Lista de Poemas

A semente em ti ainda dormente

Nesse sonho secreto

Semente que se sente

Nesse pensamento

Ainda sendo ausente

 

Mergulhada na terra molhada

Esperando em cada alvorada

Assim se ouvir esse toque

Eco suave que evoque

 

Essa chamada por dentro

Essa chama

palpitando em segredo

 

Esse embrulho quedo e ledo

Que é em ti ainda desconhecido

Em tudo o que tens vivido

 

E a sêmea dessa casca grossa

Algo que parece qual prosa

Em lírica sendo enlevada

 

Nos véus do tempo levada

Embevecida

pela madrugada orvalhada

 

Palpitando qual estrela

que cintilava

Nessa noite aveludada

 

Na que jazia adormecida

nesse instante qual abraço

no que a vida e o espaço

parecem se deixar levar

 

nesse sonho que refaço

ao te voltar a evocar
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Quando nos encontramos

Quando nos encontramos

Nessa noite estreita

Quando o que somos

Não se rende nem se deita

Permanece nessa luz velada

à espreita

De encontrar

 

esse algo que se aceita

nova forma de se olhar

 

nesse mundo

tão coerente

tudo o que se esvai

por dentro da gente

ao se deixar levar

 

E se se chegar a achegar

Tudo se irá transformar

 

Nesse peito um sentimento

Neste mundo uma nova forma

De ser

De estar

De conseguir encontrar

O tempo

O lugar

Para se ficar atento

Ao que em nós lateja por dentro

A esse lume a nos bem iluminar

A esse tempo luzidio ao achegar

 

O ser que de si se distanciava

O mundo que se afastava

O tempo que não chegava

o lugar que se não encontrava

 

Tudo entre teus braços

Nesse abraço colossal

Tudo nesse olhar

Ao me ver assim

sem igual

Tudo nessas mãos

A se deixar levar

Na mão de quem

assim

Estiver a par

E nessa presença

singela

Que acende o mundo

Dá luz à treva

E desde o mais profundo

Assim se encanta e nos eleva
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Anunciar o ser Criança

Quando tanto amas

Que proclamas

Na tua mais viva voz

 

Essa que nasce e cresce

Vaga que não se desvanece

Que nos abala e embala e afaga

Que é calor de vida entre nós…

 

Assim nos abraça e nos leva a couraça

Para a peito aberto chegar a declamar

 

Essa melodia esquecida

Essa palavra de vida

Nessa tela rasgada

realidade mais amada

 

E se ver a imagem real

Que era assim levada

No pensamento imaginada

 

Essa sensação que comove

Esse frenesim que nos move

 

A ir mais longe

Mais profundo

Mais alto que este mundo

 

E trazer desse lugar infinito

O mais estranho grito

De vida a berrar sendo nascida

 

Nessa humanidade investida

Nessa graça que se passa

Quando a cegueira

É bem vista

E nesse primeiro olhar

Entre o cego e o ser a amar

De repente ao se encontrar

 

Assim o ser recém-chegado

Com o que acolhe o ser amado

 

E nessa ponte no tempo

Que dá à vida o presente

Fulgente e sentido

Sentimento de ser nascido

 

Assim no peito varado e vivido

À espera de se lançar

Nessas águas do amplo mar
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Sonhos quais estrelas cadentes

Se folego restasse

Para dar esse passe

De algo mais sentido

Mais profundo e vivido

 

Assim qual luar

a roçar folhas ao de leve

A deixar os ramos dançar

Nesse encanto tão breve

 

Suave toque de verdade

Entre esse ser de cidade

 

olhando horizontes iluminados

Quando os campos estrelados

Lá no cimo dos céus bordados

 

Seguem a clamar que nos amam

E em estrelas fugazes se apagam

 

Para podermos chegar a desejar

 

Esse sonho jamais concretizado

Nesse lugar jamais encontrado

Assim ainda em prosa levado

Sendo o verso em ti plantado

 

Esperando a primavera de vida

Para chegar a germinar

Nesse tempo de saudade

Dessa tua mais íntima verdade

Dessa coragem ao se voltar a avançar

Por onde não havia caminho marcado

E alcançar esse algo mais bem amado
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Ideal a Abraçar

Nessa alegria esquecida

 

De se viver

De se aproveitar a vida

Essa que nos convida

a crescer

a dar

No sentimento

que levamos dentro

Instilar sentido ao momento

Dar tempo para se apreciar

 

Esse sol a nascer

Esse ocaso a viver

Esse momento

a se transcender

 

Levado pelas asas do sonho

Claro o pensamento

Intenso sentido sentimento

 

E na gente tão humana

Ser qual algo que se lava

Com ademão constante

Co subtil ciência e arte

Com esse carinho encarnado

Que deixa o ser embelezado

Pronto para se deixar brilhar

 

Esse sentido que não engana

quando o calor da madrugada

Se faz areola orlada

À volta desse algo

a nos trespassar

 

Pontes subtis se estendem

Gentes de outros lugares

se entendem

 

E nesse sorriso

de se chegar a anuir

Nesse algo mais profundo

a se compartilhar

Nesse elevar braços

para abraçar

 

Como assim

elevar o olhar

Para ver brilhar

 

Todas as estrelas do firmamento

Tudo o que levamos dentro

Nesse momento a cintilar

 

E nesse preciso instante

Sabemos que chegamos

Sabemos que encontramos

Aquilo que ainda chamamos

de lar

 

Esse tempo e lugar

Esse par de braços

a acolher e abraçar 
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Nessa sala partilhada, na alegria e na tristeza pintada

Nesse alegre tristeza

De se estar a partilhar

A mesma mesa

 

Onde se apoiam os sonhos

Onde se deixam – risonhos

 

na que deixámos

O que cremos e amamos

Assim sem mais…

 

Apenas nos levantando

Desses mais finos vitrais

 

Por onde a luz translucida progride

E o que se leva por dentro

mais intenso se vive

 

E quando assim se ilumina

E a inspiração em nós se aviva

A estância na que se vivia

Assim nas sombras a vogar

 

Parece largar amarras

E nos levar a bem amar
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Entre as águas

Esse ribeirinho manso

Que se ergue por acaso

de quando em quando

 

ser essa lágrima salgada

que descai

gota de chuva deixada

chorada

água da mesma água

 

sal do mesmo sal

 

ser semelhante e intenso

algo mais íntimo e coeso

 

parecido

qual algo

normal

 

E ser suavidade

dessa folha

que se baloiça

 

Desse floco de neve

Que repousa

 

Na mão de uma criança

Nesse algo de esperança

 

Que se faz orvalho

Transparecido

 

Pela luz do ser renascido

 

Ao se ver assim qual pingente

Entre o corpo a alma e a mente

 

No coração qual licor destilado

Esse algo que nos tem inspirado
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Luz no Estio

Nesse lugar onde abraço

Os sonhos, ideais 

e o cansaço





De pregar às sombras

nas que me desfaço

De instilar alento

ao lume baço

 

Nessa cristal bafejado

Pelo tempo mais amado

 

Nesse sentido sentimento

tudo o que se leva dentro

 

Nessa flor aveludada…

Suave frágil perfumada

 

Que quando tocada

Pela imaginação mais fértil

Se abre ou se perde

Entre luzes e melodias

Fantasia de alvorada

 

Qual barca ancorada

Entre as marés

Esperando

 a tua chegada

Para ser desamarrada

E vogar entre o que és

 

E nesse sentido mais amplo

Nesse algo mais vazio

Escrever de novo o teu canto

Plantando a tua luz no estio…
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Procurar o Poema

se nesse recanto apertado

escolhido para ser sonhado

em vigílias tão abertas

às ideias e emoções

e essas coisas certas

 

para se entretecer

devagar

esse lampejo

mais além da emoção

ou desejo

 

e saber arrivar

ai onde os sonhos

que por dentro vejo

se possam chegar a mostrar

 

e nessa litania disfarçada

nessa melodia enjeitada

que se vai alinhando

nessa dança

entre o que sou

o que sinto

o que amo tanto

 

aparece qual prece

que se despedia

essa nova alegria

festival de magia

que se faz ao dar de si

trazer ao de cima

desde o mais profundo do ser

 

passando portas de querer

crer

e saber

 

atravessando veredas cheias dessa razão

que impele linhas retas

espaços quadrados e faz pensar o coração

 

até se encontrar

nesse cenário decorado

onde as peças desse ser diário

são de novo encenadas

 

e as mais simples obras

recatadas

dão de si o que não se via

essa luz que permeia

todo e qualquer recanto da vida

 

e nessa via que se percorre

para trazer

o que por dentro se descobre

e entregar

essa força que impele

assim quem a segue

a se deixar levar

 

mergulhar no vazio

passar entre o ermo e o frio

e encontrar essa flor de estio

de maravilha pura e cristal

 

dessa transparente consciência

mais além do dizer da ciência

pétalas com aromas de encantar

 

suavidade que nos toca

e nos eleva

ali aonde mora quem vela

pelo ser de arte a procurar

 

mais um remanso de sentimento

mais um segundo no tempo

que se estende sem se contar

 

mais uma face que sorria

para tudo o que se trazia

assim desses recantos secretos

para dar ao teu olhar

 

quem assim vê e beija

todas as madrugadas

quando já se repousa

nessas letras entrelaçadas

 

assim tendo sido trazidas

desde onde a luz se estremecia

as sombras se esvaiam

e o amor embelezava

 

essas as íntimas veredas

por onde se caminhava

para trazer a luz do dia

esplendor da nova madrugada
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Estrada de Harmonia

nesse terno aroma

 

entre espuma e mar

 

esse lume na água

que ainda faz brotar

 

areolas de fantasia

melodias de encantar

 

névoa em pleno dia

nevoeiro na noite fria

calor para nos amar…

 

e chegar assim a vogar

nesse mar de sentimento

nesse sentido vivo

que levamos dentro

 

nesse algo mais além do alento

que se aquece e nos enaltece

apenas ao se querer entregar…

 

uma palavra de si despida

nessa estranha despedida

ao ver o tema do poema

assim a se deixar apagar

 

sendo qual um soneto,

ora num alegre canto

nesse deixar-se levar,

por amar e crer tanto

nessa pura humanidade

nesse algo de verdade

nessa luz de sentimento

que dá vida e alegria ao momento

nessa mais bela estrada

que se caminha na alvorada

nessa luz fugidia

que acende a noite até ser dia
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