Escritas

Lista de Poemas

Do balançar dos gestos em rasante rebeldia

dos ventos
tenha-se a compostura
de espalhar o tempo
no vão das lutas

brisa e furacão,
adredemente,
como se fora aurora
de todos os poentes

a vida é um vagão
de todos os trilhos que consente
👁️ 47

Do poema em fluvial deslize

o poema não é um rio
sua correnteza é fictícia
tudo que lhe navega
são os verbos da vida
suas cachoeiras
nessa empreitada
são os vulcōes verbais
embrulhados nas palavras
entornam a poesia
como uma jornada
daquilo que se sente
quando o tempo fala
e joga sentimentos
no colo da alma
👁️ 65

Procissão em agudo transe

o mundo dói
como uma farpa
que aponta, unânime,
para os canalhas

peças do engodo,
como navalhas,
raspam a face do sistema
à custa alheia de trabalhos

o futuro espreita
no escaninho da vida
as demarches do tempo
os atalhos da saída
👁️ 83

Vivência em desatado prumo

o verdadeiro estratagema
é sentir o que se pensa
deitando o verbo no fato
nos rios da consciência
e desembocar no tempo
como uma hora indivisa
que junta todos a tudo
nos cobertores da vida
👁️ 54

Florestais reincidências em contínua vazão

a mata
grávida de tanto
aborta aos poucos
gritos de carbono

indigena,
o tempo regurgita,
nos ombros das árvores,
folhas, mercúrio e notícias

em cada desvão do mundo
o crime desaba a vida
👁️ 48

Pequena introspecção voluntária


flagro
em atos
todos os desejos
em que me basto

aqueles que ainda perco
aqueles que somente acho

a estrada de tê-los
é fazê-los tantos e exatos
que me deixem vivê-los
nas réguas do que caibo
👁️ 70

Das sirenes declaradas na praça em reminiscência


as sirenes, em gritos,
narravam apenas
o zumbido dos fatos
em adrede urgência

na praça
onde verbos eram atos
as palavras açoitavam
as urgências dos fatos

e no leito da vida,
no contorno da disputa
havia um gosto do futuro
e as certezas da luta
👁️ 33

Litúrgica introspecção da vida

a vida profana
todos os sacros
em que se ama
e sacraliza em ondas
como chama
a cachoeira avulsa da esperança

viver é quase uma liturgia
nos altares de seus dramas
em que sacerdotes de si
os homens tecem sua dança
👁️ 42

Das divinas criaçōes humanas

dos céus que cria
no colo da alma
o homem delata
o sujeito e o drama
de repetir-se criador
e criatura da trama
tudo que lhe importa
é a ilusão da alheia chama

os deuses que prolata
decretam seu engano 
e percorrem, quase divinos,
as facetas de humano
👁️ 76

Da intercorrência onírica da humana mercadoria

o trabalho
cheio do mundo, em sinergia,
rompe músculos e sonhos
em urgentes mais-valias

o homem, desapropriado,
producente investida
é um decreto intransigente
da recorrência da vida

o tempo só argumenta
os futuros em que vigia
como uma nave imensa
nas pistas oníricas do dia
👁️ 20

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !