Lista de Poemas
Virgem Maria Rita
Sabia tudo sobre mim
Fruto da brizomancia aplicada
Era eu o sonho e o escolhido para o fim
Da tal ''inocência imaculada''
A obcessão crescia como nunca antes
Perseguição cruel da harpia feroz
Então ouvi um silvo; era ela e sua voz
Lábios mel carnudos, olhos brilhantes
Expliquei-lhe então: ''que o amor
cresce em nós como uma flor,
e para isso é preciso uma semente
Entre a gente não houve calor,
e a raiz sem esse morno ardor
teria um fulgor decadente''
Dei-lhe um abraço, beijei-lhe a face e por fim
disse-lhe que não desistisse de outro amor assim.
Fruto da brizomancia aplicada
Era eu o sonho e o escolhido para o fim
Da tal ''inocência imaculada''
A obcessão crescia como nunca antes
Perseguição cruel da harpia feroz
Então ouvi um silvo; era ela e sua voz
Lábios mel carnudos, olhos brilhantes
Expliquei-lhe então: ''que o amor
cresce em nós como uma flor,
e para isso é preciso uma semente
Entre a gente não houve calor,
e a raiz sem esse morno ardor
teria um fulgor decadente''
Dei-lhe um abraço, beijei-lhe a face e por fim
disse-lhe que não desistisse de outro amor assim.
👁️ 666
Sonho de voar
À revelia de todos os meus sentidos
Meu espírito abraçou a rebeldia
O momento chegou e nem o sentia
O dia estava calmo, sem ruídos
Tal paz me invadiu, inconsciente
Dormente, minha atenção nem pressentiu
A razão posta de parte consentiu
Tal acto irracional mas coerente
E quando lá do alto me atirei
Por milagre ganhei asas e voei
A vontade venceu gloriosa a gravidade
Hoje sei que nem a morte apaga a vida
Se sonhar for realidade conseguida
Hoje sou alma etérea, luz branca sem idade
No momento da verdade
Salta de encontro à vontade !
Meu espírito abraçou a rebeldia
O momento chegou e nem o sentia
O dia estava calmo, sem ruídos
Tal paz me invadiu, inconsciente
Dormente, minha atenção nem pressentiu
A razão posta de parte consentiu
Tal acto irracional mas coerente
E quando lá do alto me atirei
Por milagre ganhei asas e voei
A vontade venceu gloriosa a gravidade
Hoje sei que nem a morte apaga a vida
Se sonhar for realidade conseguida
Hoje sou alma etérea, luz branca sem idade
No momento da verdade
Salta de encontro à vontade !
👁️ 638
Círrosis Divinis
Resíduos se acumulam
No fígado de Deus
Detritos filhos seus
Por ganância deambulam
A cirrose vai avançada
É incurável como o não crente
A Terra, Mãe destroçada
A morte, Era eminente
A Divindade vai sorvendo
A maldade desta gente
E a cirrose vai crescendo
Numa contagem decrescente
No fígado de Deus
Detritos filhos seus
Por ganância deambulam
A cirrose vai avançada
É incurável como o não crente
A Terra, Mãe destroçada
A morte, Era eminente
A Divindade vai sorvendo
A maldade desta gente
E a cirrose vai crescendo
Numa contagem decrescente
👁️ 638
Poesia omnipresente
Minha poesia por Lisboa espalhada
Em cada esquina e colina, misteriosamente
Pode ser pouco, para muitos nada
Mas é como ter minh'arte omnipresente
Letra a letra, rima a rima, o povo entende
Que alguém resolveu su'alma partilhar
E se ao passares, um teu breve olhar se prende
É o bastante, e tal dádiva não se vende
Dá-se, para o tempo o perpetuar.
Em cada esquina e colina, misteriosamente
Pode ser pouco, para muitos nada
Mas é como ter minh'arte omnipresente
Letra a letra, rima a rima, o povo entende
Que alguém resolveu su'alma partilhar
E se ao passares, um teu breve olhar se prende
É o bastante, e tal dádiva não se vende
Dá-se, para o tempo o perpetuar.
👁️ 630
De tantas maneiras me mataste
Levei dois tiros no amor
E uma facada na paixão
Toda ela e seu ardor
Pertence a outro coração
Enforquei-me no desejo
Afoguei-me na ternura
Na doce e suave brandura
Da boca que já não beijo
Atirei-me do alto da loucura
Cortei as veias da empatia
Então morri de monotonia
Saudoso dessa candura !
E uma facada na paixão
Toda ela e seu ardor
Pertence a outro coração
Enforquei-me no desejo
Afoguei-me na ternura
Na doce e suave brandura
Da boca que já não beijo
Atirei-me do alto da loucura
Cortei as veias da empatia
Então morri de monotonia
Saudoso dessa candura !
👁️ 700
As leis cientificas do amor
A linha à volta da tua face
À Lei de Darwin iluminada
Levou a ciência a um impasse:
Ter tal linha num humano recortada
E se olharmos teu corpo, tuas proporções
Vemos a Regra de Ouro e suas noções
Exemplarmente exemplificadas
Por isso meu amor por ela é de forma tal
Que até as Teorias da Relatividade Geral
Sem ele teriam de ser alteradas
Este meu doce encanto por ti
Consegue-se ver chegando a Pi
E inutiliza a Lei da Gravidade
O Efeito Borboleta levou assim
À Teoria do Caos que provoca em mim
A reacção química da saudade . . .
À Lei de Darwin iluminada
Levou a ciência a um impasse:
Ter tal linha num humano recortada
E se olharmos teu corpo, tuas proporções
Vemos a Regra de Ouro e suas noções
Exemplarmente exemplificadas
Por isso meu amor por ela é de forma tal
Que até as Teorias da Relatividade Geral
Sem ele teriam de ser alteradas
Este meu doce encanto por ti
Consegue-se ver chegando a Pi
E inutiliza a Lei da Gravidade
O Efeito Borboleta levou assim
À Teoria do Caos que provoca em mim
A reacção química da saudade . . .
👁️ 632
Maldiçaras
Que amanhã esteja um dia de inverno
E o céu vermelho-negro terror, cor do Inferno
Que chovam raios, trovões e coriscos
Que os peixes não mordam em seus iscos
Que todo o trigo padeça
E o pão deixe saudade
O canibalismo que aconteça
E o fim da amizade vos enlouqueça
Pondo termo à liberdade
Que ao sustento falte o tostão
Tormento de miséria vindo do Nada
E que a criança de fome desvairada
Lamba o pó que rasteja no chão
Que amanhã esteja um dia de inverno
O mar lívido, a outra cor do Inferno
Que defequem cobras, verdades e lagartos,
Do Fundo que trepem pestes, mentiras e ratos
Que reine a Ira e o Azar, num luto de almas sós
Da dor que nasça uma nova Grande Era
Num fim que o mar engula a terra
E o céu irado caia sobre vós !
E o céu vermelho-negro terror, cor do Inferno
Que chovam raios, trovões e coriscos
Que os peixes não mordam em seus iscos
Que todo o trigo padeça
E o pão deixe saudade
O canibalismo que aconteça
E o fim da amizade vos enlouqueça
Pondo termo à liberdade
Que ao sustento falte o tostão
Tormento de miséria vindo do Nada
E que a criança de fome desvairada
Lamba o pó que rasteja no chão
Que amanhã esteja um dia de inverno
O mar lívido, a outra cor do Inferno
Que defequem cobras, verdades e lagartos,
Do Fundo que trepem pestes, mentiras e ratos
Que reine a Ira e o Azar, num luto de almas sós
Da dor que nasça uma nova Grande Era
Num fim que o mar engula a terra
E o céu irado caia sobre vós !
👁️ 622
Aguaceiro
Foi a manhã, vista um pouco turva
Sorriso breve antes do beijo lento
Foi a rosa entreaberta antes da chuva
Foi a brisa encontrada antes do vento
Foi a noite e a inocência da demora
Foi o amanhã; verde janela aberta
Dois corpos nús que não vão embora,
E acordam uma praia ainda deserta
Foi a paz, o silêncio antes do grito
Foi a nudez antes do amor consumado
E foi depois o cântico interdito
E todo este poema questionado...
Mas o que vale e o que fica
E indubitavelmente se auto-justifica
São aqueles momentos bons
Os cheiros, os toques, os sons...
Sorriso breve antes do beijo lento
Foi a rosa entreaberta antes da chuva
Foi a brisa encontrada antes do vento
Foi a noite e a inocência da demora
Foi o amanhã; verde janela aberta
Dois corpos nús que não vão embora,
E acordam uma praia ainda deserta
Foi a paz, o silêncio antes do grito
Foi a nudez antes do amor consumado
E foi depois o cântico interdito
E todo este poema questionado...
Mas o que vale e o que fica
E indubitavelmente se auto-justifica
São aqueles momentos bons
Os cheiros, os toques, os sons...
👁️ 661
A morte da maldita
E de manhã de novo o sangue puro
O lacrimejar dos olhos ofuscados
A coragem não está e o dia escuro
Revela mil deuses ocupados
Na boca o bocejo interminável
Traça o duro rumo a ''Oriente''
Ficar parado é fatal, oxidável
E por agora o ''Norte'' está ausente
Na esquina o descuido espreita
Já longe a sombra roubada grita
Então o cérebro maravilhado se deleita
Com a inevitável morte da maldita
E de manhã de novo o sangue puro
E cada vez que ele abre os olhos há um muro
E de manhã de novo o sangue puro
E cada vez que ele abre os olhos é mais duro . . .
O lacrimejar dos olhos ofuscados
A coragem não está e o dia escuro
Revela mil deuses ocupados
Na boca o bocejo interminável
Traça o duro rumo a ''Oriente''
Ficar parado é fatal, oxidável
E por agora o ''Norte'' está ausente
Na esquina o descuido espreita
Já longe a sombra roubada grita
Então o cérebro maravilhado se deleita
Com a inevitável morte da maldita
E de manhã de novo o sangue puro
E cada vez que ele abre os olhos há um muro
E de manhã de novo o sangue puro
E cada vez que ele abre os olhos é mais duro . . .
👁️ 599
Prestidigitador
O som de um cometa a passar
Um gemido puro sem fim
É o bicho que tenho em mim
Que não pára de pensar
Vai, dissolve-me o corpo no espaço
Inócuo, estridentemente mudo
Verdadeira e eterna ilusão, tudo
Logro mais fraco que um forte abraço
Isto não é arte nem poesia, não é nada !
É maresia, alquimia, a magia de um vulgar ser
Pois mais vale não ser do que apenas parecer
Visão molhada em pão e ovo, enfim, panada
Este poema é sobre o que não é
Sobre quem não tem pretensões a ser
Fala da força de querer aprender
E de quem se ri da inteligência até
É tudo uma pura ilusão
Algumas palavras, um papel, uma caneta na mão. . .
Um gemido puro sem fim
É o bicho que tenho em mim
Que não pára de pensar
Vai, dissolve-me o corpo no espaço
Inócuo, estridentemente mudo
Verdadeira e eterna ilusão, tudo
Logro mais fraco que um forte abraço
Isto não é arte nem poesia, não é nada !
É maresia, alquimia, a magia de um vulgar ser
Pois mais vale não ser do que apenas parecer
Visão molhada em pão e ovo, enfim, panada
Este poema é sobre o que não é
Sobre quem não tem pretensões a ser
Fala da força de querer aprender
E de quem se ri da inteligência até
É tudo uma pura ilusão
Algumas palavras, um papel, uma caneta na mão. . .
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Nasci em Lisboa, na freguesia da Penha de França, a 18 de Junho de 1979. Adoro poesia, aquariofilia, pintura e escultura.
Recentemente escrevi o meu primeiro livro de poesia, intitulado ''Inexperiências'', pela Corpos Editora / World Art Friends
Poesia para mim é um acto quase fisiológico, no sentido de que se torna quase uma necessidade escrever. Muitos poemas vêm em sonhos, pelo que tenho um bloco e caneta ao lado da cama. Talvez nem sejam meus...talvez sejam de todos nós e eu simplesmente os apanhe...
Recentemente escrevi o meu primeiro livro de poesia, intitulado ''Inexperiências'', pela Corpos Editora / World Art Friends
Poesia para mim é um acto quase fisiológico, no sentido de que se torna quase uma necessidade escrever. Muitos poemas vêm em sonhos, pelo que tenho um bloco e caneta ao lado da cama. Talvez nem sejam meus...talvez sejam de todos nós e eu simplesmente os apanhe...
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