Lista de Poemas
INVOCAÇÃO
misterioso olhar
pleno de estrelas
infantilmente presas
às meninas dos teus olhos
e que num repente
me adormecem de silêncios
és tu que vens chamando
pelo meu nome
e és tu que chegas pleno
das ternuras
com que alimentas
a raíz dos meus afectos
e depois chamam-me doce
mas sou tua
eu sou apenas
o afluente
dos teus gestos
pleno de estrelas
infantilmente presas
às meninas dos teus olhos
e que num repente
me adormecem de silêncios
és tu que vens chamando
pelo meu nome
e és tu que chegas pleno
das ternuras
com que alimentas
a raíz dos meus afectos
e depois chamam-me doce
mas sou tua
eu sou apenas
o afluente
dos teus gestos
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O MEU MISTÉRIO
o meu mistério
é o mistério
de haver oásis e arco-íris
de haver partos e haver caminhos
sinuosos e difíceis
em direcção a feudos encantados...
é o mistério de haver frutas maduras
que se desprendem de árvores em flor
e tesouros encerrados
em cascos de navios antigos e perdidos
na história do tempo
submersos em águas innavegáveis
onde só se pode naufragar...
e até de haver morte
e de haver vida para além dessa morte...
é o mistério de haver serras
altivamente talhadas
na nudez exposta
de pedras multiformes
e passarinhos gorjeando nos beirais
de casas deformadas e ancestrais
qu’inda murmuram
ladaínhas extasiantes...
é o mistério de haver fendas
rasgadas sobre rochas
num choro convulsivo
de águas puras seculares
e haver relâmpagos
fulgentes e contínuos
desafiando a noite imóvel
de traçados regulares...
o meu mistério
não é mistério nenhum
é apenas uma força em contenção
uma alma em secreta vibração
um silêncio exuberante de expressão
que te comove e incendeia
nas veias qual tumulto ateia
o fogo primitivo da paixão...
é o mistério
de haver oásis e arco-íris
de haver partos e haver caminhos
sinuosos e difíceis
em direcção a feudos encantados...
é o mistério de haver frutas maduras
que se desprendem de árvores em flor
e tesouros encerrados
em cascos de navios antigos e perdidos
na história do tempo
submersos em águas innavegáveis
onde só se pode naufragar...
e até de haver morte
e de haver vida para além dessa morte...
é o mistério de haver serras
altivamente talhadas
na nudez exposta
de pedras multiformes
e passarinhos gorjeando nos beirais
de casas deformadas e ancestrais
qu’inda murmuram
ladaínhas extasiantes...
é o mistério de haver fendas
rasgadas sobre rochas
num choro convulsivo
de águas puras seculares
e haver relâmpagos
fulgentes e contínuos
desafiando a noite imóvel
de traçados regulares...
o meu mistério
não é mistério nenhum
é apenas uma força em contenção
uma alma em secreta vibração
um silêncio exuberante de expressão
que te comove e incendeia
nas veias qual tumulto ateia
o fogo primitivo da paixão...
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CARLA FURTADO RIBEIRO começou a escrever poesia aos 13 anos de idade e publicou recentemente o seu primeiro livro, Em silêncio, pela Chiado Editora. Dele constam três poemas selecionados para duas antologias de poesia portuguesa contemporânea. Em 2016 foram publicados três poemas seus na Revista Científica de Literatura, Cultura e Arte Letras ConVida, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Carla Furtado Ribeiro é licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra e exerce advocacia. Para além da criação poética, cultiva com igual esmero a criação musical. Alguns dos seus poemas podem ser lidos no blogue Imitação da vida.
«A sua obra impressiona pela suavidade e pela luminosidade, num tempo em que a alma poética tende para cromatismos mais carrancudos e formas disformes. Há um efectivo prazer em ler esta poesia, que se retira da musicalidade encantatória dos versos, das harmoniosas e engenhosas alquimias rítmicas, fónicas, semânticas e lexicais, das surpreendentes nervosidades metafóricas, da primorosa selecção vocabular, da profundidade e complexidade das ideias, do fulgor e da limpidez das texturas cromáticas. Uma poesia enxuta e solar que prende o real e nos prende. A escrita, embora capciosa como convém ao artifício poético, é fluída, dúctil, grácil, a cavalo entre a tradição e a inovação. Podemos dizer que a sua poesia é leve, mas, nunca ligeira. Leve na palavra, leve na estrutura, leve no movimento, mas densa e bem assente em ideias de timbre existencial, metapoético e espiritual. » in Revista Letras ConVida, 2014-2016, Fac. Letras da Univ. Lisboa
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