Lista de Poemas
Ternura ilusionista.
Jogada aos cantos do meu quarto que parece preencher todo o abismo de meus pensamentos, sem ter ideia de onde está à parte frágil do meu eu. Sinto-me tão sozinha. Sinto-me tão desnecessária. Apego-me apenas no sereno das noites que cai perante meus olhos e me traz um minuto de tranquilidade. Se ao menos pudesse ter um manto de imunidade em que sugasse aos poucos as tristezas que em lágrimas se acumulam em mim. Busco incansavelmente um lugar seguro em olhos que me rodeiam, mas o que fazer quando o refúgio que há em mim clama pela tua imensidão? A incerteza de um futuro junto a ti me enforca aos poucos e o medo da perca acaba sendo meu suspiro final. Desacostumei com sua ausência. Não quero acostumar-me novamente. Quero acalentar teus ferimentos e embalar-me em teu riso. Quero um nós tão musical que em linhas e estrofes confundem o mundo exterior e nos faz caber em um só peito. Desejo apenas participar do sonho em que encontro meu tão esperado chamego.
Sol carnal.
Aflição em carta
Voe
Bata tuas asas
Volte para o interno de tuas inseguranças
Largue o colorido
Martírio eterno
Dos choros dos calados
E cante o mais alto silencio
Que os poucos escritores mortos ouçam a se arrepiar
A lágrima desenhada
No rosto dos fracos
Que fortalecem o escuro da noite
Em sonhos sombrios que me suicido
Luz de porto.
Se em voz, oh alegria pura!
Desagua faltando-te sossego
A alegria do sujeito
Que de tuas águas
Deforma o canto
Pedras a interromper as ondas
Sem caminho pra voltar
Lavando lentamente
Pele escura
Do barco negreiro a naufragar
Se pensas em nadar
A vida há de te mostrar
Onde começar ou terminar
Navegando em canoa a alto mar
Assim a deixo, meu bem querer
Remo para nunca voltar
Leva de mim um beijo
E a grande luz do luar!
Transparência.
Cálice do pecado.
Transborde teu sangue em minha garganta acariciando o incerto de teu gozo que padece em minha necessidade. Ferva teus desejos e derrame lentamente no meu desesperado querer, vulgarizando o sensato segundo do viver.
Envolva a corda em nossos pescoços. Presos ao abismo do prazer insensato, deleitarei tua carne no ventre da morte. Escreverei em nossa cama os absurdos que não contarei a ninguém e pouco a pouco farei derramar o mel ansiado pelos meus toques.
Em silêncio busco tua essência em meus delírios, onde na perdura da noite tua disritmia faz-me esnobar o correto. Quero um trago do incerto de seus olhos. Transmitindo a áurea colorida que encontro em teus olhares, retardando os sentidos da sensatez. Sensatez essa, que não procuro fazer-me refém.
Faça-me prisioneira de teu respirar, acomode-me em teu peito, no canto de teus ouvidos. Ninguém precisa ouvir nossa composição. Toquemos-a em silêncio interior. Ouça minhas preces ao degustar nosso sexo. Fútil e inglório com meus sentimentos.
Embriagaremos-nos aos poucos com os risos incontroláveis que teimam em nos padecer lentamente. Seremos um só verso proseado com o gosto da liberdade. Melodia dispersa pelo encostar de nossos lábios.
-Luci e Nabelle.
Abstrato ébrio.
Abstratos de nós mesmos
Desenhos dos caos da cidade
Sentimentos ignorados
Olhares desprezados
Arrepios disfarçados
As linhas do andar que carrego
Desnorteando os caminhos que penso em seguir
O além, autor de minha história
Alinhando os sentidos
De meu proibir
O contorno dos cabelos ao enrolar minhas palavras
Desorganizando o organizado sopro
Que me afoga em dias
Onde nem o paradoxo me livra
A lua
Que procuro em galáxias de olhares
Que nem ao menos mostram
As estrelas que escondem
Os sorrisos de cada face
Sereno das noites amáveis
Que formo o maior dos rios
Secados com o branco das fronhas
Apartando-me dos males
Descartando meu lado mais sombrio
Serei eu, dono dos meus sentidos
Ou apenas
Um personagem qualquer
Nas linhas tortas que um escritor embriagado
Ousou rabiscar.
Lembranças de um anoitecer.
Indeterminado.
Indeterminado momento esse em que te faço protagonista de minhas cenas de paixão e drama. Momentos que me desvio do real, olhando as linhas que contornam teu ser e tua personalidade. Bonito és, figura marcada em meus sonhos. Carência não suprida. Deito-me no passar de tuas histórias,fazendo-me figurante mal comido. Masturbo minhas ideias obrigando-as a te seguir. Mastigo meu rumo indeterminando o prosseguir.
Doce tormento.
Horas passando no relógio e essa agonia me corroendo por dentro. Sentada na cadeira de espera, presa nessa linha temporal demorada que me faz querer gritar. Chorando e extravagando por dentro, mas sem coragem de colocar pra fora. Minha perna treme por sentir tamanha raiva que no momento está a crescer no meu interior. Não consigo controlar.
Preciso de algo que me salve dessa tortura. Como pessoas soltando palavras ao ar, sem ao menos conseguir entende-las. Sentada, observo a frieza que cada um que aqui se encontra possui. Ainda mais frio que o ar gelado a congelar minhas pernas. Sufocada! Fria! Inquieta! Só querendo libertar-me dessa corrente que da sala do hospital faz seu metal.
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