Lista de Poemas
Recadinho de mim
Um recadinho pra quem me lê
ou depara com esses pensamentos soltos
que no Face eu vou botando
- na rima:
Eu cá escrevendo à toa
brincando com sérios versos
considere por provérbio, que
o que escrevo é inacabado.
Tudo está por revisar
caso nisso haja pretexto.
Porque escrever é nada mais, por hora
que minha escolha de solidão.
Como fazer bolo, por roupas pra secar
lavar banheiro e arear panelas...
Ou mesmo o gato por pra mijar
(eu, que nem gato tenho).
E que é contudo
melhor que pinga com limão
pelo menos pra mim
filho de um novo fevereiro.
Seja o que tiver que ser
estar, estou
vida irreversível
por se revisar e reconsiderar
sem que em momento algum
seja isso possível
Retrocesso vitral
e cá dentro de nós se presta a trabalhar;
quantas vezes é entanto fadiga apenas - pranto
o crepitar da chama de um bico de gás
que acaba antes de feijão pronto estar?
Ter o que conversar consigo temos todos
embora não nos concedamos ocasião
quando de ouvir internas contraindicações
calamos possível condenação ao céu da boca.
Que íntimo labor custa alpendre e precipício
sobre os quais debruçar e por à prosa vertigem,
alpiste a espalhar aos passarinhos à espreita
que de vegetação humana espera frutos granjear.
Sou acometido de toda sorte de bichos, é verdade
e possibilidade de grilagem faz-se sempre
se me sucedem enchentes à paisagem interior.
Itinerante, a vida surge de repente
em espaçadas tentativas de aproximação sútil
desfere-me uma bofetada à cara
que me acorda de anos inteiros sem dormir.
Dormindo, posso contemplar-me o infinito
ter conversa com o Deus que me permito
exista ou não este eu superior.
Cerro as persianas da vidraça
minha vista embaça a alma
enxergo-me senão desforra.
Veleidades postas à parte
fica do mundo então saudades
dos dias tantas vezes de mim banido.
Eu, este livro de recusa e comunhão
faz-se de assombro e luz
abertas portas ao hospício.
E que desmente insana realidade
seduz e ama a mais disparatada
contraparte, despojada de serviço.
É sapatada essa vida cotidiana
que nos levanta ao deitar-se em nossa cama
recolhendo-se para se cobrir de nosso sonhos
e desesperos, com chute nos traseiros
obrigando-nos a empreitada.
E sempre madrugada, de um maio mês
e noiva - essa hora faceira, cuja aliança
nos cobra , diz que nos ama, e desarma.
Vim ter-lhe com a família, desposar
a sua gente e dela fazer minha consorte
felizmente antes me deteve a enfermidade
a tempo de conhecer-lhe vaidade insã
de astúcia e melindres, ressentimentos.
Nunca me quisera por companheiro
eu que de mim propus casamento
perante um altar que guardei na memória.
Pois daqui vou-me embora
eu que nasci para ser de fevereiro
a aleluia de todo Judas de sorte barata.
Vou-me e será para a glória
de quem se retira dessa terra
e se recolhe em paranoias.
Parto contente e agradecido
os revezes de amigo de muita gente
poucas sérias.
Serão férias para meu ano derradeiro
o primeiro de um terço
que houvera esquecido
e ao relento despertou-me.
Vou com Deus
tarde, é certeza
vou por toda a vida
ser de mim minha comida
café sobremesa.
Diamantes, palavras e cascalhos
pergunta à beira do riacho,
lavadeira de tacho na cabaça,
muitas as roupas,
e pouco o sabão nas mãos.
Pergunta que me desata
às palavras desditas, o incerto nó
empregado, quando imprevista é a hora
e certeira a dúvida do vocábulo só.
Eu, que das palavras desejo ser
lavrador, temo a dó
e arada terra semear com deserta
flor - sob gorjeio de rouxinóis
- e que é saudade,
uma caduca, já murcha flor em botão.
Palavras requisitam quarar,
decifrar-lhe sentidos ocultos
de corações vagabundos
que o mundo guarda para si.
São pequenas palavras apenas,
entre as quais se esconde
mudo e grande sentimento
que a felicidade se pôs a extorquir.
Essa arte e pormenor, pensamentos
dispersos e cisma com os quais
canções se criam, bordadeiras
tecem confissões
compõe-se de instantes fúlgidos,
os quais, de manhã, vidraça de janela
embaçam
quando tudo é ainda sonho
fantasia idem
com outrora rua do Ouvidor,
que é a mesma e não mais existe.
De hiatos é feita a empreitada
cujo destino de mim se esqueceu,
qual pena indistinta imposta aos lábios
por beijos que não serão meus.
Segue trabalhadeira a sua rotina
e traz as águas dos rios ao ofício cotidiano.
E a resposta para sua pergunta calou-me, sabe;
e não se sabe por onde ou quantos anos.
Suspensas considerações
quanto ao não me haver dado
de antemão ou solução
vida feita cadeado.
Predicado,
descoberta rota
não mais que interpretação,
- de viver
não aprendo é nada.
Janeiro é todo mês
surpresa e prova
de nota nunca igual.
E a namorar Severina
que me deixei à estação
onde trem passa, também
prosa
rima qual converso,
ateu
flores muitas de açucena
Rosas, que recolhi
ao léu.
Sigo adiante brejo
adentro, beijo príncipes
sem cetro e coroa
recupero fôlego
limão
que me adoça a boca.
Tenho frágil a nuca
ao abraço desta vida inteira
e nua
que pelos meus
arrepia, ais ruas afora ecoa.
Encruzilhada
deserto de faróis sirenes
todos nós alarde
a plenos pulmões, silêncio.
Vago entre becos
e percorro ecos meus
palavras que a mente em vão
guarda para si.
Estou diante do espelho
meu reflexo é senão o mundo
inteiro, essa parte
que ignoro, desejo ruim.
Suo e acordo
e meu frio é de calor e sede
esse medo das gentes
que sentimento é só.
Viro-me, e do outro lado
parede treme
de pé enrolada ao cobertor,
um retrato de Narciso
copo sem líquido sentido
quando tem comigo
e se embriaga.
Ficamos assim às risadas
banido o pudor
embaçadas as vidraças.
Nós que, senão manhãs
sempre noites passadas.
Sou eu essa via erma
ao mesmo tempo tumultuada
que nunca o meio fio beija
bueiro ou calçada.
Sem demora
se faz presente - e eu não duvido
que na fé, o prometido
cumpre-se.
Esquisito rogo,
sou meu sogro e não nego.
Casamenteiro é o santo no prego
cujas alianças em meu seio
são desassogeo e mansidão.
Eu que não componho versos
apenas sonho, venho e vou.
Acordo ao dormir
o meu avô, o tintureiro,
pois que outro, o verdadeiro
ainda vive de curar ressaca.
Toca à banda
quando ciranda faz dança
cruz às almas, os braços...
São mascates,
e de passagem, relapsos
porteiros são.
Temos todos a mesma sina
tardar quando se faz manhã
deste lado, abaixo e acima
os pés pelas mãos.
Vendo-me
à sete palmos de relevo
e a paz que nos concedemos
é pá de cal e medo.
Não peço flores
condecorações promessas
meu coração tem pressa
amplidão, a alma.
Desespera as gentes
a nau vaga, espraia à terceira
margem, acalmam-se.
Aos sais com panelas
quiabos, cozinha de santo
morto é fogo dado.
Quiseram-me concreto
fiz-me abstrato,
estou-me a por vendas
e não há preço, de tão barato.
País cadê?
diz e quer se ouvir
o que de mim você tateia
e que em braile à teia arma.
Somos labirinto adentro
e de nós a fuga escapa
inútil revolver as portas.
Ainda morta, língua
é quem nos maltrata.
Poema surdo-mudo
desdenha-me os segredos
e à espreita escuta em relevo
sentimentos Guimarães.
Diadorim Dora
Caymmi, ilusões.
Íntima tempestade
minha alma em taça sorve
bebe de si sertões
onde houvera pão com céu.
Sou Canudos
e pedra no caminho do meio
onde quando meu cordel.
Conosco todos ao beleléu
terra por derradeiro beijo
toca-me os lábios rijos.
É o Brasil um inventário
de ocasos, a procissão.
Às margens do rio Preto
sou de Tejo corsário pagão
de volta sobre os tamancos.
É o Brasil sudário
de um morto a viver de espanto
Calabar Romeu.
Eu, que não sou daqui
e tranquei-me a porta
chaves decomponho estigmas,
cantigas.
Sou livro aberto
de Luiza, carinhos
que Pixinguinha pede ler.
Sou felicidade
que me tem por companheira
e água bota ao feijão.
Sou sete de setembro
outras vezes, não.
Um dessa gente por se descobrir
Disney, quando Paris.
Eu que não sou nada
e que o que sou é por você
conceder-me do que sobrou
o pouco do viver.
Dessa gente boa
talvez a água de beber.
Triste é querer estar sozinho
e o mundo querer ter com você.
Mudo sentido e prosa
De razão bêbado e trôpego
recobro o juízo ao menos - minto
é a verdade o oposto de um domingo
onde alma se pinta de queda, ideais.
Ambíguo sol ilumina e cega
o abrigo, que de feras, toca
flauta música e hipnose
aquece e queima febre terçã.
Sempre amanhã em alma toda
cada segundo de passado surdo
que me escuta e sonha presente.
Parente, que de ancestral, é ponta
um iceberg de faz de conta
vara e cordão de irmão madrinha
véspera de Questão Coimbrã.
Põe-se mão à cabeça de telhado
e calha abaixo o suspiro terra freme,
zune chaminé diamante costume
e novo evoé o penar escreve.
Somos todos Salomé
quando alma alguma se atreve
questionar a Santa Sé.
Alma pois, almas, novas as mesmas
novenas se põe trabalhador
e pouco é dor que de si trata.
Barata a mão de obra
de autor fama conquista
será entanto nova a terra
que sambista sente e toca.
Eu hoje à luta vou
que muita roupa à linguagem se deu;
entanto a pena do corpo é morta
embora vivo o santo do ateu.
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