Lista de Poemas
Dégradé Noir - Blanche
Ontem pensei morrer
E levar comigo toda a amargura do pós-ternura
Levar todo meu corpo, parte da minha alma e deixar a loucura
Transpôr o outro lado do anoitecer
Ontem pensei morrer
e deixar este mundo belo e imperfeito
Dar o último suspiro com um estranho trejeito
Ontem pensei no definitivo adormecer
E porque ontem pensei morrer
Hoje acordei cravado de gana
Hoje meu espírito intensamente emana
uma enorme vontade de viver
E porque quem vive, morre
quem morre, viverá
E nada melhor me ocorre
para viver de novo, já !
E levar comigo toda a amargura do pós-ternura
Levar todo meu corpo, parte da minha alma e deixar a loucura
Transpôr o outro lado do anoitecer
Ontem pensei morrer
e deixar este mundo belo e imperfeito
Dar o último suspiro com um estranho trejeito
Ontem pensei no definitivo adormecer
E porque ontem pensei morrer
Hoje acordei cravado de gana
Hoje meu espírito intensamente emana
uma enorme vontade de viver
E porque quem vive, morre
quem morre, viverá
E nada melhor me ocorre
para viver de novo, já !
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Pó e azia
Se a poesia fosse virtude
Seria eu um virtuoso?
Dar-me-ião espasmos de vaidoso ?
Grunharia impropérios amiúde ?
Se a poesia fosse visco esbranquiçado
Ou um vomitado intelectual
Seria eu um asco verde, um anormal
Ou batoque a ponto-cruz costurado ?
A poesia não é, nem tem de ser
Estudo aprofundado de ciências
Ou remédio santo para carências
Nada que a palavra possa descrever
Poesia é simples pura energia
O ''eu'' espiritual mais profundo
A minha cerebral alquimia
É meu céu, minha terra, meu mundo !
Seria eu um virtuoso?
Dar-me-ião espasmos de vaidoso ?
Grunharia impropérios amiúde ?
Se a poesia fosse visco esbranquiçado
Ou um vomitado intelectual
Seria eu um asco verde, um anormal
Ou batoque a ponto-cruz costurado ?
A poesia não é, nem tem de ser
Estudo aprofundado de ciências
Ou remédio santo para carências
Nada que a palavra possa descrever
Poesia é simples pura energia
O ''eu'' espiritual mais profundo
A minha cerebral alquimia
É meu céu, minha terra, meu mundo !
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A gana e a ânsia
Um homem tinha um lápis sem bico
Um lápis novo, mas ainda abstinente
Inteligentemente afiou-o com afinco
E ao terminar tinha um útil lápis pungente
Porém, antes de começar a sua arte
Olhou para a extremidade oposta, mais à frente
E pensou ter um acto coerente:
Afiá-la para ter afiada a outra parte
Afiou e tornou a afiar, sempre a mesma história:
Os bicos partiam-se sucessivamente
Incrédulo mas insistente continuou
Até que ficou só com a memória
do lápis anteriormente existente . . .
Um lápis novo, mas ainda abstinente
Inteligentemente afiou-o com afinco
E ao terminar tinha um útil lápis pungente
Porém, antes de começar a sua arte
Olhou para a extremidade oposta, mais à frente
E pensou ter um acto coerente:
Afiá-la para ter afiada a outra parte
Afiou e tornou a afiar, sempre a mesma história:
Os bicos partiam-se sucessivamente
Incrédulo mas insistente continuou
Até que ficou só com a memória
do lápis anteriormente existente . . .
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Apenas eu
Dizia-me Ela antes que eu era seu Deus
Ela agora diz-me que já não é crente
Deixei eu de ser gente por esse corpo quente
Neste mundo cão repleto de ateus
Dizia-me Ela antes que comigo voou alto
Ela agora diz-me que já não sou actor
Mas um mero delator, que não voo, apenas salto
Agora diz que sou fogo sem asas, sem fulgor
Disse-me ela há pouco que já não há paixão
Nesse segundo saltei de longe
E já falta pouco para ver o chão.
Ela agora diz-me que já não é crente
Deixei eu de ser gente por esse corpo quente
Neste mundo cão repleto de ateus
Dizia-me Ela antes que comigo voou alto
Ela agora diz-me que já não sou actor
Mas um mero delator, que não voo, apenas salto
Agora diz que sou fogo sem asas, sem fulgor
Disse-me ela há pouco que já não há paixão
Nesse segundo saltei de longe
E já falta pouco para ver o chão.
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Amor cerebral
Meu cérebro pertence-te, é teu
Ele oferece-te exclusividade
É assim desde o dia que absorveu
Tuas feromonas, pura amorosidade
A minha área tegmentar ventral
Idolatra teu corpo com avidez
E com sofreguidão animal
Anseia pelo teu corpo outra vez
Até que a área do núcleo caudado
Banha-me a futura expectativa
Terá a forca corda esquiva ?
Espera-me o enlace por ela esperado ?
O amor mata, o amor cura
E esse teu olhar de felina
Atira-me do premontório dopamina
Mergulho incessante de loucura !
Ele oferece-te exclusividade
É assim desde o dia que absorveu
Tuas feromonas, pura amorosidade
A minha área tegmentar ventral
Idolatra teu corpo com avidez
E com sofreguidão animal
Anseia pelo teu corpo outra vez
Até que a área do núcleo caudado
Banha-me a futura expectativa
Terá a forca corda esquiva ?
Espera-me o enlace por ela esperado ?
O amor mata, o amor cura
E esse teu olhar de felina
Atira-me do premontório dopamina
Mergulho incessante de loucura !
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Deus Natura
Deus é o mar que cria a chuva
E é a chuva que na terra cai
Suave solo molhado, água turva
Fonte por onde Deus sai
Há um ente que acredito :
A nossa Mãe Natureza
Essa eu tenho a certeza
Que tem um poder bendito
O próprio poder da vida
O ser que em mim se formou
Não uma força escondida
Aparte de quem eu sou
A Natureza é bela e antiga
Criada por um Deus de ninguém
Não remedeia o pecado e a mentira
Pois é apenas flor e a cor que o céu tem
O Homem o ambiente destrói, não percebe
Que Deus não faz, pede favores
Idolatrem os rios, o Sol e a neve !
Tirem dos jarros todas as flores !
Deus não tem face, tem faces
Nem tem cheiro, tem cheiros. . .
E é a chuva que na terra cai
Suave solo molhado, água turva
Fonte por onde Deus sai
Há um ente que acredito :
A nossa Mãe Natureza
Essa eu tenho a certeza
Que tem um poder bendito
O próprio poder da vida
O ser que em mim se formou
Não uma força escondida
Aparte de quem eu sou
A Natureza é bela e antiga
Criada por um Deus de ninguém
Não remedeia o pecado e a mentira
Pois é apenas flor e a cor que o céu tem
O Homem o ambiente destrói, não percebe
Que Deus não faz, pede favores
Idolatrem os rios, o Sol e a neve !
Tirem dos jarros todas as flores !
Deus não tem face, tem faces
Nem tem cheiro, tem cheiros. . .
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Nasci em Lisboa, na freguesia da Penha de França, a 18 de Junho de 1979. Adoro poesia, aquariofilia, pintura e escultura.
Recentemente escrevi o meu primeiro livro de poesia, intitulado ''Inexperiências'', pela Corpos Editora / World Art Friends
Poesia para mim é um acto quase fisiológico, no sentido de que se torna quase uma necessidade escrever. Muitos poemas vêm em sonhos, pelo que tenho um bloco e caneta ao lado da cama. Talvez nem sejam meus...talvez sejam de todos nós e eu simplesmente os apanhe...
Recentemente escrevi o meu primeiro livro de poesia, intitulado ''Inexperiências'', pela Corpos Editora / World Art Friends
Poesia para mim é um acto quase fisiológico, no sentido de que se torna quase uma necessidade escrever. Muitos poemas vêm em sonhos, pelo que tenho um bloco e caneta ao lado da cama. Talvez nem sejam meus...talvez sejam de todos nós e eu simplesmente os apanhe...
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