Lista de Poemas
Andanças íntimas
peregrino de mim
dou-me ao passo
íntima passeata
em que me faço
matéria itinerante
em que me basto
trânsfuga de mim
sobro da vida
superávit humano
na via coletiva
cada passeata vige
nos passos que decida
os dos pés desejados
os da alma quanto viva
Vivência
ria a vida
nessa urgência
de viver-se tanto
quanto pensa
mania militante
de ser gente
lavre o tempo
como instância
certa paciência
dessa militância
de estar matéria
em via pensante
viver-se como combatente
nessa paz itinerante
Humanos disfarces
a vida nunca é tarde
tanto o gosto do tempo
posto no desejo
as manhãs já cabem
assim milimetradas
na régua da vontade
como disfarce humano
em sua liberdade
dá-la transeunte
dessa máscara
é conte-la futura
pela força dos braços
construída unânime
como saga da verdade
Lembranças
a memória
filme itinerante
joga depois
tudo de antes
lúdica intimidade
dentro do homem
a memória vivente
em pública pose
espelha a vida
na rua da história
o homem, contrito,
vive-se único
na coletiva cena
dentro do mundo
Verbalidade
quando a palavra
mais que a fala
assuma o tempo
assim embrulhada
no vácuo dos gestos
quando despejados
varanda dos homens
tanto do futuro
quanto manifesto
como discurso
seja indício
dos varais da vida
postos no comício
ao homem cabe a palavra
lastro verbal de seus indícios
Das vias do ser
a peleja
é estar sendo
em cada luta
em que esteja
navegando os braços
em cada fala
ruminando os verbos
quando cala
ser é ofício
de estar humano
e subversivo
tramitando a matéria
pelo infinito
como ser só um jeito
de viver-se coletivo
Reminiscência CVIII
os olhos
boiavam na paisagem
barco itinerante
as ondas íntimas
de seus mares
a vontade
onírica sanha
pintava de tanto
cada sonho
o menino
gravitando sua órbita
inventava no tempo
sua lógica
Das vias do poema
o poema
nâo começa
nem termina
o verbo imposto
é só a sina
onde o poeta
sonolento
dá-se ao parto
de estar grávido
de palavras
as que fogem da vida
as que falam da alma
o poeta é só trajeto
do poema em sua estrada
Do desenrolar da vida
assim como tanto
fosse o compromisso
deu-se o homem à razão
de habitar os sentidos
com a exata compleição
de todos seus infinitos
desrespeitando seus muros
nas léguas do seu riso
assim como tanto
também atou a desculpa
de entornar-se no tempo
pelos gargalos da luta
na coletiva gestão
da humana disputa
a matéria apenas ajeita
o vão de suas curvas
Fugas
dentro do poeta
o poema escapa
verbo esvoaçante
de seus pássaros
dramática trama
das palavras
o poeta inerme
obedece à tática
de conjugar-se
à sua gramática
não a dos verbos
mas a da alma
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.