Lista de Poemas
BORBOLETA
contra o vento,
contra o frio
Borboleta!
Onde pousaste?
Naquela flor?
No beira rio?
Voa tão suave
quanto seu jeito
colore o mundo
por onde passa
essa missão
é tão vasta!
Borboleta,
qual seu segredo?
-Vou contar-lhe:
para voar basta ser livre
de medos e preconceitos
E então saiu voando
batendo as asas
e colorindo o mundo
ANO: 1997
FOI UM ERRO
não existia uma certeza
imposto um não
surgiu um sim
foi assim...
Fui um erro,
sempre erro
não nego que sou
uma cartilha de erros
surgiu um certo
às vezes...erro
até um talvez
só existia um não
surgiu um sim
e um erro destruíu
o mundo, a vida, as cores
um erro que não sei se é erro
mas fiz
ANO: 1996
SENSIBILIDADE
Um escritor sabe que nunca será perfeito e também não alcançará o sublime.
A vida passa e sabemos que um dia iremos morrer e esperamos fazer algo de bom para todos os seres vivos.
Talvez minhas escritas poderão servir para o bem, um incentivo. Enquanto isso, vou vivendo.
Nossos sonhos podem ser agarrados com tal força que, ser fizer parte do destino, isto é, estar no lugar certo e na hora certa, acontecerá.
São várias as crenças que dizem que nossa sina já vem escrita, mas o que vale mesmo é ter atitude, é saber ter iniciativa e construir o dia-a-dia...
ANO: 1998
CRISE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
e os doces na cesta à vovó entregava
e o lobo, guloso, os doces roubava
e o caçador esperto, com sua espingarva atirava
Ah, como a vida era feliz!
Enquanto a crise não abalava o país
até as historinhas econômicas ficaram
e a imaginação está custando caro
Chapeuzinho Vermelho n cidade andava
e a cesta da vovó vazia estava
e o lobo, coitado, no zoológico ficara
e o caçador, infeliz, vendera a espingarda
Ah, como pode?
Como isso aconteceu?
Chapeuzinho é infeliz
E o lobo enlouqueceu
Chapeuzinho, coitada, foi à Praça da Sé
Assaltaram a infeliz
Levaram seu chapéu
E deixaram a menina
Sozinha e a pé
E a vovó, que tristeza!
Sem a cesta ficou
Ignorada pela sua idade
Num asilo se internou
O lobo que no zoológico
permanecera alguns meses
acabou virando pele
de casaco de burgueses
O caçador vendeu a arma
e precisou trabalhar
acabou se matando
pois tinha contas a pagar
Ah, como a vida muda!
No país das maravilhas
a realidade já é madura!
ANO: 1993
ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE
de atos marcados
a figura de um homem
perdida na neblina celestial
trás a lembrança de coisas
além da imaginação humana
os laços que os unem
são individuais
cada um tem o seu,
cada um tem sua hora,
sua escolha, seu destino
seu modo de ver
Caminham por estradas solitárias
únicas e isoladas
nosso tempo é único
nossos sonhos são além
viver é a arte que engloba
o misticismo e a ciência
a sabedoria e o aprendizado
viver é andar
sozinho
e encontrar
a cada dia
deus
ANO: 1999
INFINITO
até mesmo sem valor
mas você é diferente
importante sonhador
Leve-me até o limite
terra firme e prazer
ou me abrace com ternura
numa aventura de viver
Te seguro nos meus lábios
abraçando seu vapor
desejo seu cansaço
enquanto os corpos, o calor
uma fantasia talvez!
Coincidem-se nossos gestos
abraçarem-se de vez
rabiscando nossos restos
resta o ano e o mês
Infinito de emoção
enquanto, apenas, uma sensação
inigualável furacão
resto de sombra e de ilusão
...ou apenas mais um coração?
Dois infinitos em comum
entregues, juntos, a lugar nenhum
ANO: 1995
DESERTO
está enxergando os olhos do mundo?
Estão nos observando
e cada gota do nosso sangue
é uma imensa porta para a morte
Estou aqui,
não sou nada
escute a voz
Ouviu?
São pássaros anunciando o medo
de conhecer o que já se sabe
da dor...
Em algum lugar coloquei a vida
onde está?
Lugar nenhum
ANO: 1996
VOCABULÁRIO
Onde anda a dignidade?
ANO: 1998
INFÂNCIA (INFANTICÍDIO ADULTERADO)
no clarão do pensamento
trás de volta a saudade
de um longo e bom tempo
onde a árvore florescia
e as nuvens coloriam
a infância complicada
de um futuro inseguro
um adulto rodeava
os pesadelos esquecidos,
apagados pelo vento,
pela dor de reviver
foi o passado o presente
foi o futuro o passado
a confusão não foi ausente
e nada mudou por completo
Minha boneca já chorou,
já sangrou, já lutou
enfim, cansou e encostou
no canto amaarelo do armário
foram poesias de ilusão
e quando cantavam para adormecer
queriam vendar uma criança
dessa longa e confusa
infância
que se fez no tempo
foi mentira?
Quem se importa
com o sentimento
de uma pessoa que
ainda não é nada?
Boi, boi, boi
boi da cara preta
pega essa criança estragada
adulterada
estrupiada
que tem medo de careta...
ANO: 1995
MIL E UMA NOITES DE MENINICE
fundador do deserto,
do ego, do elo
e hoje estão tão perto
(o ciclo vicioso da vida)
Serginho, meiguinho,
tão pequenininho!
Voou no perigo
e ficou esquecido
(um amigo)
Alceu, foi o seu
trampolim pra perdição
da antiga e tão nova
passada geração
Miguel, de véu
o velhinho volante
vestia vontade
de ser flutuante
(que tédio!)
Carlão, o doidão,
cabelos longos, ilusão!
Na noite de barulho
foi meu rei de confusão
(louco, louco...)
Marcelo, que tédio!
E quanta encenação!
A amiga dormia cedo
e nós na multidão
(foi uma traição)
Luiz, morava ao lado
ao fato, à precisão
tão fofo e tão pacato
e amigo de coração
(fui inocentemente seduzida)
Manu, foi engraçado,
foi bom, foi safado,
foi tudo apenas um dia
e fugiu com minha amiga
(a vida é uma comédia)
Fábio, ferrujinha
tinha cara tão fofinha!
fomos rezar e descansar
mas o destino nos fez beijar
Flávio, foi meu amigo
e tão bonito, o Don Juan
da adolescência, da nostalgia
viciei-me no seu afã
Adriano, o maluquinho,
no carnaval, meu pierrot
me tocou profundamente
foi-se embora e não voltou
(eu sou colombina e você meu pierrot)
Eduardo, loiro tarado
era mais velho e sensual
foi interessante estar ao seu lado
alucinante seu ritual
(se seu fusca falasse...)
Fabiano, doentio
o problmático e sem amor
tenho nada à lhe dizer
indiferença ao seu sabor
(hipócrita!)
Giovane, meu cabeludo
Gigio, sabe-tudo
senti demais quando você
não quis mais me aquecer
(Gigio, Gigio...)
Rick, meu ideal
meu platonista sentimental
o que era fundo e eterno
evaporou-se num cemitério
Marcel, o meu céu
Primeiro homem a aventurar
na mulher que ia nascer
naquela noite de surpresa e prazer
(história forte)
Jiani, era uma vez,
num verão perfeito à beira mar
sol, areia, água
e sua língua a me amar
(milhões de gritos de prazer)
Jorge, me desculpe,
nunca quis te magoar,
mergulhou tão profundo
e não consegui te amar
(desculpe)
Rafael, o baixinho
foi legal ter teu colinho
foi num tempo inocente
e você foi um presente
George, tão inglês,
poderia ser árabe ou japonês,
o seu modo intelectual
me seduziu, sensacional!
(glasses and blue eyes)
Renato, sinto muito,
mas não pude ser assim
nada fiz pra ter você
só queria ser meretriz
(desculpe)
Thomas, meu alemão,
seus olhos cor do sem fim
uma viagem ao teu país
e nos lençóis de cetim
(voltar pra Berlim)
Cleber, foi tão bonzinho
meu menino, meu querido
desculpe se te magooei
queria amar, juro, tentei
Alex, foi sem querer
nunca quis magoar você
simplesmente não teve "um quê"
desculpe todo o auê
Carlos, o sem vergonha
foi tão bom ter sido assim,
uma noite saborosa,
mas foi tudo o que estava afim
(loirinho)
Flávio, não me leve a mal
não estava no humor correto
você foi muito legal
mas não consegui fazer o certo
Paulinho, de um carnaval,
o pigmeu e sensual
foi uma noite tão musical
mas...quem é você afinal/
Rodrigo, lindo sorriso
nada sei sobre os fatos
apenas lembro que no seu carro
registrei o seu retrato
Júlio, de São João
olhos azuis da imensidão
foi tão legal tê-lo ao meu lado
mas nada sei do seu coração
Daniel, não foi por mal
não quis te namorar
muito menos te magoar
apenas quis me deleitar
(desculpe)
Joaquim, meu pequenino
gostei de ti, meu safadinho
não esqueci os teus olhinhos
e de todos, foi o mais novinho
André, fui muito errada
sei que fui safada
mas não tive outra opção
porque viver era minha solução
Carlo, meu italiano,
quanto deleite na sua cama
a Itália foi o local do mundo
mais quente e mais em chama
Rafael, o meu bedel
intelecto e sensual
por tras daqueles óculos
tinha um homem genial
(disciplina era seu nome e o meu era bagunça)
Ricardo, foi lá na praia
na cobertura, toda molhada
aquela chuva nos atiçava
eu eu, mulher, te desejava
Mário lá de Brasília
loirinho e tão meiguinho
nos teus braços adormeci
a noite foi de tão carinho
Paulo foi o primeiro
da família dos três irmãos
impiedoso e forasteiro
me beijou com decisão
Luís foi o segundo
da família dos três irmãos
era mais novo e mais risonho
e não tocou meu coração
Alexandre, o grande
da família dos três irmãos
era fogo e muita brasa
me queimou a separação
Marcelo, o meu doutor
mais velho, me enfeitiçou
me seduziu como ninguém
e como veio, me deixou
André, meu grande amigo
foi de repente, sem refletir
que na noite fomos amantes
inesquecível foi te sentir
E assim muitos se foram
e muitos ainda virão
acho que chego aos 40
pra escolher um coração
ANO: 2000
Comentários (5)
Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.
Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.
Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.
Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.
Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: cacal.ortiz@hotmail.com (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber
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