Lista de Poemas
Porque te deixei voar...
AMAR tem que ser livre, incondicional. AMAR é abrir mão qdo vc vê que o sorriso no rosto do outro não existe mais. Dói! Ninguém disse que seria fácil. Mas isso é a coisa mais honesta que vc pode fazer pro outro e por vc. E a vida? A vida te convida para voltar para o grande baile de probabilidades, numa enorme dança de surpresas...
2024
Ahhh o amor!
Difícil, né? Bauman, no início dos anos 2000, foi visionário quando escreveu "Amor Líquido", expondo toda a fragilidade, velocidade e inconsistência das relações interpessoais na pós-modernidade e o aumento de solitários e depressivos dos novos tempos. Sou uma dessas que prefere viver distante desse emaranhado frívolo de amores rasos. O Simples e o Belo (dois dos bens mais preciosos em todas as formas de existência) simplesmente acabaram! A amizade, a confiança, a lealdade, a empatia, o respeito com o outro e a intimidade, elementos fundamentais para um amor verdadeiro, sumiram com o surgimento dos cardápios cheios de filtros de aplicativos, com o sexo narcisista e com a super exposição pessoal em nome da contabilidade superficial de parceiros ("tenho mais, logo sou vencedor e portanto existo!"- taí um raciocínio que mataria Descartes de desgosto). Pessoas se esquecem que a grande base é a amizade nua e crua. É ela que possibilita lugares para que a intimidade nasça. A intimidade, por sua vez, precisa de confiança (saber que o outro nunca vai te magoar é um ponto primordial para amar). A confiança é construída no dia a dia, entre gestos e reciprocidade e exige uma grande soma de responsabilidade com os sentimentos do outro e empatia. Mas vivemos com um novo "mal do século", não é? Ingênuos como eu sempre serão descartados e condenados a morrer sozinhos...
*mesmo assim, ainda acredito no amor (só que não é qualquer um que vai experimentar isso comigo, não)
apenas uma reflexão
2024
Sou!
Enquanto a noite não dorme, o papel devora minhas angústias...
Gosto de mergulhar
Profundamente
nas pessoas
Sou intensa
Sou febril
Sou leal
Sou o que sou
Não gosto de jogos
Não faço rodeios
Não sigo regras
Não minto
Não tenho amarras
O tédio
o mesmo
o raso
o fraco
não cabem na minha vida
Sou um pouquinho de doçura
Mas não sou pra qualquer um
Minhas asas já quebraram
E, meu amor,
Você tem minha marca
Cravada na alma
Minha intensidade feminina
Transbordou em você
Não adianta correr
Existo na sua essência
2024
Tempestade
E a tempestade se aproxima,
linda, bela e caótica.
Lave minha alma,
limpe minha mente,
purifique meus sentimentos.
Que eu possa viver
em sintonia
com o infinito,
numa dança de equilíbrio
e sanidade
2024
Dia (gnostico) - vivendo eternamente no limite da minha sanidade
Sabe o que é complicado
nesse conto de fadas?
É sentir-se perdida,
sozinha,
vazia,
com milhares de rostos,
sem identidade,
lutando pela vida
todo dia
ser resultado
de todo o mal
que te fizeram com todo o amor...
Ser intensa,
transbordar
num carrossel de emoções,
ser as quatro estações
em apenas um dia:
amar e odiar,
viver e morrer,
ser e desaparecer,
ser sol e lua
ser tudo e ninguém...
montinhos de eu
embaralhados
e perdidos
num gigante labirinto...
Como consertar o que é quebrado?
Sou muitas em uma
Sou nada em muitos
Caquinhos
2024
Uma pequenina história de amor
Era uma vez
papai e mamãe
Um casal excêntrico
Que paravam as horas quando passavam
E quebravam todas as regras sociais
A desordem, para eles,
Era a pura ordem
Amavam viver e se completar:
Viajavam, brigavam, dançavam, passeavam, conversavam, se amavam
Conjugavam todos os verbos, sempre juntos
De mãos dadas
Confidentes de todos os segredos
Tinham um ao outro com tanto afeto e ternura
Que eram as pessoas mais ricas desse mundo
Um dia mamãe passou mal
Parou de comer, sentiu enjoo, sono
Dores estranhas nas entranhas
E, enquanto o temporal varria as ruas
Mamãe correu ao hospital
Foi ali, entre trovões e solidão
Que souberam que eu era real
Papai, mesmo tão distante,
Amadureceu
Aprendeu verdadeiramente o que era amar
E mamãe me disse
"filho, calma, não se apavore,
de você eu vou cuidar.
Papai precisa se conhecer,
Pra voltar pro nosso ninho
E por nós ele realmente olhar, proteger e lutar
E eu dormi com minha mamãe
Noites e noites de descobertas
Tanta meiguice, tanta suavidade
Tanto carinho e proteção
Mamãe me chamou Bento
O querido que ficou no coração
Papai não teve tempo pra me ver
Mas eu sei que me amou
Eu voltei pro meu mundinho
Amando meus genitores
Papai, cuide da mamãe
Mamãe, cuide do papai
Tanto amor não pode ser desperdiçado
A vida passa tão rápido
E vou esperar vocês
Voltarem para casa
De mãos dadas
E me pegarem no colo
Sou o Bento
Abençoado
2024
Ressignificar o amor
A vida é uma eterna (re)descoberta, não? Ultimamente todas as minhas convicções e valores têm mudado drasticamente. É como se a cada dia novas e novas facetas surgissem - e isso é maravilhoso! É como se, de repente, o certo e o errado não fizessem mais sentido. Sinto que as coisas saíram da ordem e voltaram a se encaixar, formando uma figura apaixonantemente distante de todas as amarras sociais. Estou viciada na paz e no amor. Entendi que não quero mais ser sozinha. Quero a sorte de poder ter as poucas e grandes pessoas importantes (e que amo muito) sempre ao meu redor. Ressignificar o amor é uma arte! (Ouvi isso hj)
Acho que nunca estive num grau tão alto e genuíno da capacidade de amor. Nunca me senti tão verdadeira comigo mesma e com as pessoas ao meu redor. Isso é paz!
2024
Sobre mim
Meu corpo, minhas dores, minhas lágrimas, minhas feridas e minha história. Sorrir é uma arte profissional, algumas vezes (aconteça o que for, não deixe seu sorriso). Nunca ouse me julgar. Aos bons de coração: caminhem ao meu lado
2024
Maria-vai-com-as-outras
Hoje estou alegre
nada que me desintegre
desse sentimento
grande emolumento
rendimento
de novidades,
nada de mais,
apenas banalidades
Vou ler o jornal
no ar fresco,
matinal,
assim fico culta
e oculta
na minha rubefação
por insatisfação
de não ser um ser
Traga-me um copo de ódio,
para diluir minhas frustrações,
e o pãozinho fresco
com notícias de infrações,
sou feliz com tanto horror
Facebook de sua dor
Sinto-me empoderada ao te julgar:
ao dizer "queimem demônios!"
tenho poder para gozar
Já fiz isso tantas vezes
que não sei como ou se quero parar
Sou juíza da sociedade
com um instrumento nas mãos,
tenho redes sociais
provoco o Juizo Final,
afinal,
sou dona da "opinião"
da imensa e pura razão
Não preciso de ciência,
nem da consciência
de saber o que já sei
Sou Rei!
afinal,
não é questão de vaidade
é simples o motivo:
sou a dona da verdade!
Maiorias sempre ganham
porque sempre têm razão!
Maria vai, Maria vem
Maria lidera ninguém!
Maria copia
o que acredita
ser genuíno
ser seu
mas Maria
não passa de uma melodia
desafinada, falida
uma réplica desvalida
num palco midiático
uma ilusão
para si
para todos
para ninguém
Uma fraude!
2020
VAMOS FALAR SOBRE FEMINISMO?
Muitas pessoas distorcem o significado deste conceito: “é mimimi”, “mulheres deixaram de ser femininas e perderam lugar na sociedade (como uma dama, eu digo)”, “feminista é uma mulher-macho que não tem higiene, não se cuida, é feia e fedida”. Juro que ouvi cada uma dessas afirmações, mas o que mais incomoda é ver mulheres (de bem, é claro!) defenderem essa postura selvagem, ignorante e misógina: “meninas vestem rosa, meninos vestem azul!”
Desconstruindo conceitos, explico pacientemente para todos os machões de plantão: vocês sabem o que é Feminismo?
Feminismo vem sendo um movimento que ocorre em fases, e estas fases se articulam. Ele possui etapas, as quais chamarei de “ondas”. Esse movimento é político, social, humanitário, intelectual e facilitador para a igualdade entre as pessoas.
A primeira onda, em meados de 1800, foi completamente diferente do que acontece hoje. As propostas de lutas eram outras, a amplitude do movimento era muito inferior e as discussões em pauta eram o que hoje chamaríamos de estereotipadas “lutar para a mulher não pertencer ao marido”. Historicamente, no século XIX, as pessoas pretas não eram consideradas pessoas e, mesmo assim, com um Feminismo Branqueado e etilizado, a escrava Sojoumer Truth, hoje reconhecida como ativista dos direitos da mulher e abolicionista, chamou a atenção da sociedade para problemas como a escravidão, a desumanização e a necessidade de ter uma voz e um espaço: “homem diz que mulher precisa ser ajudada a entrar em carruagem, ser elevada aos céus...Eu não! Eu não sou mulher? Eu arei, plantei e recolhi alimentos e nenhum homem me ajudou. Eu vi meus filhos serem vendidos e não pude reclamar. Chorei sozinha. E eu? Eu não sou mulher?”
A segunda onda ocorreu num contexto histórico bélico. O mundo precisava de mão de obra barata e a sociedade, em guerra, precisava sustentar o lar. Mulheres brancas de classe média/alta saíram às ruas a fim de acabar com a opressão feminina: mulher mais pobre precisava de emprego (e não era opção, como muitos propagam). O mundo em guerra requer custo de vida mais caro. A mulher lutava para que pudesse trabalhar em condições salariais idênticas ao homem (lutamos por isso até hoje), à igualdade dentro de casa (dividir afazeres) e assim, juntos, homens e mulheres pudessem criar os filhos dignamente. Foi aqui que mulheres negras levantaram suas vozes e uniram forças: elas conseguiram mostrar que, embora as demandas das mulheres brancas fossem necessárias, ainda não eram suficientes para suprir as necessidades de todas as mulheres.
A terceira onda, a qual vivemos até hoje, traz novas questões para serem definidas: diversidade e pluralidade de pensamentos e posicionamentos, procura de uma identidade estável e coerente, questões sobre a separação de gênero e sexo, a própria subjetividade, empoderamento e muitas, mas muitas, outras questões.
A luta está longe de acabar. É um movimento mundial, intelectual, político, social, naturalmente organizado e histórico. Não há possibilidades de freá-lo. Percebe-se (eu espero) que é muito mais do que associar feminista à queimadoras de sutiã em praça pública, ou mulheres que não depilam as pernas ou (e esta é a pior) meninas que querem se igualar aos homens. Não queremos nos igualar a nada, queremos um espaço nosso, para podermos ser quem nós quisermos ser. Também queremos reconhecimento intelectual e salários dignos porque, mais uma vez, não queremos ser iguais aos nossos pais, irmãos ou maridos, mas sim porque somos capazes de produzir e construir para a sociedade.
Meus caros e, infelizmente, algumas caras, Feminismo não é essa ideia simplista e dicotômica de oposto de machismo. Ser feminista exige estudo, compreensão do mundo, da luta histórica de cada ser humano, exige uma visão panorâmica e aprofundada da natureza humana, exige um posicionamento crítico, muita leitura e sensibilidade para levantar questões incômodas, exige atitude para desconstruir crenças e para juntas buscar uma solução tendo como base a igualdade, a potencialidade humana e a justiça. Nosso lema é lutar para termos voz e, com isso, melhorar a sociedade global.
Sou feminista com orgulho!
PINHEIROS, R.; MIZAEL, T. (2019). Debates sobre feminismo e Análise do Comportamento (1ª.ed). Fortaleza: Imagine Publicações.
SAFFIOTI, H.B. (2004). Gênero, patriarcado e violência. São Paulo: Fundação Perseu Abramo.
BRAH, A. & PHOENIX, A. (2004). Ain´t I a woman? Revisiting Intersectionality. Journal of International Woman´s Studies.
Comentários (5)
Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.
Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.
Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.
Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.
Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: cacal.ortiz@hotmail.com (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber
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