Lista de Poemas
Total de poemas: 48
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As nuvens de agosto
Lambi a nuvem
pendida
fofa inocente no céu
Quem diria
nada doce
nenhum gostinho
de mel:
Nuvens pairam no horizonte
como espumas do passado
quem provou da sua fonte
sabe o que é sabor salgado
O meu amor
me dizia
Nuvem é qual
algodão doce...
Bem desconfiei que não fosse!
Que era branquinha
é de sal
Pois a nuvem, sim senhor
nuvem é feita de vapor
não de mar, de rio, de lago
mas de lágrimas de dor:
...chuva chora
lava o rosto
cai ao chão
e se evapora...
E lá se vai todo desgosto
flutuando céu afora
formar as nuvens de agosto
com nossos prantos de agora
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As nuvens de agosto
Lambi a nuvem
pendida
fofa inocente no céu
quem diria
nada doce
nenhum gostinho
de mel:
Nuvens pairam no horizonte
qual espumas do passado
quem provou de sua fonte
sabe o que é sabor salgado
O meu amor
me dizia
Nuvem é como
algodão doce...
Bem desconfiei que não fosse!
Que era branquinha
é de sal
Pois a nuvem, sim senhor
nuvem é feita de vapor
não de mar, de rio, de lago
mas de lágrimas de dor:
...chuva chora
lava o rosto
cai ao chão
e se evapora...
E lá se vai todo desgosto
flutuando céu afora
formar as nuvens de agosto
com nossos prantos de agora
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Fantasia de uma noite de verão
Eu hoje, às vezes, me pergunto como era:
Um pesadelo, algum boato ou se existia
Nos dias antes do brotar da primavera,
Só solidão, longo fastio, tarde sombria?
O sol chegou já revogando o que houvera
Com um gesto quente acalentou a noite fria
Lambeu da terra sua geada mais severa
E a fecundou com mil sementes de alegria
E hoje há dálias, há alecrins e há violetas
A brisa morna é a terna mão que acaricia
Nesse jardim canta um coral de borboletas:
A dor da noite converteu-se em ardor do dia!
Eu beijo cores, toco cheiros, bebo flores
E que me lembre sempre foi essa harmonia:
A noite avança em serenata de cantores
E o dia escorre em galopante sinfonia
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Aizinhos
Ah, meu amigo,
minhas dores
são sem sal
Não sabem o nome
da rosa
nem colhem as flores
do mal
São dorzinhas
pequeninhas,
imaginárias
reais,
sobem descem
pela espinha
queimando febres
locais
Essas dores,
meu amigo,
tem caráter
intestinal
não enxergam
além do umbigo
nem acusam
o mal social
Bem quisera
as minhas dores
fossem mágoas
mais morais
que abraçassem
o mundo inteiro
me irmanassem
aos marginais
Ou quem dera
a dor, amigo,
não fosse
apenas carnal
e esta mera
dor de ouvido
me elevasse
ao celestial
Me dói tanto,
caro amigo,
doer dores
tão banais
essas penas
chinfrinzinhas
puramente
corporais
Tantas vezes
fantasio
sofrer moléstia
abissal
ou tormento
tão pungente
que me turve
a luz da mente
e me ascenda
ao surreal!
Chega o dia,
mano velho,
que algum achaque
fatal
(talvez desgosto
mais sério)
me traga a cura
afinal
soprando o pó
do mistério
dessa indolência
animal
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São Flores de Sangue & Osso
Flores brotam de mim
as flores de sangue e osso
Nem sempre,
às vezes só de sangue
às vezes só de osso
As flores de osso
eu sirvo aos cachorros
ou fervo sopas
que ofereço a convidados
As flores de sangue
essas seco com papel
e as escondo
entre as folhas de um livro
aquele com o título:
Dos Perigos ao Regar Flores de Sangue & Osso
(ou as uso para escrever
cartas a Deus, mas isso
não conta, isso é segredo)
Já a flor de osso e sangue
essa vendo, essa doo, essa exponho no meu vaso
Flores brotam de mim
não só quando me corto
mas também
quando entro num cinema
ou viajo com o ônibus Nº 7
catando de canto a canto
meus cachos pela cidade
Não suporto mais
flor no pé
flor na mão
flores no rosto e pescoço
(e a cara dos passageiros
fingindo desinteresse
como se fosse a coisa mais
natural desse mundo
um homem brotar flores de sangue e osso
dentro de um ônibus)
Vão dizer
a culpa é minha:
És que te adubas demais!
👁️ 26
Rilkean heart
Eu, o que mais gosto
é de coraçãozinho assado
Dizem que Rilke comia
só coração cru
Eu não, só como assado
Talvez eu não seja
um bom gourmet
Talvez eu deva aprender
a comer coração cru
(mas é que adoro a farofa!)
Rilke que me perdoe
mas sou velho demais
pra comer coração cru
Minha mãe sempre dizia:
Coração descompassado
só se aquieta no grelhado
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Programa dos dias livres
Eu te aguardo para os sábados
Eu te aguardo nos domingos
Sempre te espero em feriados:
Tu virás no dia 1º de maio?
Ou passarás só no 7 de setembro?
Que seja em 2 de novembro!!
Em dias vagos te aguardo
(E se vem, quando vem, bem me tem?)
Pareces o papai Noel!
És meu coelhinho da Páscoa?
Rasga o teu Corpo a Paixão?
Mas não nasces no Natal,
não ressuscitas ao Domingo,
nem sequer morres na Sexta!
Te aguardo pro Ano-novo.
Te espero no Tiradentes.
Nos vemos na Aparecida.
Venha pular o Carnaval!
(Mas não vem, nunca vem, mal me tem?)
Ontem foi meu aniversário
Tomei dos vinhos mais caros
para alegrar tua chegada
Acabou que me esqueci
qual dos anos eu contava
e acordei rouco e enrugado
Ah, se eu soubesse, neném,
o dia exato da morte
certeza te aguardaria
confiante na minha sorte!
(Certo vem, sem porém, mais além...)
👁️ 69
Fui pro ar perdi o lugar
Não gosto de me expandir
sempre que me retorno
está faltando um pedaço:
vai ficando dia a dia
largo o rasgo, grande o espaço
onde não cabe mais nada
que se ajeitar no escasso
E, no entanto, não encontro
das proporções, a devida
que costure em leves traços
os retalhos de uma vida,
quem conserte o estilhaço
e que me lamba a ferida,
quem me contorne um abraço
e me devolva à medida
Tudo aquilo que não toco
vaga pra sempre perdido
como um desejo moído
pela pedra do cansaço
👁️ 16
Ato falho
Intrigante,
o que a cabeça faz em mim
mal eu ponho em ti meu olho
só me vem: tu, querubim!
Poderia ser o Orfeu
algum deus, Hermes, Cupido
grega estátua de um museu
talvez o Apolo esculpido
Mas me vem: tu, querubim!
Mero conceito rimado
cujo tom, significado
eu bem sei:
Te
quero
em
mim
👁️ 22
Amor degradável
Nosso amor
tem um cheiro de comida
bem gostosa, bem cozida
temperada com primor
Só que há meses esquecida
no fundo da geladeira:
azedou, gerou bolor
Ninguém mais nega
que só serve
para fartar
a barriga da lixeira
Ou serviria
um banquete
para os germes
invisíveis
que pululam
aos milhões
as terras
de algum jardim?
👁️ 13
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