Lista de Poemas

Um dia

Um dia tive um amor
Ele era imenso e quente
Tão imenso que não caberia
No espaço de mil léguas entre um navio e um farol
Tão quente que facilmente venceria
Todos os vulcões e incêndios e explosões do Sol

Um dia tive um amor
Ele falava pouco e era azul
Tão pouco falava que não saberia
Dizer todas as letras do alfabeto
Tão azul que se confundiria
Com todos os lagos e olhos gelados e mar aberto

Um dia tive um amor
Ele era profundo e amargo
Tão profundo que qualquer um se perderia
Nos seus poços e labirintos
Tão amargo que certamente anularia
O gosto do sal e do mel e do absinto

Um dia terei um amor 
Ele será exatamente do meu tamanho
Tão perfeito para mim que o amarei
Mesmo de olhos abertos e pernas fechadas
Tão cheio de sabores e cores que o sentirei
Todos os dias com meu corpo e espírito e de boca calada
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Zumbido

Há dias que este zumbido
Fala incessantemente
Ao pé do meu ouvido

Me acompanha pelas esquinas e bares
Em casa ou na rua
A todo momento, em todos os lugares

Não é qualquer zumbido
Porque zumbidos não têm voz
E este meu camarada fala destemido
Sem rédeas nem pudor, com um som atroz

Me fala palavras perturbadoras
Acorda e grita durante a noite
Já fez sua morada nas minhas têmporas
Quando menos espero, me leva ao açoite

Temo que já não posso viver sem este inconveniente
Mato-o para que eu possa viver em paz com minha mente
Sujo, mal-amado, incansável zumbido
Vive para me fazer morrer, íntimo inimigo
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Beijo de chegada

Sonho com teu semblante sorridente
Vivo esperando nosso encontro ardente
Vem e me traz um beijo de chegada
Faz desse desejo chama consumada

Traz de presente a melodia mais doce
Quero descobrir que gosto tem esta paixão
Chega de mansinho, na calada da noite
Me convence, domina meu coração

Faz meu corpo vibrar nesta tua batida
Toma-me num abraço apertado
E quando estiver nua, vencida
Me ama num amor desesperado

Dança comigo no escuro do quarto
Percorre as esquinas do meu corpo
E quando cansar, me diz, que eu parto
Com o coração em lágrimas, te levo ao porto.
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À espera do Carnaval

Derramo meu coração
Em amores inventados
À espera de beijos, carícias, abraços
Que não têm data ou horário marcado

Derramo meu coração
Sobre poças, piscinas cristalinas
É dessa mistura molhada, líquida
Que nasce minha paixão, tão de menina

Derramo meu coração
Em mares agitados, tão imensos
Em olhares azuis, tão intensos
Que me percorrem o corpo e a alma, sedentos

Derramo meu coração 
Sobre a mesa posta na sala de jantar
É nessa tragédia anunciada, refeição bagunçada
Que encontro a poesia do sentir, razão de ser amada

Derramo meu coração 
Em teus contornos, desenhos, curvas
Em tuas íris, reservas tão profundas
Que guardam as minhas próprias, de águas turvas

Derramo meu coração
Sobre teu corpo, meu querer inteiro
Porque ele não cabe mais em si, tamanho desejo
Que sonha em se fazer real, num eterno Fevereiro.

                            Bianca Lopes
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Comentários (2)

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Flaquiote
Flaquiote
2020-06-15

Que bom, gostei galera

bianopes
2020-06-11

Obrigada, João. Gosto muito dos teus versos!