.
Às mãos do rei do mal: o horror o mói.
A massa cega e muda, sem herói,
Confessa a si enfim: "Quem sou? Quem fui?"

No lar a pestilência expõe, dilui
A paz da mente pois o medo a rói.
No duro peito o desespero dói
E suga o que a pessoa aqui possui.

No afã, teu povo a fé não perderá:
Espera o fim de pé mais firme e dá
O testemunho até chamar quem ouve.

Que venha o justo evento, Jeová!
Que a gente tenha vida eterna já
E a linda terra livre então te louve!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 23/03/2020)
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