Escritas

Lista de Poemas

Concerto em auto gestão

no concerto da vida
em meio aos sustenidos
há que haver os bemóis
de todos os sentidos

a regência do ritmo
na batuta do tempo
há que juntar os pespontos
das amarguras do peito

no mais é montar no som
e derramar-se por inteiro 
👁️ 22

Da prevalência real da conjuntura

a ação
alardeada apenas na vontade
consome todos os fatos
como vã realidade

a ânsia,
vestida de verdade,
constrói apenas fugas
dos caminhos da tarde

abraçar o real
é um exercício sem alardes
👁️ 127

De Bolívar e da Pátria Grande

Bolívar, adormecido,
visto assim, ao longe, 
é um vendaval festivo
da liberdade que tange

imensamente latino,
dança todos os Andes
como se fora um carnaval
de todas as falanges

Bolívar é toda uma américa
deitada na Pátria Grande
👁️ 31

Iemanjá em fluviais mares do mundo

Iemanjá, viajante,
nos rios em que embarca,
é um mar debruçado
nas ondas da África

pulá-las, mansamente,
como um exercício,
é combinar notícias
com algum infinito

a energia é um abraço
que o mundo traz consigo
👁️ 9

Das materialidades intensas e energias

quando o tempo 
teima em descansar,
no transverso dos fatos,
o mundo é meu gongá

e a vontade permite,
num jeito de resistência,
trazer no meio dos passos
os enredos da consciência

e o orixá aparece,
como energia sem fim
como se fosse um decreto
que a paz joga em mim
👁️ 61

Reminiscências de águas infantes

em ondas, desarrumada,
a cheia monta o rio
como um carnaval de águas
em busca de navios

o menino, maravilhado,
vestido das margens
imagina seus açudes
em todas essas águas

a cheia, o menino e as águas
nem percebem a tarde
e a disposição da vida
em se tornar saudade
👁️ 58

Da objetivação do triste

a tristeza,
quando vontade,
é só um disfarce
da alegria em que se cabe

sofrer
é um nó mal feito
que o prazer desfaz
dentro do peito

sempre cabe um riso
quando o triste é feito
das construções objetos
do sujeito
👁️ 67

Ode aos 70

aos setenta
dou-me à rebeldia
de armazenar as horas
como dias 

a emoção, urgente,
um pouco gasta,
derrama-se incauta
no vão de lágrimas 

o tempo nos anoitece
como uma grande dádiva
👁️ 74

Elza em jornada

Elza tinha na voz
como uma revoada
vinte mil  pássaros
navegando suas asas

Elza tinha na bôca
um comício itinerante
no derramar-se humana
em palavras e cantos

Elza dormia sua negritude
em futuros acalantos 
👁️ 90

Negra percussão da vida

negro,
o país tramita,
entre o preconceito 
e a polícia

e as áfricas dormidas,
em suas costas,
constroem desejos
pelas portas

um dia chegarão escuros
nos ombros da revolta
👁️ 15

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !