Escritas

Lista de Poemas

Guardião da Noite

Guardião da Noite.

Eu sou o guardião da noite...

Dos edifícios apagados,

dos sorrisos adormecidos,

das ilusões desfalecidas...

Restos de vida passam

levados pelos passos

cansados das prostitutas

que se vão...

Na gargalhada que escapa,

da boca amargurada.

Nos passos inseguros que

esquecem de recolher

o eco vazio que deixam

ao passar...

Solitários, abandonados...

Tristes percorrem as

pecaminosas esquinas

da vida...

... e na luz enfraquecida da

solidão, desaparecem.

Apago então as estrelas.

Recolho as últimas cores

da noite.

Adormeço minhas tristezas...

Deixo apenas a ilusão

das ondas que acreditam,

vaidosas, serem delas

o último olhar da Lua...

Lentamente me oculto

do novo dia que chega...

Com novas cores,

novos sonhos,

efêmeros amores...

Domingos Alicata.

Rio, 19.01.2006

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Ilusão da Vida

Morre em mim agora a última ilusão...

A ilusão da vida!

Serena e lenta vai se apagando,

ternamente, sem revolta nem gritos.

Apenas meu corpo cansado e minha

ingênua alma a acompanham nesta

madrugada que insiste em chorar.

Sem o olhar cúmplice das estrelas nem

o fascinante brilho prateado da Lua, resta

ela imóvel a minha frente, morrendo a cada

palavra vazia que seco em seus lábios...

Pela janela busco alguém com quem repartir

esta derradeira agonia, mas apenas o som da

copiosa chuva que cai, responde com fria e

monótona indiferença...

Velha ilusão da vida!

Morre na pífia e cruel indiferença do mundo.

Abraçada à solidão desta noite e subjugada

à cadência do meu melancólico teclar...

Na pobre e rasa cova deste triste poema...

Domingos Alicata

Rio, 07.02.2008

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Seios


No contorno do teu corpo minhas

mãos encontram o amor oculto na

fria noite...

Onde, no calor dos teus seios, meus

lábios redescobrem o doce sabor das

antigas emoções.

E no suspirar profundo da noite, meigo,

renasce em mim o menino que insiste no

amor viver...

Com o reflexo da Lua, teu prateado ventre

se abre qual noturna flor e, com a beleza das

nossas desnudas almas,

Nossos corpos se amam...

Domingos Alicata.

Rio, 20.11.2007.

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Amor Virtual - 1


Na virtualidade da noite um anjo eu procuro.

Teu doce perfil suavemente me invade e,

curvado ao destino, com amor te abraço.

Em alucinante desejo teu corpo acaricio na

singeleza dos meus infantis encantamentos...

E a madrugada se retira deixando em meus

lábios o gosto sempre amargo da distância...

Domingos Alicata.

Rio, 02.05.2009
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Meus Beijos

Meus beijos, Amiga, já foram inocentes, puros,

diria até ingênuos.

Os impuros, ah! Os impuros! Acompanham-me

por toda a vida. Sensuais, amantes, roubados,

infiéis, frios, prostitutos mas, nem todos, despidos

de sentimentos profundos.

Mas os de amor, Amiga, foram inesquecíveis, eternos.

Junto com eles, deixei minha alma nos lábios amados.

Foram tantos lábios, tantos sonhos tentando definir

sentimentos tão simples, que , por vezes, me perdi.

Estimulados, às vezes se disfarçavam em sensuais mordidas.

Alucinados, no entanto, rompiam castas barreiras e,

ofegantes, percorriam corpos abandonados na loucura.

Hoje, Amiga, busco a síntese de todos os beijos.

Mas que sejam lábios companheiros e tolerantes.

Se possível, fiéis, para que eu possa neles depositar,

finalmente, meus últimos beijos disfarçados em poesias...

Domingos Alicata

Rio, 08.09.2005.

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Que Saudade

Que saudade do tempo em que

eu não sentia saudades nem tantas

ausências viviam no meu presente...

O passado era apenas uma simples folha,

quase toda em branco, e o futuro um

lindo livro azul a ser escrito sem pressa.

Que saudade do tempo em que podia corrigir

as tortuosas linhas da vida, contornar o improvável,

redefinir sentimentos...

As noites não eram tão solitárias e

os meus sonhos se refugiavam nos

olhos da menina amada.

Que saudade...

Fantasias sucumbem aos meus desiludidos

encantamentos. Perdas se acumulam no

simples passar do tempo. O corpo definha

e a alma, sorrateiramente, me abandona.

Ah, que saudade da época em que virava as

páginas do tempo sem me preocupar com o

nefasto peso dos anos...

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Na Madrugada


Recolho-me aos indiferentes braços da

madrugada como nos teus braços morto estivesse...

Na triste e escura solidão acaricio teus

lábios, agora já tristemente perdidos no

remoto tempo...

A lágrima que me deixa já não leva apenas

a tristeza, junto sepulta o que restou da

minha sofrida alma...


Domingos Alicata

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Por Amor



Por amor, nesta noite me fiz sonho.

Colhi as mais lindas flores, os versos mais puros

declamei e nos teus olhos me perdi...

Na dourada taça do prazer bebi o perfume dos

teus inesquecíveis lábios. Sensuais, ávidos, como

em doce aguardar do primeiro beijo...

Por amor abracei o teu corpo e, com a ansiedade

da remota infância, te amei...

E nosso virginal desejo renasceu na longa e fiel

cumplicidade da noite. O prazer refugiou-se em

nossos lábios enquanto as estrelas, no calor dos

já saciados corpos, agora dormem...

No prateado raio da Lua que ainda acaricia o teu seio,

deixo o meu último beijo.

Por amor, somente por amor, desejaria nesta noite

morrer... Sonhando...

... Só para esta última ilusão não perder...

Domingos Alicata.







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A Solidão do Poeta

Sempre me comoveu a solidão dos poetas...

Caminham sobre versos, cativam amores

impossíveis, desafiam sonhos improváveis e,

sobretudo, amam...

Amam a vida, a morte, o poema sempre

inacabado, a desilusão. Principalmente as

desilusões de amor...

Em silêncio, redefinem a tristeza, secam

emotivas lágrimas, abraçam com desejo a

madrugada e, com lábios cultivados no

prazer, beijam a mulher amada até que,

por fim, morrem de tanto amar.

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O que é poesia?

O que é poesia?

Uma criança me perguntou,

de repente!

O que é amor?

Me enrolei...

Outra emendou,

sorridente...

O que é Deus?

Ai meu Deus...

E a cegonha?

Disse uma terceira...

Como sabe o nosso endereço?

Piorou...

Para ganhar tempo, perguntei...

E vocês!

Sabem o que é Poesia?

Do canto,

uma vozinha cheia de encanto,

respondeu alegre:

- É a maneira que Deus achou

para resumir todo o sentido da

vida...

E Deus sorriu...

Domingos Alicata

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Cauana Araujo
Cauana Araujo
2018-09-19

Cruzeiro do sul terra dos cruzeirenses