Lista de Poemas
Raios da manhã em pátria avessa
a manhã
nasce lacônica
nos restos de noite
que ainda sonha
na varanda
o homem fita o tempo
desembrulhando a vontade
como argumento
nas nuvens, a pátria despeja
uma paisagem grávida
de contratempos e de perdas
nasce lacônica
nos restos de noite
que ainda sonha
na varanda
o homem fita o tempo
desembrulhando a vontade
como argumento
nas nuvens, a pátria despeja
uma paisagem grávida
de contratempos e de perdas
👁️ 24
Enxada em lavratura mansa
a enxada repetindo a terra
em contraçōes avulsas
espalha o suor do homem
nos roçados das culpas
agrária e informe
como um pássaro estático
voa nas mãos do homem
as terras todas que prolata
a enxada nem se dá conta
dos tratores que traz na alma
e que perduram nos sonhos
que o camponês afaga
em contraçōes avulsas
espalha o suor do homem
nos roçados das culpas
agrária e informe
como um pássaro estático
voa nas mãos do homem
as terras todas que prolata
a enxada nem se dá conta
dos tratores que traz na alma
e que perduram nos sonhos
que o camponês afaga
👁️ 29
Da alma e do desejo em claves
a alma
é uma pátria intensa
todas as fronteiras
avançam limites
pela consciência
o desejo
é uma pátria avulsa
todos seus poderes
a vontade pulsa
a alma e o desejo
são apenas partituras
é uma pátria intensa
todas as fronteiras
avançam limites
pela consciência
o desejo
é uma pátria avulsa
todos seus poderes
a vontade pulsa
a alma e o desejo
são apenas partituras
👁️ 41
Certame da vida
a bola
nem sabe
do povo que a leva
na vontade
faminta
a multidão chuta
todas as razões
e todas as culpas
o futebol repete
a necessida da luta
nem sabe
do povo que a leva
na vontade
faminta
a multidão chuta
todas as razões
e todas as culpas
o futebol repete
a necessida da luta
👁️ 65
lavratura em versejante informe
verso
o que nem meço
das vísceras alegres
do universo
lavro
o que guardo
como um infinito
posto em bocados
e lavro o verso
em menoscabo
a tudo que não versa
as alegrias em que me constato
o que nem meço
das vísceras alegres
do universo
lavro
o que guardo
como um infinito
posto em bocados
e lavro o verso
em menoscabo
a tudo que não versa
as alegrias em que me constato
👁️ 77
Nordeste em rabeca renitente
a rabeca
nem consente
em sentir-se um violino
incoerente
a fala antiga
verbos medievais
pontua nordestes
pelos quintais
a rabeca é um informe
plantado dos ancestrais
nem consente
em sentir-se um violino
incoerente
a fala antiga
verbos medievais
pontua nordestes
pelos quintais
a rabeca é um informe
plantado dos ancestrais
👁️ 37
Fulgores em rasa simetria
o sol, displicente,
entoa luzes
como um farol
intermitente
a noite, paciente,
nem se importa
de tê-lo como lua
nos olhos da gente
o fulgor exagerado
é uma luz inconsequente
que espelha muito mais
as sombras de quem sente
entoa luzes
como um farol
intermitente
a noite, paciente,
nem se importa
de tê-lo como lua
nos olhos da gente
o fulgor exagerado
é uma luz inconsequente
que espelha muito mais
as sombras de quem sente
👁️ 67
Felicidade em auto construção
a felicidade
brinca de rio
nas cachoeiras que joga
nos ombros do riso
vivê-la
nos barcos que encerra
é construir em si
todas as caravelas
a felicidade é só um jeito
de abrir nossas janelas
brinca de rio
nas cachoeiras que joga
nos ombros do riso
vivê-la
nos barcos que encerra
é construir em si
todas as caravelas
a felicidade é só um jeito
de abrir nossas janelas
👁️ 67
Vivências
o inconsciente
é ciência exata
tudo que lhe afasta
sempre falta
filogênico
o homem exala
todos os detalhes
da coletiva fala
ontogênico
deixa-se único
do exato dedilhar
de viver-se músico
é ciência exata
tudo que lhe afasta
sempre falta
filogênico
o homem exala
todos os detalhes
da coletiva fala
ontogênico
deixa-se único
do exato dedilhar
de viver-se músico
👁️ 85
Pantomima em humana cena
no palco
a farsa empolga
todas as verdades
que na coxia elabora
a cada ato
como uma corrente
o teatro constrói diverso
os palcos todos da gente
o ator é uma cachoeira
dos atos de quem sente
a farsa empolga
todas as verdades
que na coxia elabora
a cada ato
como uma corrente
o teatro constrói diverso
os palcos todos da gente
o ator é uma cachoeira
dos atos de quem sente
👁️ 65
Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.