Lista de Poemas
Paisagem em faminta praça
triste, o pombo,
faminto na praça,
nem sonha a paz
em que lhe retratam
antes arrulha
uma fome exata
nos grãos que minguam
nas calçadas
o espírito santo,
no cartaz estampado,
é só mais um pombo
que arrulha o passado.
faminto na praça,
nem sonha a paz
em que lhe retratam
antes arrulha
uma fome exata
nos grãos que minguam
nas calçadas
o espírito santo,
no cartaz estampado,
é só mais um pombo
que arrulha o passado.
👁️ 102
Frevo em demandas e vias
o frevo escorrendo
no peito da avenida
é cordilheira de alvoroço
nas correntezas da vida
é assim um absurdo
desenhado nos sentidos
de quem calcula no passo
os limites do infinito
o frevo esquece nas ruas
os sonhos que consiga
no peito da avenida
é cordilheira de alvoroço
nas correntezas da vida
é assim um absurdo
desenhado nos sentidos
de quem calcula no passo
os limites do infinito
o frevo esquece nas ruas
os sonhos que consiga
👁️ 98
Das temperanças do tempo
nos risos da face
eis o tamanho da luta:
acoitar o tempo
e lavrar as rugas
nas certezas transitórias
e no enxame de dúvidas
tramar os impossíveis
quando o possível ajude
eis o tamanho da luta:
acoitar o tempo
e lavrar as rugas
nas certezas transitórias
e no enxame de dúvidas
tramar os impossíveis
quando o possível ajude
👁️ 99
Operária marcha do mundo
das mãos dos homens
largamente suadas
nascem até os sonhos
nos vãos da madrugada
usina humana concreta
adredemente construída
montam a realidade
em todas as medidas
parecem imensas cachoeiras
moldando as coisas da vida
largamente suadas
nascem até os sonhos
nos vãos da madrugada
usina humana concreta
adredemente construída
montam a realidade
em todas as medidas
parecem imensas cachoeiras
moldando as coisas da vida
👁️ 59
Das guerras em civis milícias
civil, dou-me à guerra
tão militarmente
que a farda da alma
é uma desculpa aparente
militar, dou-me à paz
tão civilmente
que os canhōes do peito
explodem sentimentos
soldado ou paisano
guerreio a paz
com a vida nos dentes
tão militarmente
que a farda da alma
é uma desculpa aparente
militar, dou-me à paz
tão civilmente
que os canhōes do peito
explodem sentimentos
soldado ou paisano
guerreio a paz
com a vida nos dentes
👁️ 113
Da informação
a informação perscruta
e finge-se à tarefa
de delatar verdades
em doses manifestas
parte inconsútil
como um escasso teorema
em que o fato nem importa
como raiz e problema
o sentido é a norma
de mantê-la irrestrita
em todos os quadrantes
em que se tem política
e finge-se à tarefa
de delatar verdades
em doses manifestas
parte inconsútil
como um escasso teorema
em que o fato nem importa
como raiz e problema
o sentido é a norma
de mantê-la irrestrita
em todos os quadrantes
em que se tem política
👁️ 17
Da vida em lato paradigma
o paradigma
é estar vivendo
com a vida
tê-la solta
num desvão dos sentidos
é vivê-la à meias
em todos seus indícios
a vida é o embrulho exato
dos infinitos exercidos
é estar vivendo
com a vida
tê-la solta
num desvão dos sentidos
é vivê-la à meias
em todos seus indícios
a vida é o embrulho exato
dos infinitos exercidos
👁️ 79
Das dores do mundo em vias de levante
o mundo
é tão flagrante
que chega a doer
quando distante
resolvê-lo como comum
numa razão constante
é percebê-lo uno
em nossa circunstância
tudo que o leva
é a certeza do levante
é tão flagrante
que chega a doer
quando distante
resolvê-lo como comum
numa razão constante
é percebê-lo uno
em nossa circunstância
tudo que o leva
é a certeza do levante
👁️ 43
Geografia de mim
quando choro
dou-me por rio
em busca dos mares
em que sorrio
meu riso
é um mar aberto
com todas as penínsulas
em que me confesso
meus sentimentos
são uma geografia de gestos
dou-me por rio
em busca dos mares
em que sorrio
meu riso
é um mar aberto
com todas as penínsulas
em que me confesso
meus sentimentos
são uma geografia de gestos
👁️ 70
Capoeira em registro largo
no avesso da armada
o capoeira descobre
todas as abcissas
que seu passado recolhe
e habitando o passado
cerzido, assim, ao presente
inventa todo o futuro
no povo que lhe consente
olhando as gingas do tempo
nas meias-luas de frente
👁️ 70
Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.