Lista de Poemas

Não sei se é tédio

Por isso,
Vou aqui cheirando de longe os versos que ainda não vêem;
Vou indo sem saber o que fazer com esta emoção que galopa e canta no peito e na mão;
Vou perdendo este momento de vida porque não posso decodificá-los ou fotografá-los em versos;
Vou deixando de deixar raízes e frutos e sei que este inverno pode ser longo de mais;
Tanto coisa sinto agora, mas da alma não vem notícia de nada!

Não sei se é tédio ou um intervalo maior de preguiça, mas que louca saudade do carinho de seus braços, poesia!
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Só no Largo Mundo

O telefone que não tenho não quer toca ;e mesmo se o tivesse
seria provável que também nem tocaria. Nenhuma menagem, do que quer seja, no e-mail - imagine cartas -, mas também elas, essas
não chegaram e tão pouco chegarão . Na rua onde moro, nenhum ascenso de mão(cabeça ou até de desprezo) novo, ate mesmo o ultimo já nem me lembro mais quando foi. Apesar disso tudo, todos os dia carregaria meu telefone e colocaria créditos; acesso diariamente o correio virtual e a caixa de correios real e fico alguns instantes enfrente a porta de casa - Em vão tudo isso! Embora já esperava isso, ate mesmo de ente mão.

Luz no meu quarto apagada, cabeça no travesseiro duro: ''estou só no largo mundo.'' Essa frase não é minha, não obstante,quisera eu ter a ''inventado'' hoje pela premeria vez.

A rua onde moro é larga e muito clara e passam muitas pessoas e passam muitos carros também. Ainda que ( misteriosamente) a luz e as muitas pessoas quem passam e também os muitos carros que nela passam, não passem de fronte a minha casa; e o asfalto acabou a alguns metros antes dela. alem disso, minha casa fica na entrada de uma viela e o fundo do meu quintal dá em um beco sem saída. Mas há vida na minha vida e ela não está aprisionada e tenho boa saúde e acredito no amor. Não sou dinâmico e nem digital, mas sou analógico e também carinhoso. Não frequento o extremo de certas coisas ou atitudes, embora não seja conta a elas, mas penso que é melhor ser neutro do que ter pavio curto, além do que acredito que o meio terno leve sempre ao melhor caminho. Não sou vulgar, porém sou fácil, por outro lado, nunca 'catei papel na ventania', mas também espero sempre por alguém. Tenho pena do mundo, das pessoas e também de mim e tenho medo do escuro. Ainda mais a noite e quando sempre estou só - alias, nunca deixo a luz do meu quarto apagada. A luz que nele se apaga , sobre tudo, é a de gente: brilho nos olhos, abraço apertado, toalhas molhas pelo o chão, pergunta e resposta: um ser frente ao outro!

Estou só no largo mundo e ao mesmo tempo acompanhado - a solidão é culpa minha ... Estou lúcido e alheio a isso tudo: a mim, do que quis e fiz, do quis, mas não fiz e do que poderia ter sido no conjunto da obra.
Sou triste porque ainda não me liberei por completo e também porque o chão aqui é muito duro e nem mesmo o sol aquece aquele certo frio; e feliz porque estou vivo e sobrevivo, a cada dia, a própria tragédia que sou!
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Barulhinho na vida

Nunca assistir a tristeza que tenho como um sofredor - e sim! Como um telespectador. Ate mesmo as cenas tristes, que compondo como um diretor, sempre depois do banho ou em qualquer tarde de domingo, só as interpreto porque viver-las é uma válvula de escape!
Hoje a noite um casal brigou perto de mim: lançaram alianças um no outro - eu ainda escutei o barulhinho cintilante e triste de uma das alianças... Depois disso o homem entrou no carro e cantou pneu e foi embora - só eu observei a fumaça do carburador e a dos pneus se juntarem e tocaram o asfalto molhado pelo sereno ou talvez ate pela as lágrimas da moça. A propósito dela eu nem direito o que aconteceu... - deve ter se misturado com o restante da fumaça malquerida daquela hora e subido também para o espaço.
Assistir essa cena que passou um pouco ainda dentro de mim e o restante fora, com eles e fiquei durante uns cinco a dez minutos na rua ainda. Em seguida entrei em casa e também dentro de mim... Ouvi cinco vezes A Great Day For Freedom, não só pela letra, mas ainda mais pela melodia - E é isso que importa para mim em musicas em inglês. E fiquei pensando enquanto escutava...- que aquela aliança que fez um barulhinho cintilante e triste sou eu caindo na vida.
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Jesus


E me amou me perdoou morreu por mim
Está sentado á direita do pai...
... E me chamou me abençoou me enviou
Estou prostrado em seu altar

E é assim Cuida de mim
Amor maior não há
Será sempre assim não terá fim
Minha morada é me amar
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Dói viver

Saber que não sou aquela placa daquela esquina... - como eu a invejo por isso! Saber que essa placa dessa rua chama mais atenção do que eu. Porque sem ela lá os pedestres passariam direto para a outra margem da rua, mas com a placa ali eles tem de parar. Eu se a rua faltar que mal me darão e se lá estiver também mal me perceberão, e olha que eu ainda estou no topo das espécies!

Saber que uma simples garrafa pet permanecerá no mundo mais que eu - Como não fazem sentido as coisas que fazem sentido!

Saber que a minha vida é um placa de vidro com sentidos, enquanto o diamante e mais resistente e durável e valioso que ela; e olha que eu ainda vivo e sinto, - eu penso! - pudesse eu não pensar e nem senti, mas durar! Mas o que me consola é saber que sou parte dessa grande massa que é tudo ser, e também assim como o dia morre igualmente morrerei - mesmo assim às vezes dói viver - por que é difícil aceitar que assim seja? Trabalhar duro, ser pobre, sofrer...!Tudo isso seria tão diferente sem a morte?!
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Perdão


   Carrego na pena a desgraça de nem ser o menor  poeta amador que possa existir. Porque os menores são pelo menos alguma coisa e eu por nem não ser o menor é que sou nada;
Carrego na alma a desgraça dos que sonham e nunca alcançam – e desgraçadamente nunca me canso não; Carrego, às vezes, o silêncio dos mortos – dos meus desejos mortos – e no caixão que sou só as minhas lágrima, secas com ossos milenares, sacodem, porque o resto todo não passou de matéria do pensar.
   Existo em meio à negação de não existir realmente, porque tamanha desgraça que há em minha Historia que quase, quase... – ela quase me anula, mas não anulou! Deram-me? A desgraça como o fôlego para a vida e como  pele no corpo. Mas hoje...  – hoje eu peso perdão! Perdão – oh, vida!
   O meu deserto foi completamente todo asfalto pele a desgraça; ate no dicionário que pego só encontro a palavra – desgraça! Mas sem significado porque esse só encontro quando me olho ao espelho.

Quero me perder para já mais não me achar;
Quero me dizer para me calar e não mais escutar a minha voz;
Quero já afogar as cinzas que sou na lama do que ainda serei;
Quero lançar-me sobre uma tampa e fechar o inútil túmulo do meu ser quer existe inutilmente;
Queria e querido e querendo e quero e quererei, como uma carga de não, cair sobre o que restar de depois de eu nunca ter existido, e esmagar! 

   Ah!  Se eu fosse profeta, profetizaria que essa mascara que me usa a eu usa lá também cairá... E de dentro dela eu cairei e me gravarei como pegadas ao chão – doce corpo onde a vida me pôs.
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Entrevista com o Poeta

Escrevo por perfeita intimidade ou por simples vontade de escrever, mas entre estas entre linhas há uma misteriosa voz a me chamar.
Também busco prazer como quem busca prazer no sexo e, tenho inspirações como quem tem orgasmos precoces e multiplico_ Às vezes ouço mil vozes sussurrar ao ouvido em plana a sala vazia...

A todo o momento sinto necessidade de estar com uma folha de papel em mãos para dar vida os pensamentos que vêm visitar-me_ Esses tão Impossíveis que caminham sobre a água, e se existissem não teriam o menor sentido realiza-los ou imagina-los. Mas a extrema vontade costura a doçura de tê-los esmagando as impossibilidades.... Imaginem ai:
Um homem com a delicadeza das flores, pureza das crianças; com força do amor e a calma do tempo, guiado pela constância e amor a vida, trazendo o balsamo Perdido pela a humanidade e para suas catástrofes.
_Pois é! Existe esse homem, ta lá no meu modo...
E onde fica esse mundo,
Fica pra lá das barreiras da imaginação, entre as fronteiras do ser e precisar existir. E tão fácil construí-lo: levo-o na ponta da caneta, ergo-o em qualquer folha de papel em branco.

Perguntaram-me o que possuo vivendo de imaginação..., e de novo respondo que a imaginação e a realidade estão de mãos dadas formando um ponho de aço que tese verdades surreais por vontade de existir.

...Eu sei que em mim, e alem de mim, há um pensamento, um desejo, que eu como autor ou interprete ainda não criei ou interpretei. Sinto que há um verso a fazer, uma musica a compor, um livro a escrever, uma dor a sentir, algo a perder ou conquistar, um gesto qualquer que possam expressar essa cobrança insaciável que grita em mim.
Corre, incansavelmente, na minha alma um rio que busca ensinar-me o caminho para o mar. lá estarão os versos que farei, as letras por compor, estarão também às dores e alegrias que alargaram o meu coração...

Existe uma lágrima por rolar, capaz de inundar todo o meu ser; um grito, talvez, por todos os que se calou ,que vêm me abraçar quando todo é silencio, duvida e solidão. Talvez seja porque a angustia acaricie minhas dores, e as lágrimas lavem minha alma, fazendo me escrever e, consequentemente, arrancar de dentro de mim todas as lágrimas e gritos ocultos.

...Nunca a dor alheia foi motivo para alegria ou de orgulho, jamais a inveja foi mais longe do que a admiração, orgulho e carinho, que tenho pelos os que Vencem. Sempre participei do choro dos derrotados, e dos gritos dos desesperados_ como uma válvula de escape.
Sempre doei meu coração a ouvir lamentos suspensos no ar, a sentir percas que nunca foram minhas. Por isso os meus pés conhecem caminhos que eu nunca passei, e que meus olhos jamais Viram. Há feridas em meu corpo de batalhas que nunca participei, há grudado em minha alma toda a subjectividade dos que sonham e nunca realizam, e a sempre mais espaço para todo.
..._Um dia pararei séculos e séculos só para escrever, só pra conversar com a minha" poesia".... Mas agora não, agora há vida...! Tenho trabalhos a fazer, deveres a cumprir... Mais agora não_ Agora paro no tempo... E já não sinto falta de nada. Estou na minha melhor companhia...

...Quem me dera escrevendo, um dia, curar os doentes, alcançar os desesperados e oferecer ao menos um minuto de paz, reviver os mortos revigorar os vivos, ser mágico, divino. No entanto basto-me escrevendo a mim mesmo, e se o pudesse não me bastaria..

...Passarias horas escrevendo aqui que se multiplicaria em vidas, mas já é tarde, há muita realidade pra sonhar, pouco tempo pra dormir e pouca realidade pra acordar_ E a muito sei que estou a sós nessa sala!
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Trágico


  Eu não merecia dos anos que pedi a esmo e em caos,  mesmo com a esperança e o balsamo ao lado, viver se quer um segundo assim e nem  este Poema; eu não merecia tamanha cruz porque  não sou Cristo  e nem padecer de tanta dor porque minha chagas não curam pecados! Eu não merecia ter um jardim na palma da mão, mas nem um beija-flor para visitá-lo e nem que a chuva molhasse e secasse e matasse, gota a gota, cada  fruto meu!
  Meu coração não merecia  estar  tão infinitamente vastíssimo  e vazio porque eu não  sou   o universo e nem que cada ferida dele brilhasse  como as  estrelas no céu; eu não merecia – do amor que tenho – ter tido apenas o nome da amada e que  seus olhos cegasse a  minha visão, nem ascender todos as velas da vida e vê-las apagando sem que ela me visse morrer no escuro !
  Eu! esse leprosário para todas ao doenças, esse deposito de bactérias  que se quer tenho uma Historia, mas já tenho um fim escrito, Eu não merecia ser o meio de um início que não vi acontecer e nem ser o perpetuo escreva deste fim trágico que não, não  chega nunca e 
nunca  ao fim!
Por isso, Eu merecia uma casinha no campo onde a cidade passasse na linha do trem e fosse logo embora e me deixasse nos Braços do meu  Amor, entre a rede e a montanha e o por do sol... – embrulhado em seus cabelos...!

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Calçaram as meias em Gilberto Gil

Calçaram as meias em Gilberto Gil, mas o cardiologista se quer percebeu meu coração! Disse que ele estava perdido em meio algo e que comigo ou no lugar não estava! - Isso foi a x anos - E não estava mesmo lugar! Meu coração estava em minhas mãos segurando o adeus que um dia me deram.

Hoje não sei mais onde estar... - talvez estivesse mesmo certo o homem dos corações!
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Não matei o Rato


Talvez ele seja completo por ser rato,
E Por si bastar como rato.
E eu talvez não seja nada por ser homem,
E achar que sou completo;
Por pensar que sou melhor que um rato
Se ambos partimos do mesmo fiapo de sentido,
E da infinita complexidade de se uma criatura!...

Aqueles olhos piedosos que não falam, mas falaram as palavras mais doces:
- não... Por favor... A idéia de superioridade é uma mal de raiz!...

Qual ser que encurralado não atacaria?
Quais olhos que em face de tamanha maldade
Não amaldiçoaria também seu mal feitor?
Mas perdoaram como a vida perdoa a morte na ressurreição eterna,
Como a frase perdoa o ponto final que a gramática coloca em sua vida!
E o seu perdão me faz também Perdoar, a tempo,
A mão que já lançava sobre sua vida a atitude fatal...
- Não matei o rato.
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Comentários (2)

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danilo
2018-12-16

Obrigado

2017-05-29

Gostei de passar por aqui e conhecer um pouco do seu trabalho. Hoje tem tanta gente boa escrevendo por aí que é quase impossível dar conta de tudo!