Escritas

Lista de Poemas

Cena de uma Solidão


Saio de casa só... Em casa chego só. Em seguida abro a porta, e o cachorro que me vem lamber as mãos é a solidão! Em seguida, sento-me na poltrona da subjetividade e olho me, como quem vive em momentos duma fotografia ainda não revelada, mas já passada, com saudade e também com muita curiosidade, como foi num mundo que eu nunca estive e, como tenho verdadeiras lembranças das coisas que só conheci no querer.
Depois disso, atravesso um corredor com muitos quadros - de molduras vazias -, na parede, como quem atravessa o mundo e não sabe que nele houve humanidade! E deito-me na minha cama de solteiro. Mas de repente cansado do silêncio e também de não ter somo, levanto-me e caminho até varanda.
De lá, então, contemplo o céu estrelado por uma estrela só e respiro fundo, como quem procura abraçar a alma com apropria mão! E Dela abro um pagina a sorte na qual leio tudo isso.
Novamente, mas agora em direção a sala em busca de papal para, percorro aquele corredor! Aquelas fotos ainda têm as mesmas molduras, porém agora a tristeza que as rege é deferente. Chego à sala e procuro o papel... Acho-o. Agora falto só escrever. Faço-o então! Por fim me sinto bem, no meu próprio mal estar por saber que fora de meu quarto o mundo é no plural e a ele o meu cotidiano nada acrescenta ou tira.
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Teima

No varal de qualquer tema é que me prego
Escrevo em tema livre e em versos burros
Escoro-me vento para ir em busca das palavras
e encontro na 'anulidade' , inspirações para os meu...
- porque não poemas?!
E não convido nem um Drumonnd ou quem que seja a assistir televisão neste espelho!
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Saudade que queima tãomente em mim!




" Como anjos molestados por demônios", gestos, ações e cenas  de "tudo o que poderia ter sido e que não foi" morrem na escuridão do meu peito falho e paralítico! 

Tantos e aos montos e por tantos que sinto cinzas bandeirianas queimarem em mim também,


A fúria dos espações vazios quando quiseram nutrirem-se de matéria e tempo e não poderam,
As  explosões das distâncias que gritam proximidades pelos menores passos  que não acontecera,


A dor da saudade do que quer que fosse  quando vai caindo, alto e fundo, sobre os corações pobres  ou frios


 E um louco e milagroso desejo de explodir-me em  luz! e cair, fiozinho de nada, como uma pena ,  na mão do Amor e dar-me a que quem quer que seja!


Quero GRITAR FORA! do meu peito "tudo o que não foi"
"!' destroçar e surdar de abraços gritados todas as distâncias que ainda mortas  moram em mim e separam-me,

Balançar a corda da vida até quebrar as columas do tempo e pousar nele tempormente esse " o que poderia ter sido"!

Ah... até quando essas cinzas queimarão bandeirianamente mim, meu Deus!
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Declaração

Quando olhei, lá estava o belo Corpo dentro dum caixão! Não foi-me dado conhecer a vida dele e os diversos ramos dela. Sobre o mesmo, sei é que era lindo e que era um Belo Corpo, um Belo Corpo num caixão! Mas de tão lindo que convidada à morte, o Corpo no caixão que parecei Narciso olhando-se naquele fatal rio. Estava circunstancialmente – isso é “faca me escavacando” – morto, no entanto, parecia que a morte o enfeitava de vida e distância, uma  desconhecida vida que por sua beleza faz também com que queiramos revivê-lo.

Olhei-o mais de perto: ele cheirava a luz! E, como em um sonho, quis, mas não consegui tocá-lo porque, com o aproximar das minhas mãos, ele, meiga e respoeitosamente, se desfazia em pó de luz-brilhante. Mas de um pó tão esplêndido que mais parecia reflexão de vida. Então, já que estava perto dele, desejei conhecê-lo. Desejei entrar dentro da morte, e com a força da minha espada tomá-lo dela. Isso desejei tão forte, tão forte que o Corpo, o Belo Corpo no caixão, se fez de uma clara luz brilhante e calma.

 “Por que foi-me dado conhecê-lo nesse estado?”, pensei lembrando dele! Mas logo emendei o pensamento: Para espada minha, “deixar o pensar na cabeça”, porque você só quer revivê-lo e sujá-lo, o Corpo é um Belo Corpo, mas estar dentro de um caixão, sua fúria não é mais forte que isso. Ela é, pelo contrári, fraca e má, de consumidor querendo promoção – Chora e “estala”, espada  de “vidro pintada”, conclui!

Perdi o rumo! Já não estava diante de um Belo Corpo, circunstancialmente, num caixão! Estava num um verdadeiro labirinto, e só uma coisa me guiava: o som de um violão e a certeza que eu precisava tocá-lo, danadamente tocá-lo. No entanto, foi-me mais difícil concebê-lo assim do que aceitar a impossibilidade de invadi-lo. Certo disso, lágrimas puras e duvidosas caíram dentro de mim: Desejoso, eu chorei! E o Corpo caia cada vez mais fundo e alto dentro de mim.

"Você não morre, Belo Corpo dentro do caixão, porque levo-lhe no esquecimento, como aquela menina do poema”, gretei à noite olhando para a vida!  Mas o Corpo, o Belo Corpo dentro do caixão, o Corpo que parecia um anjo em oração, que como um instrumento musical continuava a tocar e que eu precisava tocá-lo, danadamente, se refazia em distância luzente e eu, com a força do gerúndio, aí matando-o –  porque era preciso!

 – Porque um Belo Corpo dentro de um caixão, meus Deus!  Por que não em vida, como uma árvore na qual  eu poderia subir e colher-lhes os frutos ou como um presente a tanto tempo  sonhado e que  tanto mereço, e que eu pudesse abri-lo em casa, sem medo e sem culpa e como fome e com sede, meu Deus, por quê? Mas, na " selva selvagem" em que me vira subir na árvore errada, apos isso  " esta a reta minha via perdida"!

Para não sucumbir ao desejo, pois, avistei-me dele o quanto pude. Melhor que isso: fugir dele – a fuga mais triste e precisa de todo a minha vida porque na consciência da potência do ato de fugir, eu vi que espada já não era e nunca fora preciso nesta batalha. Não obstante, à distância que me coloquei, pois tive medo de ser tragado por ele, ainda sentia seu calor fervente, seu branco cheiro de vida que convida a viver, imensamente!

–  Por que, meus Deus! ó Corpo, vir-te num caixão e tão vestido de vida! Por que não pude conhecer teus movimentos e perguntar teu já conhecido nome e ouvir tua já conhecida e aclamadora voz e assistir minha vida inteira em teus olhos de de dúvida e resposta! Desta vez sentindo amor eu chorei e pude, então, voltar para perto dele.

Aqueles olhos fechados, aquela silenciosa boca ceivada e viva, davam àquele rosto de leva luz nas trevas um aspecto de Anjo em oração. Ao revê-lo, o que mais desejei foi um gesto de vida! E já sem espadas nas mãos nem nada, eu só queria conhecê-lo, vê-lo brilhar e viver, imensamente, vê-lo brilhar e viver. Sentindo dor eu também chorei.

A maior dor não é vê-lo nestas circunstâncias, é o vê assim ser preciso e saber que, como dito, circunstancialmente ele estar morto e que eu o matei, que é preciso continuar matando-o. A verdadeira dor  é vê-lo cair dentro de mim cada vez mais fundo e cada vez mais alto, de modo que eu nunca posso alcança-lo, é fechar meus olhos para carregá-lo comigo sem que eu o veja e  olhar para ele e saber que não pode haver dor alguma que fosse.

Dor essa, essa dor sem nome e sem dor, é dor de noite esquecida dentro do segundo que não veio, de “pétala de estrela caindo bem devagar”,  de “gole de água bebido no escuro”,  de poema molhado e de gota de luz presa no fundo do abismo, brilhando e queimando e morrendo e revivendo até apagar a escuridão! Mas  como é preciso senti-la! Eu quero dormir essa dor e sonhar com o Vida, quero lembrar à Vida  e esquecer a dor, o corpo  e o caixão! Peço-lhe, Corpo sem dor e belo, que me leve, que me leve em algum lugar, por mais fútil que seja!

Porém, O corpo não estava morto nem nada. Era uma linda Vida viva e que existe e estava diante de mim!  Esse e a verdade.Outra verdade é que as estralas brilham no infinito desconhecido do espaço e que um coração sensível como o meu não poderia resistir – eu a amei orgulhosa e erradamente! Sim! Um Amor Cacheado, Puro que é Criança. 
–  Quem me dera o amanhã em teus Braços, Sentimento Cacheado e longe de mim!  O resto foi uma "fotografia" de Itabira que eu compus  dentro de mim. Apenas "uma fotografia", meu Deus, “mas como dói”!
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Tanta água estragada, um oceano suspenso no ar
Agora, como beber esta vida
E fervo-me em gotas de fogo e seco e choro e grito montanhas d'água, sou todo pó
O espelho do quarto a molhar-me de vida, mas mergulho nele e quebro-a
Logo, cacos inundam o céu. Tudo emundado, é hora de comer o tempo e vomitar a vida que Molhada por “peixe é lágrima”, chora, aurora da minha vida, nascida num Buraco Negro
Que eu não tive nem paz nem trevas, nada
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Descontinuando o tempo, inutilizando vida

Eu sempre espero qualquer coisa da vida. Tal intento é útil, mas o problema é que sou perfeitamente inútil. Todas as coisas são, para qualquer um — Eu é que nada sou! Que veio comigo, deleitada na alma, essa designação.

Antes fora um sublime e triste, descartava as dores que tinha para ser maior do que eu (fora  um Cezar naquela necessidade !); hoje sou um triste sublime, a doença cresceu por dentro e abduziu-me; sofro de um sofrimento opaco, de uma tristeza neutra que  dói com uma ferida curada.

Ainda não me encontrei, estou perdido na vida! Escrevo para que um dia me recorde que, mesmo sem boca, gritei. Fora isso, sigo descontinuando o tempo e inutilizando vida! 

                                              

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Meia-noite

No silencio do meu quarto

peça a Deus pra eu chorar

tanta dor, estou casando

só chorando pra curar


Foi-se o brilho em meus olhos

não há luz pra seguir

tanto tempo aqui calado

se vivi já me esqueci



Eu conheço o seu cansaço

dor maior eu já venci

estou contigo nesse quarto

tenha fé

não lhe esqueci


Ouça a voz dos seus joelhos

o altar estar ali

basta abrir seu peito inteiro

sou clamor eu vim ouvir


Filho sente ao meu lado

novas vestis tenho aqui

daquela dor já foi curado

não se esqueças mais de mim


Sou sou Deus, o seu refugio

Sou princípio,meio e fim

toda paz há ao a meu lado

Se humilhe vim-de a mim


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Tédio abafado


A falta de sentir o que não houve é tão vazia, como o saber que tudo que se quis não passou de não passar de nada, tão apática quando a ausência da falta de sentir falta de coisa alguma que fosse! Em momentos assim, a alma cai sobre a vida, como se fosse um doce de uma criança ao chão e que a realidade em seguida pisasse nele!

Dói saber que saio para a vida sem realmente sair, mas que parado fico onde estou esperando que a vida que não tenho me tenha;

A angústia deixou de ser luxo físico da alma, para coisas físicas do mundo, como ao os livros que eu insisto em comprar sabendo que em nunca os lerei; e que só os vejo na estante e os sinto, não como livros, mas sim como angústia!

O tédio abafado da vida que sabe que morre a cada dia, cai sobre mim como se fosse o calor do dia já abafado, então tiro a camisa, como se tirasse todas as pétalas da flor do meu existe, mas de frio volto atrás como os suicidas que teve medo da morte;

Mas olho para uma flor morta ao chão, sobe o calor do abafado dia, e sei que nem ela ou o dia se deram um pelo o outro. Depois me vejo me sigo e me penso...
- que a beleza da vida não tem nada como o meu triste existir!
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POESIA COMUNICÁVEL


Escrevo a minha poesia incomunicável como quem bebe água ou faz moralmente qualquer coisa; e não há repórteres e nem livro ou editoras esperando por ela. - e se recorro as palavras é porque não sei desenhar e também tocar instrumento algum - é possível construir a arte dos sentimentos em qualquer nota - ainda não é a mão quem a escreve: é o coração. E ele fecha a porta para o mundo e se entrega a mão, como a mãe entrega o peito ao filho quando esse nasce e chora e tem fome - por isso é que Ela também chora! Os olhas acham tudo muito simples. Por outro lado o coração, cansado como um vencedor da são silvestre, respira também mais aliviado por ter despejado um pouco de sua angustia no papel.
O que não tenho invento, pois, justamente assim sou sincero no que quero e sinto. Aliás, sentir para mim, às vezes, está relacionado ao ver. Porque geralmente sinto o que não tenho e o que perdi e que por isso só posso ver! Por isso escrevo em tema livre, porém meu coração está sempre atendo ao que há em seu redor e sofrendo grave influencias. Ao escrever sempre fujo do tema, mas nunca fujo realmente porque ele é só um! Porén,quando isso acontece é porque simplesmente viajo em atmosferas diferentes e apenas me dou outra chance - tesouros agridoces ainda são tesouros!Sempre escrevo quando não tenho nada o que fazer. Porque realmente nunca faço o quero e sou uma vida fingida. (Não sei e nem quero tomar raiva de ninguém, por isso aprendi a me perdoar!)
- Sou qualquer um que passa pela vida... Mas sou, talvez, o único que finja isso!

O tempo passa como as pinceladas de um pintor. E a tristeza que por causa disso tudo me abate e derrama do galão de tinta e mancha a tela toda de cinza... Minha vida não é mais do que uma pintura em tela vazia! É essa moldura oca que me sobrou anda ferozmente, louca, e para em qualquer paisagem. Mas nada é real e, quando é real não é meu! Mesmo assim estou pregado à parede e me olho com um desprezo muito alegria e ate mesmo com carinho.
Por esse enredo e nessa pintura, porque é meu perdão e a lagrima que não ousa a cair, escrevo! E essa poesia incomunicável é o caminho dourado em plena treva que eu percorro e é também a minha liberdade secreta! Nem sei se a faço por acaso, mas sim, com certeza sim! Por refugio. E assim me sinto bem, sou o vencedor que nunca serei - sou feliz!
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Mar de lágrimas



Uma onda de tristeza se levantou do mar de mentirias que é minha vida,
E não pode haver surfistas para surfá-las porque não há pessoas e sonhos e também porque é tudo de mentira! Só o mar de lágrimas, que já fez de mar esse meu pequeno rio chamado coração, que é verdadeiro
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Comentários (2)

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danilo
danilo
2018-12-16

Obrigado

2017-05-29

Gostei de passar por aqui e conhecer um pouco do seu trabalho. Hoje tem tanta gente boa escrevendo por aí que é quase impossível dar conta de tudo!