Cena de uma Solidão
Danilo de Jesus
Saio de casa só... Em casa chego só. Em seguida abro a porta, e o cachorro que me vem lamber as mãos é a solidão! Em seguida, sento-me na poltrona da subjetividade e olho me, como quem vive em momentos duma fotografia ainda não revelada, mas já passada, com saudade e também com muita curiosidade, como foi num mundo que eu nunca estive e, como tenho verdadeiras lembranças das coisas que só conheci no querer.
Depois disso, atravesso um corredor com muitos quadros - de molduras vazias -, na parede, como quem atravessa o mundo e não sabe que nele houve humanidade! E deito-me na minha cama de solteiro. Mas de repente cansado do silêncio e também de não ter somo, levanto-me e caminho até varanda.
De lá, então, contemplo o céu estrelado por uma estrela só e respiro fundo, como quem procura abraçar a alma com apropria mão! E Dela abro um pagina a sorte na qual leio tudo isso.
Novamente, mas agora em direção a sala em busca de papal para, percorro aquele corredor! Aquelas fotos ainda têm as mesmas molduras, porém agora a tristeza que as rege é deferente. Chego à sala e procuro o papel... Acho-o. Agora falto só escrever. Faço-o então! Por fim me sinto bem, no meu próprio mal estar por saber que fora de meu quarto o mundo é no plural e a ele o meu cotidiano nada acrescenta ou tira.
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