Lista de Poemas
ELA, ELE, TU - DESFECHO DE UM POLIAMOR COMUM
Ele foi sincero quando a olhou
Ela foi sincera quando lhe falou
Que amava muito e de tanto muito
Todosn eram o seu amor
Ele foi sincero quando te olhou
Ela foi sincera quando te beijou
Ele foi sincero quando te tocou
Impulso além do mágico
Lhe pegou nos braços
Lhe fez amor
Eles foram sinceros quando se tocaram
Vira que tinham tudo e não tinham nada
Entregaram-se aos teus braços tão calmamente
E adormeceram embebidos na libido ardente
Ele está mentindo quando diz "amor"
Ela está mentindo quando acreditou
Ele está mentindo se não lhe falou
Ela está mentindo se só lhe calou
(com um beijo de filme pornô)
Estão mentindo
e por isso estão felizes
e felizes vão viver
até o tédio os enlouquecer
ANO: 2002
LÍRIOS NA PRIMAVERA - DE LÍRIOS
Como há muito tempo havia
a magia da alegria
do dom de aprender a amar
Sentir na pele seu toque
seus beijos, seus sonhos, tão forte
tão cheios de sorte
e querer neles me enrolar
e vivenciar a cada amanhecer
sua voz ao meu lado, me esquecer
envolvendo até me enlouquecer
e te acariciar
tudo isso e mais
até mergulhar
no gosto saudável do prazer
e sentir sua respiração alterar
seus ais de loucura
que me procura
seu suor tão quente
tão fervente
tua cara depravada
tarada
seu jeito ofegante
tão marcante
e enfim o êxtase
o ápice da magia
todo aquele misto
de delícia e agonia
chegamos, finalmente, ao auge
e te vejo homem ao meu lado
tão feliz, realizado
e então me realizo também
me sentindo mulher
só sua e de mais ninguém
ANO: 1998
TORMENTA
além de um louco
a procura do temporal
pra içar velas
e navegar
na insensatez
da sanidade?
...será vaidade?...
ANO: 2002
GOTAS
no ex-zul celeste
caem uma
caem duas
e correm
todas
para o mesmo verão,
pingando,
girando,
caindo,
sumindo,
na poça
que roça
a palma do chão
Longas,
curtas,
azuis,
transparentes,
de sereno,
orvalho,
chuva,
temporal
Bricalhonas, vem gritando,
ou caladas, vem descendo...
...garoa fúnebre,
pingos quentes,
gotas de natureza
humana ou animal,
formam rios, formam choros
são de chuva,
chuveiro,
temporal
ANO: 1999
ABSTRATO
Cristal de palavra
Suspense de repente
Faça algo do impossível
E o possível não basta
Longe demais de nenhum lugar
Apesar de querer
Basta ser, pode crer
Às vezes nunca é nada
Tudo é pouco e pouco acaba
Será mesmo algo
Um vazio, um abstrato?
Sou um OVNI sem espaço
Penso, acho, repasso
Não laço, cansaço
Seu mundo não há
Lugar pra imaginar
Será?
ANO: 1994
MEMÓRIAS
Querido Rodrigo,
A viagem foi bem. Um pouco cansativa, mas bem.
Essa primeira semana foi empolgante. Após tantos anos, mudei a rotina. Nem acredito que passei tanto tempo de minha vida fazendo a mesma coisa.
Você foi um amor em me mandar para cá.
Embora sinta saudade de todos, estou muito bem aqui.
Minha rotina ainda não está definida. Estou um pouco perdida, mas espero logo me acostumar.
A única coisa que me incomoda é a falta do meu filho. Diga-lhe que o amo muito e logo irei revê-lo.
Mando-lhe um abraço e agradeço mais uma vez.
Carinhosamente,
Luísa
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São Paulo, 10 de abril de 1981.
Querido Rodrigo,
Faz quase um ano que aqui estou e sinto falta de você.
À noite, quando a insônia vem, fico me lembrando de quando o conheci. Você veio se sentar à minha mesa e deixou meu ex-noivo exasperado! Queria tanto conversar mais com você naquele momento! Mas, enfim, tive que partir.
No dia seguinte você me ligou e saimos: fomos ver borboletas. Deixei o Roberto imediatamente!
Éramos tão felizes!
Lembra-se do nosso primeiro beijo? Eu estava morrendo de medo. Foi tão engraçado!
Um ano depois estávamos casados e dois anos após nascia nosso filho. Ele era tão lindo! Parecia tanto você!
À propósito, como ele está? Sinto sua falta.
Você foi muito generoso em me mandar para cá. Sei que precisava descansar e eu ando tão esquecida!
Cuide bem do nosso garoto
Carinhosamente,
Luísa
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São Paulo, 28 de junho de 1981.
Querido Rodrigo,
A rotina está cada vez mais difícil e vazia. Faz mais de um ano que estou aqui e ainda sonho com você. Quando você e nosso menino virão me visitar?
É difícil conter as lágrimas enquanto escrevo. Ando tão esquecida ultimamente! Cuidam de mim, mas ninguém me responde quando peço para te chamarem.
Espero que também sinta saudade e que esteja cuidando do nosso anjinho.
Carinhosamente,
Luísa
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São Paulo, 12 de agosto de 1981.
Querido Rodrigo,
Que falta você me faz!
Não vejo a hora de encontrá-lo.
Semana que vem será dia de visitas e, finalmente, vou te encontrar.
Estou ansiosa. Tão ansiosa como aquelas tardes em que corríamos até o riacho para molharmos os pés e falarmos sobre banalidades. Ah, meu querido!
Até lá.
Carinhosamente,
Luísa
PS: diga ao nosso filho que o amo.
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Aquele dia ela acordou cedo, tomou banho e se perfumou. Olhou no espelho e arrumou seus cabelos grisalhos tentando aparentar mais jovem. Vestiu-se. Estava usando seu melhor vestido. Calçou seus sapatinhos de crochê e juntou-se ao grupo, enquanto assoviava uma canção de Carlos Galhardo: "Eu sonhei que tu estavas tão linda..." Então, sentou-se para esperar.
O dia estava começando e, aos poucos, o pátio ficou cheio de visitas.
Ela estava lá, quieta e pensativa. Onde estaria ele? Por que o atraso? E seu filho?
A tarde já chegava e ela ainda estava lá, parada, observando as crianças brincarem. Como lhe traziam lembranças do filho!
Já estava escurecendo quando as pessoas começaram a se retirar. Ia fazer frio aquela noite. Estavam no outono.
A noite já estava alta quando uma enfermeira se aproximou daquela pobre e mirrada senhora:
"Vamos entrar, dona Luísa? Está muito frio aqui fora!"
Foi quando ela tirou de dentro do bolso do vestido as cartas que nunca foram enviadas e, entre elas, uma foto em branco e preto de uma jovem bonita, grávida, sorridente, ao lado de um rapaz.
Ficou olhando e lembrando de um tempo de imensa felicidade. Rodrigo era o marido que toda mulher deveria ter. Estavam tão felizes e apaixonados.
Um enfermeiro se aproximou:
"Está na hora de dormir."
Então ela foi, tristonha e quieta, deitar-se.
Do corredor vazio e comprido, ouvia-se conversa entre funcionários:
"Dona Luísa espera o marido e o filho todos anos. É triste. Ambos morreram em um acidente de carro."
"Nossa!"
Nisso, outro paciente chamou por elas. Então voltaaram à rotina e mais um dia se passou sem anormalidades naquela casa de repouso.
ANO: 1999
FUROR
na imensidão de um sonho oco
anjos com asas cristalinas
ecoam no segredo de mais um dia
Sozinha, no lugar de algum
único infinito comum
me entrego à solidão
à sentimentos de angústia
de vida endoidecida
de seiva, saliva, ferida
de nada, hipocrisia
estou assim, tão massacrada
abalada para ter você
por ter te amado e não te esquecer
ficou a dor aguda
no peito, um punhal
e lembrança de tantas coisas
você é especial
sempre lindo
é assim que te guardo
assim que te quero
assim que te espero
assim que os anjos
são anjos
ANO: 2006
LEVE
Quanto teu peito
Colore o mundo
Por onde passa
Essa missão
É tão vasta
Borboleta, qual teu segredo?
Vou te contar:
Para voar
Basta ser livre de preconceitos
E ela voa
Contra o vento,
Contra o frio
Borboleta, onde pousaste
Naquela flor
ou beira-rio?
E então saiu
batendo as asas
colorindo o mundo
ANO: 1998
DESPEDIDA
Penso no que já aconteceu
Vivemos um romance de cinema
Mas vi você chegar e dar adeus
Hoje, solitário nesse quarto
Fumo um cigarro pra esquecer
Entregue nessa dor dessas feridas
Me perco em lembranças de viver
Ao seu lado
Tudo é um paraíso
Mas fecho os olhos,
Tranco os sonhos
De um mundo esquecido
Fácil é chegar
Difícil é dar adeus
Escrevo cartas
Sem destino certo
E escuto o que o silêncio quer dizer
Mas passo horas nesse mar deserto
Só pra tentar te rever
E ao seu lado
Tudo é um paraíso
Mas fecho os olhos,
Tranco os sonhos
De um mundo esquecido
Fácil de chegar
Difícil de despedir
Entreguei a minha vida
Doei os meus sonhos
E quis estar ao seu lado
Mas não consegui
ANO: 2005
VOCÊ SABE AMAR?
Estou aprendendo
a aceitar as pessoas,
que nos desapontam
quando fogem do ideal
nos ferem
nos amedrontam
É difícil aceitar diferenças
não é muito aprazível
não desejo que seja
desta forma, previsível
Aprender a amar
a esccutar
a olhar
e ouvir
com vontade, afeto
ver uma alma sorrir
Olhar ombros caídos,
olhos vazios,
mãos inquietas,
escutar a verdade
em poucas palavras
gestos,
ser poeta
Descobrir angústias,
corriqueiras,
superficiais,
inseguranças mascaradas
sorriso fingido
atitudes exageradas
Descobrir a dor
de cada coração
perdoar desavenças
apagar cicatrizes
jogar mágoas
na lata do lixo
e penetrar
na imensa vastidão
do verdadeiro humano
cigano
engano
Não há sintoma de lástima
autocomisseração
extingue traços
de dor
passo a passo
desvalorização
Dentro de cada vida
valores e rejeição
experiências duras
sofridas
falta compreensão
vividas ao longo dos anos
ver, distante,
as possibilidades
de sorrir
entre milhares de situações
é preciso aceitar
precisamos aprender a vida
precisamos aprender a amar
ANO: 1999
Comentários (5)
Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.
Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.
Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.
Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.
Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: cacal.ortiz@hotmail.com (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber
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