Lista de Poemas
285 - EU QUIS
Eu quis olhar quem sou e o véu o esconde;
Eu quis ouvir verdade e foi escassa;
Eu quis provar do mel e o fel não passa;
Eu quis tocar meu ser e quem o sonde;
Eu quis achar resposta e quem responde;
Eu quis falar do bem mas há mordaça;
Eu quis calar o mal se me ameaça;
Eu quis cair em mim - não sei por onde;
Eu quis levar a vida e foi pesada;
Eu quis vencer a morte e sem espada;
Eu quis não ter vontades - são venenos;
Eu quis não desejar mas não me agrada;
Eu quis somente precisar, mais nada;
Eu quis enfim poder querer bem menos.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 27/08/2020)
Eu quis ouvir verdade e foi escassa;
Eu quis provar do mel e o fel não passa;
Eu quis tocar meu ser e quem o sonde;
Eu quis achar resposta e quem responde;
Eu quis falar do bem mas há mordaça;
Eu quis calar o mal se me ameaça;
Eu quis cair em mim - não sei por onde;
Eu quis levar a vida e foi pesada;
Eu quis vencer a morte e sem espada;
Eu quis não ter vontades - são venenos;
Eu quis não desejar mas não me agrada;
Eu quis somente precisar, mais nada;
Eu quis enfim poder querer bem menos.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 27/08/2020)
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283 - ÁGUAS PASSADAS
Com tudo sempre me animava todo
Mas hoje passa a correnteza fria
Por baixo destas pontes em que via
Da vida acumular-se expesso lodo.
Há muito tempo com moinhos rodo,
Porém, nenhuma volta me extasia,
E, enquanto terras giram, a agonia
Eu passo tantas vezes deste modo.
Água passada, que me alaga logo
Revolta e turva, nunca mais deságua
Num mar de rosas onde não me jogo.
No fundo deste coração que gela,
Ou sou quem a tragou com dor e mágoa
Ou sou quem se afogou sozinho nela.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 23/08/2020)
Mas hoje passa a correnteza fria
Por baixo destas pontes em que via
Da vida acumular-se expesso lodo.
Há muito tempo com moinhos rodo,
Porém, nenhuma volta me extasia,
E, enquanto terras giram, a agonia
Eu passo tantas vezes deste modo.
Água passada, que me alaga logo
Revolta e turva, nunca mais deságua
Num mar de rosas onde não me jogo.
No fundo deste coração que gela,
Ou sou quem a tragou com dor e mágoa
Ou sou quem se afogou sozinho nela.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 23/08/2020)
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282 - BOTÃO NA ROCHA
Botão que está na rocha e tem má fama,
Se queima como a tocha, não é puro.
Enquanto desabrocha contra o muro,
Diz ter-se feito “flor”, porém, não ama.
O macho duma abelha zune e clama
Sempre que se ajoelha, tão seguro,
Sobre a rosa vermelha, sem futuro,
Com pétalas abertas sobre a grama.
Quando se farta assim da planta nobre,
Logo a descarta e parte então em fuga
E em busca de outra que jamais lhe cobre
Por tudo (que se torna mel) que suga
Até que nada reste enfim da pobre,
Senão o que murchou com cada ruga.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 19/08/2020)
Se queima como a tocha, não é puro.
Enquanto desabrocha contra o muro,
Diz ter-se feito “flor”, porém, não ama.
O macho duma abelha zune e clama
Sempre que se ajoelha, tão seguro,
Sobre a rosa vermelha, sem futuro,
Com pétalas abertas sobre a grama.
Quando se farta assim da planta nobre,
Logo a descarta e parte então em fuga
E em busca de outra que jamais lhe cobre
Por tudo (que se torna mel) que suga
Até que nada reste enfim da pobre,
Senão o que murchou com cada ruga.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 19/08/2020)
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TU ÉS
Se trevas sou e a febre que mais arde,
És cura;
Se sou maturidade que vem tarde,
És pera;
Se sou no meu quadrado tão covarde,
És fera;
Se peixe fora d'água sou, nos lagos,
És cama;
Se escasso sou na falta dos afagos,
És toque
E, se à deriva sou conceitos vagos,
És croque;
Se fogo sou, contido numa tocha,
És palha!
Se sou os pés que galgam esta rocha,
És calo;
Se sou botão que mudo desabrocha,
És talo;
Se sou demora que te cale, agrida,
És pressa!
Se sou todas as mortes da ferida,
És uma;
Se sou feroz na poça poluída,
És puma;
Se pombo sou que se cansou do voo:
És pouso;
Se cheio de secreta culpa sou,
És pia;
Se sou a confusão que me enfunou,
És guia;
Se sou grilhões e cela e lá sou preso,
És passo;
Se sou profundidade triste e peso,
És alta;
Se sou sem brilho e cor, não sou aceso,
És malta;
Se luto sou, sem choro de consolo,
És gota;
Se nunca sou de nada, sempre tolo,
És tudo;
Se sou um peito nu, se posso espô-lo,
Escudo!
Se estrada sou até o imundo caos,
És carro;
Se sou abaixo todos os degraus,
És cada
E, se indefeso sou nos dias maus,
Espada!
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 17/08/2020)
És cura;
Se sou maturidade que vem tarde,
És pera;
Se sou no meu quadrado tão covarde,
És fera;
Se peixe fora d'água sou, nos lagos,
És cama;
Se escasso sou na falta dos afagos,
És toque
E, se à deriva sou conceitos vagos,
És croque;
Se fogo sou, contido numa tocha,
És palha!
Se sou os pés que galgam esta rocha,
És calo;
Se sou botão que mudo desabrocha,
És talo;
Se sou demora que te cale, agrida,
És pressa!
Se sou todas as mortes da ferida,
És uma;
Se sou feroz na poça poluída,
És puma;
Se pombo sou que se cansou do voo:
És pouso;
Se cheio de secreta culpa sou,
És pia;
Se sou a confusão que me enfunou,
És guia;
Se sou grilhões e cela e lá sou preso,
És passo;
Se sou profundidade triste e peso,
És alta;
Se sou sem brilho e cor, não sou aceso,
És malta;
Se luto sou, sem choro de consolo,
És gota;
Se nunca sou de nada, sempre tolo,
És tudo;
Se sou um peito nu, se posso espô-lo,
Escudo!
Se estrada sou até o imundo caos,
És carro;
Se sou abaixo todos os degraus,
És cada
E, se indefeso sou nos dias maus,
Espada!
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 17/08/2020)
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281 - ENTRELAÇADOS
Entrelaçados sempre fomos nós
Do tríplice cordão que enfim se fez.
Enquanto nos tornarmos um tu crês
No vínculo do olhar, das mãos, da voz.
O que te liga a mim se faz veloz
E firme, sem tensão ou rigidez.
Nas pontas soltas que amarramos vês
Que amor não ata nem desata a sós.
Nós cegos não seremos dos cordéis
Mas com a corda toda e tão fiéis
Eu não me parto e tu não te retrais.
Jamais estamos por um fio os dois
E nos apertos não rompemos pois
A quem nos une somos tão leais.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 16/08/2020 para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira)
Do tríplice cordão que enfim se fez.
Enquanto nos tornarmos um tu crês
No vínculo do olhar, das mãos, da voz.
O que te liga a mim se faz veloz
E firme, sem tensão ou rigidez.
Nas pontas soltas que amarramos vês
Que amor não ata nem desata a sós.
Nós cegos não seremos dos cordéis
Mas com a corda toda e tão fiéis
Eu não me parto e tu não te retrais.
Jamais estamos por um fio os dois
E nos apertos não rompemos pois
A quem nos une somos tão leais.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 16/08/2020 para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira)
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280 - SONO E SONHO
É sono bom embora não aviste
Mais luzes nem me passe fogo pelo
Tristonho coração que atrai o gelo:
Mas se dormir tristeza não existe.
É sonho bom até que acorde triste,
Em pleno dia viva o pesadelo,
Na noite fria logo possa tê-lo
E o sol nascente já me reconquiste.
É sono bom enquanto não me deito
Naquele mesmo canto e me levanto
Ao ter nos olhos pranto e dor no peito.
É sonho bom que aceito sob o manto
Do anoitecer e espreito do meu leito
De amor leal dum jeito puro e santo.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 13/08/2020 para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira)
Mais luzes nem me passe fogo pelo
Tristonho coração que atrai o gelo:
Mas se dormir tristeza não existe.
É sonho bom até que acorde triste,
Em pleno dia viva o pesadelo,
Na noite fria logo possa tê-lo
E o sol nascente já me reconquiste.
É sono bom enquanto não me deito
Naquele mesmo canto e me levanto
Ao ter nos olhos pranto e dor no peito.
É sonho bom que aceito sob o manto
Do anoitecer e espreito do meu leito
De amor leal dum jeito puro e santo.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 13/08/2020 para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira)
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278 - UM DIA
Um dia vamos acordar melhor
E não vai ser uma manhã qualquer:
Sabemos bem que, quando a luz vier,
Não vai brilhar apenas ao redor.
Um dia vamos ter um sol maior
Para aquecer um homem e a mulher;
Sabemos logo que o calor que houver
Não vai estar apenas no suor.
Um dia temos de dormir com fé
E enfim sonhar tranquilamente até
Não sermos mais punhado vão de pó.
Um dia temos de nos pôr de pé
E vamos ver tornar-se o que não é
E não vai mais durar um dia só.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 9/8/2020)
E não vai ser uma manhã qualquer:
Sabemos bem que, quando a luz vier,
Não vai brilhar apenas ao redor.
Um dia vamos ter um sol maior
Para aquecer um homem e a mulher;
Sabemos logo que o calor que houver
Não vai estar apenas no suor.
Um dia temos de dormir com fé
E enfim sonhar tranquilamente até
Não sermos mais punhado vão de pó.
Um dia temos de nos pôr de pé
E vamos ver tornar-se o que não é
E não vai mais durar um dia só.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 9/8/2020)
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279 - ALEGRIA
Irmãos, pulemos logo de alegria!
Perseguição em tempos tão extremos
É prova de que temos e teremos
A aprovação do Pai que aqui nos guia.
Sozinhos numa cela escura e fria,
Que com integridade suportemos
Tribulações e insultos mais blasfemos,
Com privações, tortura e zombaria.
Irmãos, por mais que o mundo nos oprima
Às mãos do rei do sul e rei do norte,
A nossa exultação já vem de cima:
Gritemos sim de júbilo e bem forte
Louvando a Deus com cântico que anima
Os corações leais até a morte!
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 11/08/2020)
Perseguição em tempos tão extremos
É prova de que temos e teremos
A aprovação do Pai que aqui nos guia.
Sozinhos numa cela escura e fria,
Que com integridade suportemos
Tribulações e insultos mais blasfemos,
Com privações, tortura e zombaria.
Irmãos, por mais que o mundo nos oprima
Às mãos do rei do sul e rei do norte,
A nossa exultação já vem de cima:
Gritemos sim de júbilo e bem forte
Louvando a Deus com cântico que anima
Os corações leais até a morte!
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 11/08/2020)
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276 - INTEMPÉRIES E RECANTOS EM MIM
Eu tenho tempestades nas entranhas;
Nos pés, campinas e tufão nas pernas;
Nos braços, covas brandas onde hibernas;
No fôlego, o bom vento que acompanhas;
Nos olhos, o oceano em que te banhas;
Na mente, as profundezas mais internas;
No coração, vulcões, tremor, cavernas;
Nas costas, a cadeia de montanhas;
Terei as intempéries que interagem
Com tais recantos onde se revela
A minha natureza não selvagem.
Com aquarela amor tornou-se a tela
Em que pintavas íntima paisagem
Que só foi bela quando estavas nela.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 06/08/2020 para minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira)
Nos pés, campinas e tufão nas pernas;
Nos braços, covas brandas onde hibernas;
No fôlego, o bom vento que acompanhas;
Nos olhos, o oceano em que te banhas;
Na mente, as profundezas mais internas;
No coração, vulcões, tremor, cavernas;
Nas costas, a cadeia de montanhas;
Terei as intempéries que interagem
Com tais recantos onde se revela
A minha natureza não selvagem.
Com aquarela amor tornou-se a tela
Em que pintavas íntima paisagem
Que só foi bela quando estavas nela.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 06/08/2020 para minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira)
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277 - REAÇÕES
Das pedras com que me apedrejam tanto
Fiz pontes entre amor e o ódio cego;
Com cusparadas que me lançam rego
Total perdão que neste peito planto;
Por me açoitar a crítica garanto
Jamais massagear selvagem ego;
Desprezo mais abrasador emprego
Em me secar da humilhação o pranto;
Mordaça que me cala seja o manto
Com que me envolve o pensamento santo
Que no silêncio meu melhor exponho;
E a venda que me impede, por enquanto,
De ver o sol nascer se me levanto,
Máscara seja de dormir com sonho.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 07/08/2020)
Fiz pontes entre amor e o ódio cego;
Com cusparadas que me lançam rego
Total perdão que neste peito planto;
Por me açoitar a crítica garanto
Jamais massagear selvagem ego;
Desprezo mais abrasador emprego
Em me secar da humilhação o pranto;
Mordaça que me cala seja o manto
Com que me envolve o pensamento santo
Que no silêncio meu melhor exponho;
E a venda que me impede, por enquanto,
De ver o sol nascer se me levanto,
Máscara seja de dormir com sonho.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 07/08/2020)
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