Lista de Poemas
Correntes da saudade
o menino
penteando o riacho
inventava sonhos
boiando nas águas
a paisagem
em trânsito íntimo
jogava pelas margens
pedaços do infinito
hoje
como um alarde
o riacho volta a correr
no colo da saudade
penteando o riacho
inventava sonhos
boiando nas águas
a paisagem
em trânsito íntimo
jogava pelas margens
pedaços do infinito
hoje
como um alarde
o riacho volta a correr
no colo da saudade
👁️ 6
Cantata ensimesmada
o violino
como armistício
espalha bemóis
pelo infinito
os do universo
os que estão comigo
a saudade
como um grito
lateja a manhã
pelos sentidos
como armistício
espalha bemóis
pelo infinito
os do universo
os que estão comigo
a saudade
como um grito
lateja a manhã
pelos sentidos
👁️ 5
Infindas passeatas
que o infinito
nos seus segredos
transite a razão
pelos seus becos
passeie o caminho
em seus atalhos
abraçado aos homens
em cada passo
e farto assim
possa estar contrito
em cada palavra
onde seja dito
nos seus segredos
transite a razão
pelos seus becos
passeie o caminho
em seus atalhos
abraçado aos homens
em cada passo
e farto assim
possa estar contrito
em cada palavra
onde seja dito
👁️ 1
Do tempo em futura via
até que o tempo,
como espaço, permita
deixar-se apenas detalhe
dos rumos da vida
pássaro
abrace a vontade
de voar todas as léguas
de cada liberdade
cheio de todos
construa urgente
todos os edifícios
daquilo que se sente
como espaço, permita
deixar-se apenas detalhe
dos rumos da vida
pássaro
abrace a vontade
de voar todas as léguas
de cada liberdade
cheio de todos
construa urgente
todos os edifícios
daquilo que se sente
👁️ 1
Iemanjá em trânsito
Iemanjá
viaja ao oceano
dos rios da África
lavada nas ondas
energia lúdica
dá-se ao desfastio
de afagar os homens
no largo dos seus ritos
flui como indumentária
nos laivos de ausência
como um súbito compasso
das coisas da consciência
viaja ao oceano
dos rios da África
lavada nas ondas
energia lúdica
dá-se ao desfastio
de afagar os homens
no largo dos seus ritos
flui como indumentária
nos laivos de ausência
como um súbito compasso
das coisas da consciência
👁️ 5
Corredeiras vitais
a vida
escorre na idéia
músculo transeunte
da matéria
afaga neurônios
exatas peças
confabular dos fatos
em sinapses e gestos
a vida é cachoeira intensa
nos saltos em que se convenha
trançada na vontade larga
dos ímpetos da paciência
escorre na idéia
músculo transeunte
da matéria
afaga neurônios
exatas peças
confabular dos fatos
em sinapses e gestos
a vida é cachoeira intensa
nos saltos em que se convenha
trançada na vontade larga
dos ímpetos da paciência
👁️ 1
Jornada humana
depois do tempo,
assim à deriva,
a matéria dar-se-á
o vão da vida
e nos fará genéricos
em todas as medidas
aquilo que foi tanto
da humana liberdade
restará infinito
nos restos da saudade
assim à deriva,
a matéria dar-se-á
o vão da vida
e nos fará genéricos
em todas as medidas
aquilo que foi tanto
da humana liberdade
restará infinito
nos restos da saudade
👁️ 4
Da morna tristeza
no meio do frevo
a tristeza se esconde
no riso dos pés
em que o povo se tanje
como fora um abraço
escrito nos homens
derramado no mundo
cantando as avenidas
o frevo amorna a tristeza
atravessado na vida
a tristeza se esconde
no riso dos pés
em que o povo se tanje
como fora um abraço
escrito nos homens
derramado no mundo
cantando as avenidas
o frevo amorna a tristeza
atravessado na vida
👁️ 1
Da verdade reptícia
a verdade
é reptícia
tudo que lhe falta
o futuro divisa
como se fora um prazo
para da-la à vista
parcelas do custo
da matéria em contradita
nessa dialética espalhada
nos contornos da vida
é reptícia
tudo que lhe falta
o futuro divisa
como se fora um prazo
para da-la à vista
parcelas do custo
da matéria em contradita
nessa dialética espalhada
nos contornos da vida
👁️ 1
Tempo em traços
o tempo
é só um descuido
que o espaço dá
para o futuro
ao invés
é quase fardo
dos pesos de si
soltos no passado
largo de tanto
pulsando o presente
é resumo de tudo
das horas que se sente
é só um descuido
que o espaço dá
para o futuro
ao invés
é quase fardo
dos pesos de si
soltos no passado
largo de tanto
pulsando o presente
é resumo de tudo
das horas que se sente
👁️ 3
Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.