Lista de Poemas
Sereno povo
O povo anda seremo, sereníssimo
Concentrado na ''vidinha'' e miudezas
Enquanto o Governo se afunda em incertezas
Confiante na predilecção do Altíssimo
Será espécie de cobardia afoita
Ou descrente valentia acanhada ?
Será talvez a consciência que pernoita
No ''valium'' relento de vida nada
É que nem a sabedoria nem a juventude
Acaba com esta inquietude:
O povo mais antigo já nem protesta
Limita-se a calar, comer e ouvir a orquestra
Recordando a antiga glória, hoje vã
E se precisássemos hoje de Abril
Era preciso leitinho, o Facebook e antifebril
Para não constipar os meninos da mamã
Acorda povo, acabou a sesta
Acorda a revolta que a entranha manifesta !
Acorda para poder existir um amanhã !
Concentrado na ''vidinha'' e miudezas
Enquanto o Governo se afunda em incertezas
Confiante na predilecção do Altíssimo
Será espécie de cobardia afoita
Ou descrente valentia acanhada ?
Será talvez a consciência que pernoita
No ''valium'' relento de vida nada
É que nem a sabedoria nem a juventude
Acaba com esta inquietude:
O povo mais antigo já nem protesta
Limita-se a calar, comer e ouvir a orquestra
Recordando a antiga glória, hoje vã
E se precisássemos hoje de Abril
Era preciso leitinho, o Facebook e antifebril
Para não constipar os meninos da mamã
Acorda povo, acabou a sesta
Acorda a revolta que a entranha manifesta !
Acorda para poder existir um amanhã !
👁️ 627
Arritmias
Meu coração tem uma arritmia acentuada
E nessa peculiar batida irregular
Toda a minha esperança fica prostrada
Diante da vontade de viver e continuar
Quando bate naquele ritmo certo
Vejo um futuro cómodo e garantido
Mas ao cessar o bombeamento repetido
Vem a excentricidade, aqui me liberto
Tal evento é um modo do meu coração
Por segundos chamar-me à razão
Dizer-me que estou vivo em contrapasso
Como tal, não vejo como um mal
Esta palpitação descontínua e anormal
Lembra-me apenas que o tempo é escasso.
E nessa peculiar batida irregular
Toda a minha esperança fica prostrada
Diante da vontade de viver e continuar
Quando bate naquele ritmo certo
Vejo um futuro cómodo e garantido
Mas ao cessar o bombeamento repetido
Vem a excentricidade, aqui me liberto
Tal evento é um modo do meu coração
Por segundos chamar-me à razão
Dizer-me que estou vivo em contrapasso
Como tal, não vejo como um mal
Esta palpitação descontínua e anormal
Lembra-me apenas que o tempo é escasso.
👁️ 662
( sem título )
Nesta folha branca
Minh'alma perde-se em vida
Branco lembra pura
Pura lembra pele
Branca pele pura
Lembra-me teu corpo que perdura
Na minha mente tão confundida
que até a forma do poema
lembra tua cintura
que até a forma do poema
lembra tua cintura
👁️ 644
Mar, vida que navego
Trago no peito um oceano de ondas quebradas
repleto de silvos feitos gaivotas embaciadas
por um céu-nevoeiro que se instalou no meu leito
As minhas mãos erguidas são como velas
Que se debatem frente ao vento, caravelas
Que avançam destemidas num mar desfeito
A mim já só me salva um novo mundo
Uma ténue brisa a roçar um céu fecundo
Uma terra de alvura oponente da clausura
Só paro quando vencer estas tormentas
Ó grande pélago apenas me acrescentas
com essa assaz voracidade mais bravura !
repleto de silvos feitos gaivotas embaciadas
por um céu-nevoeiro que se instalou no meu leito
As minhas mãos erguidas são como velas
Que se debatem frente ao vento, caravelas
Que avançam destemidas num mar desfeito
A mim já só me salva um novo mundo
Uma ténue brisa a roçar um céu fecundo
Uma terra de alvura oponente da clausura
Só paro quando vencer estas tormentas
Ó grande pélago apenas me acrescentas
com essa assaz voracidade mais bravura !
👁️ 591
Os tais
Já saltei muros, entrei em bairros
Um tanto ou quanto impenetráveis
Galguei caminhos, procurei atalhos
Nem por satélite observáveis
Troquei sonhos e afiadas filosofias
Vi com outros olhos, outros mundos
Com os mais nobres e fiéis vagabundos
Partilhei riquezas, espalhei alegrias
Comi merda que o diabo defecou
Gozei o beijo que Deus me enviou
Coisas que não sonham, se não sentiram
Tudo isto porque sou dos tais
Daqueles contra os quais
Os vossos pais vos preveniram. . .
Um tanto ou quanto impenetráveis
Galguei caminhos, procurei atalhos
Nem por satélite observáveis
Troquei sonhos e afiadas filosofias
Vi com outros olhos, outros mundos
Com os mais nobres e fiéis vagabundos
Partilhei riquezas, espalhei alegrias
Comi merda que o diabo defecou
Gozei o beijo que Deus me enviou
Coisas que não sonham, se não sentiram
Tudo isto porque sou dos tais
Daqueles contra os quais
Os vossos pais vos preveniram. . .
👁️ 638
Espécie anátema
O ambiente, infelizmente e incoerentemente
É assunto para cinco ricos e pouco mais
Até o oxigénio faltar lentamente
Nos pulmões dos humanos, animais
A floresta é diariamente cortada
A espécie hoje extinta, aponta outra ameaçada
Num desiquilíbrio perfeito e imoral
A nós mesmos fazemos mal
Ironia engraçada, charada fatal
Milhões de anos de evolução para nada
A Natureza lentamente morre
E a espécie anátema sem Ela
Extingue-se e Ela se voltar a ser bela
A suprema inversa ironia ocorre
Eu sou um homem também
Mas Deus está melhor sem mim, sem ninguém . . .
É assunto para cinco ricos e pouco mais
Até o oxigénio faltar lentamente
Nos pulmões dos humanos, animais
A floresta é diariamente cortada
A espécie hoje extinta, aponta outra ameaçada
Num desiquilíbrio perfeito e imoral
A nós mesmos fazemos mal
Ironia engraçada, charada fatal
Milhões de anos de evolução para nada
A Natureza lentamente morre
E a espécie anátema sem Ela
Extingue-se e Ela se voltar a ser bela
A suprema inversa ironia ocorre
Eu sou um homem também
Mas Deus está melhor sem mim, sem ninguém . . .
👁️ 555
Vermelho cor de amor
Percorro a tua noite cor de fogo
À distância um pôr-do-sol imaculado
E eu como um louco desvairado
Pergunto se o amor é mesmo um jogo
A minha jugular poética faz sentir
O sonho de ter-te, minha liberdade
E eu nesta eterna negra saudade
Funda caverna impossível de escapulir
Então a paz me alcança de repente
És tu, meu fogo, força que perdi
Minha acendalha de ódio decrescente
Vermelho é o amor que sinto por ti !
À distância um pôr-do-sol imaculado
E eu como um louco desvairado
Pergunto se o amor é mesmo um jogo
A minha jugular poética faz sentir
O sonho de ter-te, minha liberdade
E eu nesta eterna negra saudade
Funda caverna impossível de escapulir
Então a paz me alcança de repente
És tu, meu fogo, força que perdi
Minha acendalha de ódio decrescente
Vermelho é o amor que sinto por ti !
👁️ 684
Impacto
Conheci-te. Foi como o colossal ''Big-Bang'' de onde
surgiu tudo, asteróides, planetas, sóis e meu sangue, agora frio e mudo...
Num dos planetas eu vivia, era um mundo de paixão sincera, as árvores brotavam alegria e o solo ouro. Cada palmo, cada quimera, fruto de um Sol que eu merecia. Sol tão quente, que nem parecia ser gente...
Mas um dia um Asteróide caiu e o meu planeta acabou, bebeu toda a minha terra de um só trago, tão rápido que nem desfrutou. Não precisava ser um mago para fazer tão simples magia: abraçava o meu Sol com tal energia, que pelo meu mundo se espalhava, o calor assim o cobria e o asteróide não entrava, simplesmente derretia !
Asteróides viessem, asteróides caissem, esses que me endoidecem... Que o teu odor e minha dor não me vissem nesta esfera ressequida.
Podias ser o anzol e eu um peixe cegueta numa água perdida. Mas neste poema tu és o Sol, o meu amor o planeta, o asteróide é a vida...
surgiu tudo, asteróides, planetas, sóis e meu sangue, agora frio e mudo...
Num dos planetas eu vivia, era um mundo de paixão sincera, as árvores brotavam alegria e o solo ouro. Cada palmo, cada quimera, fruto de um Sol que eu merecia. Sol tão quente, que nem parecia ser gente...
Mas um dia um Asteróide caiu e o meu planeta acabou, bebeu toda a minha terra de um só trago, tão rápido que nem desfrutou. Não precisava ser um mago para fazer tão simples magia: abraçava o meu Sol com tal energia, que pelo meu mundo se espalhava, o calor assim o cobria e o asteróide não entrava, simplesmente derretia !
Asteróides viessem, asteróides caissem, esses que me endoidecem... Que o teu odor e minha dor não me vissem nesta esfera ressequida.
Podias ser o anzol e eu um peixe cegueta numa água perdida. Mas neste poema tu és o Sol, o meu amor o planeta, o asteróide é a vida...
👁️ 694
O início da mudança
Hoje sou um homem alucinado
Que procura desesperado
Um sentido, uma guarida
O tempo passa e minha mente
Diz-me que o passado está presente
E o futuro ausente de minha vida
Procuro angustiado um rumo
Um contra-peso, um fio-de-prumo
Uma porta aberta, o fumo branco
Um novo dilema ou então uma bala perdida.
Prefiro a antecipada despedida
Que perder meu sorriso e seu encanto !
Que procura desesperado
Um sentido, uma guarida
O tempo passa e minha mente
Diz-me que o passado está presente
E o futuro ausente de minha vida
Procuro angustiado um rumo
Um contra-peso, um fio-de-prumo
Uma porta aberta, o fumo branco
Um novo dilema ou então uma bala perdida.
Prefiro a antecipada despedida
Que perder meu sorriso e seu encanto !
👁️ 551
Tubo de ensaio
Perigosas almas supremas
Pairam no ar sobre nós
Troçam dos maiores teoremas
Silenciosamente, de olhar atroz
A Terra uma enorme incubadora
Experiência morosa, mas promissora
Testando a Humanidade de perto
A extinção dos grandes sáurios explicada
Foi a eficaz solução encontrada
Para a natureza seguir o rumo certo
Sei tudo isto porque sonho
Vi também um ser medonho
E nem Deus será capaz
De perdoar a tal satanás.
Pairam no ar sobre nós
Troçam dos maiores teoremas
Silenciosamente, de olhar atroz
A Terra uma enorme incubadora
Experiência morosa, mas promissora
Testando a Humanidade de perto
A extinção dos grandes sáurios explicada
Foi a eficaz solução encontrada
Para a natureza seguir o rumo certo
Sei tudo isto porque sonho
Vi também um ser medonho
E nem Deus será capaz
De perdoar a tal satanás.
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Nasci em Lisboa, na freguesia da Penha de França, a 18 de Junho de 1979. Adoro poesia, aquariofilia, pintura e escultura.
Recentemente escrevi o meu primeiro livro de poesia, intitulado ''Inexperiências'', pela Corpos Editora / World Art Friends
Poesia para mim é um acto quase fisiológico, no sentido de que se torna quase uma necessidade escrever. Muitos poemas vêm em sonhos, pelo que tenho um bloco e caneta ao lado da cama. Talvez nem sejam meus...talvez sejam de todos nós e eu simplesmente os apanhe...
Recentemente escrevi o meu primeiro livro de poesia, intitulado ''Inexperiências'', pela Corpos Editora / World Art Friends
Poesia para mim é um acto quase fisiológico, no sentido de que se torna quase uma necessidade escrever. Muitos poemas vêm em sonhos, pelo que tenho um bloco e caneta ao lado da cama. Talvez nem sejam meus...talvez sejam de todos nós e eu simplesmente os apanhe...
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