Lista de Poemas
Pai! POEMA PARA ABÍLIO de MIRANDA (1927.12.04 – 1987.11.03)
Podemos começar ouvindo Charles Aznavour cantando
“ La Bohème”ou para momentos mais sérios escutar
a “ Avé Maria “ de Schubert.
Passaram-se dias, muitos deles acompanhados
daquelas cores feitas com lágrimas.
Alguns ainda em que o sangue beijou o chão.
Foi numa terça feira, ao cair da tarde
( sei agora que é o momento em que o sol
vai dormir com a lua),
que me disse as suas últimas palavras :
às 7 vou deixar de ser anão . Levanta-me ! …
E assim, partimos os dois, o senhor abraçando os meus braços.
Ás vezes sinto-me como uma criança perdida,
mirando uma qualquer estrela que passeia despreocupada
lá naquele lugar com um nome tão estranho e tão longe.
Ás vezes sinto-me cansado e durmo como se mil sonhos e
stivessem á espera de me acordar.
A verdade é que estou menos novo, e, a Mãe,o Jorge Faria,
o tio António
e a Guilhermina, já não podem ficar nas fotografias.
A vida vai gastando o tempo
e filtrando na sua imensa paciência, os verdadeiros amigos.
Não me arrependo de lhe ter dito algumas verdades
( daquelas que doem a sério ),
mesmo sabendo que estava pronto para a viagem.
Recordo-me das nossas festas,
das nossas canções, cantadas como só aqueles
que se gostam podem fazer.
Tenho na garganta o sabor daquele “americano”.
Tenho na pele a promessa de tomar conta da Mãe.
Tenho no coração a mais linda declaração de amor
( falava você com a ela), que alguma vez ouvi.
Tenho a certeza que você era diferente dos outros !
Lembro-me perfeitamente quando com um sorriso
cúmplice me dizia : tens lá em baixo livros “novos”.
O que eu aprendi consigo !
Sentado neste banco de memórias,
deixo-lhe a minha saudade.
Não sei qual é a pressa de acelerar a minha corrida.
Afinal a vida continua a ser um lugar estranho para se morrer!
,2013.out30_aNTÓNIO DEmIRANDA

“ La Bohème”ou para momentos mais sérios escutar
a “ Avé Maria “ de Schubert.
Passaram-se dias, muitos deles acompanhados
daquelas cores feitas com lágrimas.
Alguns ainda em que o sangue beijou o chão.
Foi numa terça feira, ao cair da tarde
( sei agora que é o momento em que o sol
vai dormir com a lua),
que me disse as suas últimas palavras :
às 7 vou deixar de ser anão . Levanta-me ! …
E assim, partimos os dois, o senhor abraçando os meus braços.
Ás vezes sinto-me como uma criança perdida,
mirando uma qualquer estrela que passeia despreocupada
lá naquele lugar com um nome tão estranho e tão longe.
Ás vezes sinto-me cansado e durmo como se mil sonhos e
stivessem á espera de me acordar.
A verdade é que estou menos novo, e, a Mãe,o Jorge Faria,
o tio António
e a Guilhermina, já não podem ficar nas fotografias.
A vida vai gastando o tempo
e filtrando na sua imensa paciência, os verdadeiros amigos.
Não me arrependo de lhe ter dito algumas verdades
( daquelas que doem a sério ),
mesmo sabendo que estava pronto para a viagem.
Recordo-me das nossas festas,
das nossas canções, cantadas como só aqueles
que se gostam podem fazer.
Tenho na garganta o sabor daquele “americano”.
Tenho na pele a promessa de tomar conta da Mãe.
Tenho no coração a mais linda declaração de amor
( falava você com a ela), que alguma vez ouvi.
Tenho a certeza que você era diferente dos outros !
Lembro-me perfeitamente quando com um sorriso
cúmplice me dizia : tens lá em baixo livros “novos”.
O que eu aprendi consigo !
Sentado neste banco de memórias,
deixo-lhe a minha saudade.
Não sei qual é a pressa de acelerar a minha corrida.
Afinal a vida continua a ser um lugar estranho para se morrer!
,2013.out30_aNTÓNIO DEmIRANDA

👁️ 136
SHITSEEING (Bertholt Friedrich Brecht , o senhor tinha razão)
Acabou a drogaria.
Apareceu a creperie.
Não era comigo,
não me importei.
Fechou a velha retrosaria.
É agora uma boulangerie Alsaciana.
Não era comigo,
não dei relevância.
O sapateiro desapareceu.
Instalou-se naquele lugar uma gelataria.
Não era comigo,
não me preocupei.
A taberna fechou.
É agora um bistrot com palavras esquisitas.
O alfarrabista foi assassinado
por uma loja de artesanato português,
feito num país qualquer,
que nada sabe do galo de Barcelos.
A livraria enforcou-se
com um nó de coragem ressequida.
Não era comigo,
não me incomodei.
Fui corrido da minha casa.
Tarde demais.
&...
Não acontece só aos outros.
2018Mar_aNTÓNIODEmIRANDA
Apareceu a creperie.
Não era comigo,
não me importei.
Fechou a velha retrosaria.
É agora uma boulangerie Alsaciana.
Não era comigo,
não dei relevância.
O sapateiro desapareceu.
Instalou-se naquele lugar uma gelataria.
Não era comigo,
não me preocupei.
A taberna fechou.
É agora um bistrot com palavras esquisitas.
O alfarrabista foi assassinado
por uma loja de artesanato português,
feito num país qualquer,
que nada sabe do galo de Barcelos.
A livraria enforcou-se
com um nó de coragem ressequida.
Não era comigo,
não me incomodei.
Fui corrido da minha casa.
Tarde demais.
&...
Não acontece só aos outros.
2018Mar_aNTÓNIODEmIRANDA
👁️ 122
(SEM PROBLEMA)
Vamos construindo o caminho
As minas estão claramente
Identificadas
Alinhadas por ordem fonética
Ansiando pelo directo
Previamente combinado
,2022Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
As minas estão claramente
Identificadas
Alinhadas por ordem fonética
Ansiando pelo directo
Previamente combinado
,2022Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
👁️ 138
E O FUTURO FOI PARA A PUTA QUE O PARIU
Luz seca corta o céu
em bocados de desespero
Fugir sem sair
Morrer abraçado a um grito
Chorar numa cama de sombras vadias
Humedecer a tristeza
Acordar a espera
Distrair a angústia
Agarrar a fisga
Rezar o último segundo
Queimar o prazo da validade
Regar ausências
Explodir frequentemente
Enraivecer
Conferir
Suturar esperanças
Despoletar por aí
,2022Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
em bocados de desespero
Fugir sem sair
Morrer abraçado a um grito
Chorar numa cama de sombras vadias
Humedecer a tristeza
Acordar a espera
Distrair a angústia
Agarrar a fisga
Rezar o último segundo
Queimar o prazo da validade
Regar ausências
Explodir frequentemente
Enraivecer
Conferir
Suturar esperanças
Despoletar por aí
,2022Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
👁️ 126
CUIDADO! OS DARDOS ESTÃO LANÇADOS
Gosto das noites que desenham convites atrevidos
Gosto de rachar segredos
Gosto de passear o futuro
com os pés ausentes da cabeça.
E nos momentos em que a espera
me escreve,
Gosto de afagar a memória
num saudável desalinho
Gosto de embebedar-me exaustivamente,
Uivar Saudar a ousadia das estrelas,
Despoletar o cinto,
Escrever (mesmo com sangue na alma)
que o amor que engana
nem sempre é mentiroso.
Genuinamente só,
Gosto de baralhar o conflito de uma qualquer
intenção fraudulenta.
Adoro esticar a corda até o nó ficar desfeito
continuar a não desperdiçar tempo
no baile de borboletas nocturnas.
Gosto dos convites escritos nos decotes audaciosos. Gosto de sedição sem defeito.
Das estrangeiras sem depilação? Não!
Gosto da ovelha ronhosa
Nunca da mania ranhosa
,2022Out_aNTÓNIODEmIRANDA
Gosto de rachar segredos
Gosto de passear o futuro
com os pés ausentes da cabeça.
E nos momentos em que a espera
me escreve,
Gosto de afagar a memória
num saudável desalinho
Gosto de embebedar-me exaustivamente,
Uivar Saudar a ousadia das estrelas,
Despoletar o cinto,
Escrever (mesmo com sangue na alma)
que o amor que engana
nem sempre é mentiroso.
Genuinamente só,
Gosto de baralhar o conflito de uma qualquer
intenção fraudulenta.
Adoro esticar a corda até o nó ficar desfeito
continuar a não desperdiçar tempo
no baile de borboletas nocturnas.
Gosto dos convites escritos nos decotes audaciosos. Gosto de sedição sem defeito.
Das estrangeiras sem depilação? Não!
Gosto da ovelha ronhosa
Nunca da mania ranhosa
,2022Out_aNTÓNIODEmIRANDA
👁️ 139
ESTANTE VAZIA
Tinha comprado aquele livro
para ti.
Nas páginas estava escrita a
anomalia da ausência.
Rasguei-as palavra a palavra
e assim queimei para sempre
o circo da saudade que já não
és.
Agora tenho um novo.
Suave companhia com todos os
sabores da respeitada
cumplicidade.
Oferece a calma no roupão da
solidão companheira dos
instantes para sempre
importantes.
Segue a decepção para o ocaso
do desprezo.
Certas noites embalam as
certezas menos mentidas
aconchegadas no abraço da flor
sem tempo.
,2023Out27_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com
.
👁️ 18
SONETO DO AMOR AUSENTE
De ti me fica a lembrança
Do amor por nós não entendido
Do tempo sempre sofrido
Passado nas ausências da esperança
Nesta estranha forma de dança
Mais do que eu, triste é o meu fado
Que se perde no beijo desesperado
Escorrendo do tempo a mudança
Foi-se a hora da paixão
Gasta nos abraços clandestinos
O que nos uniu foi o fracasso
Feito no engano da ilusão
Nos abusados desatinos
Num amor tão breve e escasso
jul03/2006,aNTÓNIODEmIRANDA
Do amor por nós não entendido
Do tempo sempre sofrido
Passado nas ausências da esperança
Nesta estranha forma de dança
Mais do que eu, triste é o meu fado
Que se perde no beijo desesperado
Escorrendo do tempo a mudança
Foi-se a hora da paixão
Gasta nos abraços clandestinos
O que nos uniu foi o fracasso
Feito no engano da ilusão
Nos abusados desatinos
Num amor tão breve e escasso
jul03/2006,aNTÓNIODEmIRANDA
👁️ 159
O TEMPO DA CANÇÃO FELIZ
Guardava sempre no bolso aquela ideia
que constantemente lhe fugia da cabeça.
_Encostado à parede das sensações saborosas,
enroscava o carinho que vestia os seus passos.
_Depois, sentado na espera habitual,
mirava a própria sombra que lhe mostrava o caminho.
_Serrava o olhar num assomo de respeito,
e desenhava na memória a estrada que lhe apetecia.
_Nunca olhava para trás._
Seguia página a página, a estrela que um anjo,
há muito tempo pintara._
Leu de relance os livros que lhe forraram a vida,
e num ápice majestoso,
abraçou os blues que lhe vestiam a pele.
_ Pegou em si, com toda a precaução,
e seguiu na companhia do tempo que tanto o estimou.
,2018jan_aNTÓNIODEmIRANDA
que constantemente lhe fugia da cabeça.
_Encostado à parede das sensações saborosas,
enroscava o carinho que vestia os seus passos.
_Depois, sentado na espera habitual,
mirava a própria sombra que lhe mostrava o caminho.
_Serrava o olhar num assomo de respeito,
e desenhava na memória a estrada que lhe apetecia.
_Nunca olhava para trás._
Seguia página a página, a estrela que um anjo,
há muito tempo pintara._
Leu de relance os livros que lhe forraram a vida,
e num ápice majestoso,
abraçou os blues que lhe vestiam a pele.
_ Pegou em si, com toda a precaução,
e seguiu na companhia do tempo que tanto o estimou.
,2018jan_aNTÓNIODEmIRANDA
👁️ 144
APARAS DO TEMPO
Vazio
Era o seu nome
Só uma vez sorriu
&
isso foi o maior
incómodo
da sua vida
Anda por aí
lapidando aparas
do tempo
2018Out_aNTÓNIODEmIRANDA
👁️ 146
NA CAMA DA POESIA
Na cama da poesia
nunca se dorme
sem sonhar.
E é assim,
que o poeta descansa
enquanto as palavras
enfeitam os sons do silêncio
e pintam caminhos
a condizer com a maginação.
&
o poeta,
assiste a isto tudo,
nem sempre
com um sorriso
nos lábios.
2017,jul_aNTÓNIODEmIRANDA
nunca se dorme
sem sonhar.
E é assim,
que o poeta descansa
enquanto as palavras
enfeitam os sons do silêncio
e pintam caminhos
a condizer com a maginação.
&
o poeta,
assiste a isto tudo,
nem sempre
com um sorriso
nos lábios.
2017,jul_aNTÓNIODEmIRANDA
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