Ahhh o amor!
Difícil, né? Bauman, no início dos anos 2000, foi visionário quando escreveu "Amor Líquido", expondo toda a fragilidade, velocidade e inconsistência das relações interpessoais na pós-modernidade e o aumento de solitários e depressivos dos novos tempos. Sou uma dessas que prefere viver distante desse emaranhado frívolo de amores rasos. O Simples e o Belo (dois dos bens mais preciosos em todas as formas de existência) simplesmente acabaram! A amizade, a confiança, a lealdade, a empatia, o respeito com o outro e a intimidade, elementos fundamentais para um amor verdadeiro, sumiram com o surgimento dos cardápios cheios de filtros de aplicativos, com o sexo narcisista e com a super exposição pessoal em nome da contabilidade superficial de parceiros ("tenho mais, logo sou vencedor e portanto existo!"- taí um raciocínio que mataria Descartes de desgosto). Pessoas se esquecem que a grande base é a amizade nua e crua. É ela que possibilita lugares para que a intimidade nasça. A intimidade, por sua vez, precisa de confiança (saber que o outro nunca vai te magoar é um ponto primordial para amar). A confiança é construída no dia a dia, entre gestos e reciprocidade e exige uma grande soma de responsabilidade com os sentimentos do outro e empatia. Mas vivemos com um novo "mal do século", não é? Ingênuos como eu sempre serão descartados e condenados a morrer sozinhos...
*mesmo assim, ainda acredito no amor (só que não é qualquer um que vai experimentar isso comigo, não)
apenas uma reflexão
2024
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