Lista de Poemas

O LUTO DA VIDA

Sob incabíveis procedências
Olho para o infinito,
Não há mais tendências,
D’alma sai um grito aflito.

E nesta imponderável dor
Entre calamidades e horrores,
Desditoso infortúnio de sonhos,
Sinto um lúgubre de responso...

Nesta fúnebre infinita de dor
Meu peito explode, sepulcral.
E neste lôbrego de horror
Fico dentro de um abismo imoral.

Entre as coisas inefáveis da vida
Têm-se também as tristes e sofridas,
As contundentes nostalgias,
Os cantos lutuosos de melancolia.

Com este vestuário tão escuro
E flores brancas nas mãos
Meu corpo sente os efeitos 
Da dor e da solidão.
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MISERANDO NAS RUAS

Numa dolência lamentosa vou andando,

E nestas praças desertas peço a misericórdia.

Dai-me, ó Senhor, um pedaço de pão

Para que eu acabe com esta fome que corrói por dentro.

 

Eu miserando nas ruas e tu miserandas no céu.

Imploro pela misericórdia e o perdão,

Só quero mesmo é um pedaço de pão.

Já nem sinto mais este chão!

 

Os urubus me cercam, torcem por me ver morto

Estendido nas calçadas deste sujo chão

Que não tem sequer um pedacinho de pão.

Ajoelhado neste asfalto, joelhos com sangue, exaustos!

Sou apenas uma criança a ti implorar, Senhor

Dai-me somente um pedaço de pão.

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ANTIGO EGITO

Uma das civilizações mais antigas

Onde desenvolveu-se o trabalho

Da criatividade e do planejamento.

Uma civilização de solos férteis!

 

E nestes solos o Nilo regava os plantios,

Por isso, o historiador grego Heródoto afirmou:

“O Egito é uma dádiva do rio Nilo.”

Um verdadeiro canal de irrigação da população!

 

Com uma cultura basicamente religiosa

Os egípcios eram politeístas

Vivendo em um oásis em meio ao deserto.

Tão magníficas ficaram estas pirâmides!

Com as marcas deixadas pelos soberanos Faraós

Numa arte decorando túmulos e templos.

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CHUVA DE SAPOS

Não consigo falar só de pensar... Eita inverno...

Todo inverno é a mesma coisa na minha casa,

Cai um sapo do telhado, um repugnante sapo

Um sapo asco...

 

Calado cai em cima de mim, um sapo...

Splesh... ouço sapos caindo ao chão.

Tem sapo em cima do sofá

Sapo em cima do colchão

Tem sapo dentro do copo

E do copo sapos caem ao chão

Em busca de novos abrigos

Para a diversão...

 

Mas sapos são sapos, não tem discussão.

Se são bonitos ou não eles caem ao chão...

Sapos frios, frios sapos do verão

Que aparecem no inverno

E vários caem do telhado...

Será uma chuva de sapos?

 

Sapos malditos que se espatifam neste chão

E pulam sempre sem uma exata direção...

Mexendo com tudo e todos

Uma verdadeira ilusão.

SaPoS saltitantes, uma só sensação!

 

Splesh... Opa! Caiu outro sapo ao chão.

 

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ROSAS DESPEDAÇADAS

Rosas branqueadas, desfolhadas,
Insignificantes rosas, pétalas estraçalhadas.
Pálidas rosas, infelizes, despidas,
Rosas mortas, feridas rosas, rosas fedidas.
Rosas caladas, arrepiantes e malditas,
Rosas despedaçadas, miseráveis, bandidas.
Rosa que já foste rosa,
Rosa gemida, tão triste e sofrida!

Hoje tu és uma rosa,
Amanhã rosas pisadas, maltratadas e cuspidas.
Que sofrimento contundente esse!

Amedrontada rosa, desilusão eterna,
Presas nas trevas,
Abandonadas pela própria natureza.
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TEMPESTADE DE MÁGOA

Numa chuva ventosa

Ando numa dolência íngreme...

Apreciando a paisagem tenebrosa,

E os relâmpagos que surgem temo.

 

E num temperamento ineficaz

A chuva geme em uma dor plangente,

Bate forte no telhado em paz!

E numa obscuridade presente...

 

Ah, chuvas passageiras, frias e grossas...!

Soluçando nos telhados,

Chorando ao vento....

Balançando das árvores os galhos.

 

E neste som contagiante

Grito num desespero grande:

─ Parou a chuva delirante!

─ Parou a chuva amante!

 

Nesta chuva tão perfumada

Ouço as gotas, sua grandeza,

Sua forma tão límpida e clara!


E num repúdio tão rejeitado,

Deixo a chuva então de lado,

Fecho meus olhos lasso

E ponho-me a dormir.

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A ERA APOCALÍPTICA

Numa desilusão eterna

Vejo um fim calamitoso.

Ponho as mãos na cabeça,

Uma dor contundente me move.

 

E num desapego fraterno

Entre o céu e o inferno

Canto minhas melódicas canções

Cheias de trevas, de mágoas e de dor.

 

Tudo está prestes a virá pó.

É como uma corda a dar um nó,

Um desvario a se esclarecer,

Um pungente grito de socorro.

 

E quem dera neste juízo final

Seremos julgados ao lado infernal!

Sob a morte ao fim de uma vida,

Todas as espécies de Deus estarão extintas!

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OS CANIBAIS DE CRISTO

Todos nós que dizemos cristãos

Somos canibais de Cristo

Por sua ordem expressa,

Pois somente assim nos salvaremos.

Foi Jesus quem disse:

“Comei minha carne e bebei do meu sangue”.

O pensamento de Jesus Cristo

Para seus grandes fieis...

Somente assim seremos salvos!

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MEU CANTEIRO

No fundo do quintal

faço minhas plantações.

Planto milho, bananeira e feijão...

Planto pé de acerola e até de mamão...

Sem dúvida, um verdadeiro canteiro!

Aqui as belezas são intensas

que aprendo o lado bom da vida

com esta pura diversão.

 

E neste terreiro tão sombreado

aproveito e faço minhas poesias

com um vento que bate suave meu rosto

fazendo-me respirar a vida.

 

No final, o resultado é uma maravilha!

Quando olho para meu canteiro

vejo que todo o meu esforço valeu a pena,

por isso nunca devemos desistir de nossos ideais.

Este é o meu magnífico jardim

presente no meu belíssimo e sombreado quintal.

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OS RATOS QUE CORROEM

Os ratos que saem do lixo

Corroem o que já é corrompido,

Perturbam os outros, esses malditos!

Malditos ratos, nossos inimigos!

 

Escondem-se nos forros das casas,

Debaixo do fogão, no armário

 E até na despensa.

 

Os ratos que “rateiam” a casa

Podem nos transmitir doenças!

Cuidado com os ratos!

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