Escritas

Lista de Poemas

Trova paralela.

Me enrolar nos braços da loucura, fazendo a decadência dominar o que sinto. Olhando nos olhos daquele que acaricia aos poucos meu cabelo. Luz que irradia meu peito abrindo-o involuntariamente aos teus encantos. Levando-me ao além de tua áurea, sentindo e observando a tua cor que ofusca minhas palavras. Se entrego meus gestos em tua melodia, faça-me letra paralela. Ao menos vomite-me em um verso qualquer.
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Jogo das palavras.

Cavalo - Marieta - Mesquinho - Carrasco.


Do cavalo, guardo os passos severos e precisos. Do olhar de Marieta, levo o brilho da lanterna que me assegura e me livra do escuro. Não me iludo. Pessoas e seus caracteres mesquinhos lavam as almas aprisionadas nas núpcias da solidão. Dos sentimentos faltosos do carrasco, carrego apenas a frieza. E do meu eu? Ah, retiro a leveza das folhas a cair no outono frio de meus dias.

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Lembranças de um anoitecer.

Aquele delírio irreprimível, rogando pelos teus segredos. O encostar de teu lábio, sucumbindo o menor do espaço que ficou entre nossos corpos. Fazendo-me revirar os olhos a cada suspiro. Teu corpo dentro do meu, criando melodias nos movimentos de meu quadril. Desprezando todo o vazio e importando-se apenas com o teu entrelaçar. Vira, sobe, deita. Teus atos desarmando minha prudência com o perigo que me deixa cada vez mais excitada. Molhada com teu suor, lavando a alma em teus braços. Largando de vez a razão e me arriscando no oceano de teu prazer.
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Doce tormento.

Horas passando no relógio e essa agonia me corroendo por dentro. Sentada na cadeira de espera, presa nessa linha temporal demorada que me faz querer gritar. Chorando e extravagando por dentro, mas sem coragem de colocar pra fora. Minha perna treme por sentir tamanha raiva que no momento está a crescer no meu interior. Não consigo controlar.

Preciso de algo que me salve dessa tortura. Como pessoas soltando palavras ao ar, sem ao menos conseguir entende-las. Sentada, observo a frieza que cada um que aqui se encontra possui. Ainda mais frio que o ar gelado a congelar minhas pernas. Sufocada! Fria! Inquieta! Só querendo libertar-me dessa corrente que da sala do hospital faz seu metal.

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Indeterminado.

Indeterminado momento esse em que te faço protagonista de minhas cenas de paixão e drama. Momentos que me desvio do real, olhando as linhas que contornam teu ser e tua personalidade. Bonito és, figura marcada em meus sonhos. Carência não suprida. Deito-me no passar de tuas histórias,fazendo-me figurante mal comido. Masturbo minhas ideias obrigando-as a te seguir. Mastigo meu rumo indeterminando o prosseguir.

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Seis horas.

Que sua voz seja mantida em mim para sempre.

Me pego tendo pensamentos insanos e involuntários que me rasgam por dentro, pensamentos esses que te escolheram como protagonista de suas histórias. Se hoje posso nomear minhas lágrimas e senti-las como um doce veneno que me indispõe de toda sensatez e lucidez, posso agarrar-me em sonhos que um dia me sucumbiram e me rechearam da única esperança que sobrava nesse universo confuso que posso chamar de vida. Neste labirinto, onde o único objetivo é encontrar apenas uma sombra desse teu corpo que me tira por instantes da racionalidade e não me obriga a voltar. Se ao menos pudesse sentir o teu suspiro por só um segundo,sentir o desejo tomar conta de cada centímetro de meu corpo que já não sinto mais.

Os dias passam vazios, sem objetivo algum. Apenas me lembrando das horas que já não posso mais controlar, os quilômetros que não posso percorrer e o instante que não posso pausar. Ainda lembro-me do toque de sua mão gelada em meu rosto e do calor dos teus lábios vermelhos ao beijar minha boca que ansiava por um pouco mais de atenção. O leve abrir de teu sorriso que me diluía por dentro, me fazendo submissa de teus anseios. Envolvendo-me nesse laço que nem o tempo consegue desfazer.

Um alguém, outro alguém, cujo nome me fere como a dor de uma faca entrando lentamente no pouco de corpo que ainda me resta, tem o privilégio de receber todos os afetos e sentimentos que me pertencem. A palavra a se usar seria egoísta? Ego de mim mesmo, apenas querendo pra mim quem é meu por direito. O loiro dos cabelos que deitam em sua cama todos os dias e tentam te convencer sobre o verdadeiro sentido do amor. Como se amar fosse simplesmente sentir. A dependência por outro alguém que não está em suas mãos.

Meus sentidos protestam pelos teus.

Faça de meu amor tua morada, entra a hora que quiseres e preserve tuas paredes para que todos os dias você possa chegar e derramar teus prantos sem receio algum. Envolva-me nesse teu amor que me faz refém todos os dias e me guarde em teu peito.

E aí, será que você volta?

Espero-te.

Para sempre sua, Isabela.

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Insensatez.

“A angustia da raiva e do nojo me dão a sensação de que algo está a me entupir por dentro. Sensação essa que desconhece tamanha ofensa. Me sinto usada por teus olhares como uma imunda forma de satisfazer tuas luxúrias. Não te importas quem sou, se tenho sentimentos ou apenas me afogarei nesse deleito de teus pecados. Porco algum pensaria em ingerir a lavagem que é os teus sonhos. Violada por suas ofensas e desprezada como o batom rosado que se borra na doce boca de uma mulher quando dois corpos estão a se entrelaçar. Não merece nem o lençol em que se deita para tentar consolar a si próprio da falta de motivação que carrega todos os dias em seus ombros. A tal felicidade ingrata que não o deseja mais.”


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Querido, ão.

Me anular não é uma opção

Sentir a acabrunha de um novo perdão

Não cabe mais a mim, me envolver nessa imensidão

Sem que a solidão

Não triture aos poucos o que resta de um coração

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Íntima aversão.

Tuas promessas escorreram ralo a baixo e minhas expectativas já estão em uma boca de esgoto qualquer. Perdoa-me as palavras, meu desgosto clama mais alto e despreza a ampla ignorância de que és dono e sua admirável capacidade de conseguir se acomodar nesse teu mundo que te engole e te faz o humano mais mesquinho em que já ousei mencionar o nome. Pra mim, só resta à inexistência. Textos,versos e prosas derramados nos boieiros que escondem tudo o que há de mais sujo.Vejo-te como uma puta vencida que nem ao menos tem coragem de implorar por um sexo sórdido qualquer. Servia-me a você como um banquete e hoje, não resta nem a migalha do pão velho que esqueci no fundo do armário. Não vejo mais um cisco das cinzas que restaram da nossa grande chama que muito fiz pra manter acesa. Dor e cansaço foram o que senti numa manhã em que despertei aflita, vencida. Com grandes náuseas me calei. Pra sempre. A idolatria pela lubricidade e pelo vulgar faz de você indigerível e vomitável. E nem uma estrofe banal te salvaria desse grande mar de desventura que ao menos anseia pela abolição de tua tão adorável história.

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Sobreaviso.

Vou remar sem receio de perder o juízo

E mergulhar aos poucos em teu paraíso.

Não se apavore, dona

O assombro é impreciso

E o destino imprevisível.

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