Lista de Poemas

Dor do adeus

Meu coração destroçado capota,

sinto falta da tua voz nas noites mais frias,
sinto saudades das birras e malcriações,
dos machismos e eufemismos.
Eu sinto a falta de você!

Às vezes quando fecho os olhos quase posso te sentir bem perto,
sorrindo e me amando,
brigando e acreditando em mim como ninguém mais.

Dói ter que deixar-te,
e pela dor e a covarde que acabei sendo,
saí sem dizer adeus!
Talvez se eu nunca disser essa palavra ela nunca se concretize
e eu nunca tenha que esquecê-lo!

Hoje aprendi que difícil não é ter que encontrar o amor,
difícil é ter que deixá-lo ir embora.
Sei que você nunca vai entender minhas razões,
mas mesmo assim sem razão nenhuma compreensível
te deixei!
Te deixei pela minha fraqueza,
Te deixei antes que possa te machucar de verdade,
pois não sou forte o suficiente pra viver esse amor!
Mas nunca pensei que doeria tanto assim ir embora.
Adeus, meu querido, meu amado.
Espero que encontres alguém que mereça tua grandeza e teu fardo!

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Minha (Tua) sanidade

O brilho de teus olhos marejam os meus.
Tão dourado teu cabelo que desvio a vista.
Sinto falta do marfim da tua pele,
Absorvendo o luar.
Grito pela distância entre teus lábios,
Doces lábios, e os meus.

O café da minha cor está tão só,
Meus sentidos acostumaram-se a tua forma.
Te imploro: Não se vá, querida!
Não leve o sabor da tua boca!
Deixe-me o toque da tua pele!
Teu longo cabelo enrolado em minha mão.
Teu ouvido encostado ao meu coração.

Se deixar o meu amor sozinho
Ele comerá meu coração por dentro.
Os meus sonhos todos serão engolidos pelo pesadelo da solidão.
Ficarei rouco de tanto chamar-te de volta,
Derramarei lágrimas carmesins na tua porta,
Esmagarei minhas mãos batendo na tua casa,
Porei fogo em todas as tuas cartas.

Serei louco, maníaco, teu e sozinho.
Então não me deixa, esqueça vá embora.
Por mim, por você, pelo mundo a tua volta
Não leva minha sanidade contigo!
👁️ 288

Mais uma vez

Outro espinho sangrento,
outra lágrima num turbilhão de chuva,
outra canção cantada em meio aos corvos,
outro coração ferido em plena guerra.

Silencioso grito que irrompe em palavras,
mesquinha solidão apunhalou o amor outra vez
e outra vez e outra vez.

Que dor profunda e tugida,
ascendente e crescente,
como num riso desvairado de um labirinto cinzento.
Uma melodia confusa,
um sopro de puro ar de esgoto.

E se repete e repete e repete..
uma e outra vez
e outra vez e outra vez,
sem lado B.
Sem limites, sem saída, sem choro.
Não mais.
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Pedaços da alma

Não há casa aqui.
A vida se foi, se é que existiu.
Não há amor aqui.Apenas um ódio frio.
Há uma mágoa profunda no meu peito,que eu não consigo nem quero curar mais.
Sinto minha alma fragmentada em incontáveis estilhaços,
talvez de uma bala perdida,
talvez de uma flecha encontrada.
Eu me vejo tentando inutilmente dar ordem aos cacos,
vejo uma lágrima escorrer de um olho solitário.
Então, em um gesto de ousadia ou, quem sabe, tolice
Resolvo abraçar o caos do meu espírito
e dou boas-vindas as partes quebradas de mim.
ofertando-lhes a aceitação que o mundo nunca será capaz de dar.
👁️ 349

Reis

Reis da luz e da ilusão,

da nuvem que avança despercebida,

do sol que brilha cegante,

do vento que esconde a brisa,

da árvore que se nutre sutilmente do mundo.


Reis das sombras e do abismo,

da maldade velada no escuro,

da guerra friamente travada na diplomacia,

do horror nos olhos desesperados dos desesperançados,

do ódio cultivado em fogo brando e que há muito promete discórdia.


Reis da arrogância e mediocridade humana,

da negligência e do descaso,

do potencial cruelmente jogado fora,

da vida desperdiçada por amantes que pouco se amam.

de tudo o que deixou de ser o suficiente,

do caro que nos custou o desmantelo do verde em prol das pedras.


Ó Reinados infames que assombram as bravídias tentativas de tomar o teu, o meu e o nosso nas

mãos.

O ódio de culpar-te tornou-se tentador e, mesmo assim, a responsabilidade de culpar-me tornou-se

necessária.

Hilariantes reis, decadentes e inexatos.


Um brinde, então meus caros,

a ilusão,

ao abismo,

a humanidade e ao descaso.

E mais um brinde à saúde dos proclamados...

Os reis dentro de nossa humanidade

que buscam frestas em meio aos telhados.

👁️ 334

Palavras escritas

Não escrevo por gosto,

minhas palavras não são carinhosas ou afáveis.
Elas não rimam ou choram.
Posso odiá-las,
ainda assim não cabe a mim reprimi-las.


Não escrevo por expressão,
o expresso que se foi como o vento,
pois sem expressão posso viver,
mas sem escrita não vivo.


Também não é por arte que escrevo,
nem por amor ou dor.
Não escrevo por qualquer motivo nobre, é uma pena.

Tirem-me o pão, o ar e o chão,
mas de mim não tirem as palavras.
Eu as como, respiro e salto.
Elas mudam meu mundo -
deixam-no suntuoso ou depenado.
Porém nunca o mesmo, nunca igual.


No entanto, não são fiéis a mim - as danadas.
Minhas palavras são como fogo,
como brisa que passa,
como chão que se abre.
Delas a minha vontade é herdeira.
Coitada de mim não tem nada.


Palavra é mais que vida,
é sangue, tempestade e paixão.
São as palavras que me dão sentido,
nunca, meus amigos, o contrário.


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Para o mundo ouvir

E de que adiantaria te chamar de amor e o mundo não ouvir?
O sonho seria mais próximo?
As paredes louvariam minhas palavras?
Acreditariam no que ninguém acredita além de mim?


Se eu te chamasse de amor no escondido do meu coração,
Será que minh’alma se calaria?
O que assombra meu mundo,
estremece meus alicerces,
confunde minha mente
Veria a beleza do meu vão sacrifício e se encolheria em si mesmo/a?

Se eu te chamasse de amor em frente as flores,
solitárias e perdidas em seu próprio mundo de necessidade e sobrevivência.
Será que elas abençoariam tais palavras?
Suspirariam de contentamento?
Torceriam para que tão grande amor ultrapassasse a eternidade?

Te chamar de amor em frente ao mundo,
não tornaria nosso amor maior,
nem mesmo o encolheria,
mas o tornaria mais real.
👁️ 337

Gemas avelãs

Eram avelãs.

Duas gemas perfeitas

avelãs e eleitas

que mexeram comigo,

me deliciaram,

me aliciaram,

me atiçaram ao perigo do abismo de teus olhos.


O cheiro viril do teu desejo,

as cores ásperas que teu toque me dá,

me erguem, me elevam, abalam meu quadrado mundo.


Caí da profundeza dos teus olhos

para a singeleza da tua boca,

o contorno perfeito que apenas o meu desejo colori,

viva, atraente, única.


Tão próxima de uma distância ainda maior.

Teu coração acelerado em minhas mãos,

meu pulso ritmado a tua batida.


Se teus olhos avelã me chamaram,

foi a doçura da tua alma que não me deixou ir embora.

O “não” tão próximo aos lábios,

o ‘sim’ reivindicou o coração.


Não deveria ser bom

e talvez não tenha sido,

Não deveria ser belo

e foi esplendoroso,

Não deveria ser verdadeiro,

mas os lagos translúcidos desmentem a ultima sentença.

Se precisavas daquele beijo,

O que acontece se eu necessitar de todos os outros?

👁️ 281

Desejo

O coração reclama do que não viveu,

A mente grita que o sofrimento é desnecessário,

as mãos pedem para tocar, ser tocadas,

acariciar e sentir.


A respiração quer perder o fôlego,

a boca quer ser mordida, sugada, lambida, implorada...


Os meus olhos já me imploraram pra ser monomaníacos

e meus ouvidos desejam teus gemidos.


Meus seios necessitam das tuas mãos, tuas carícias, teus beliscões,

minha voz quer gritar teu nome,

meu corpo carece do teu suor, do teu peso,

minhas unhas clamam arranhar tuas costas, te puxar pra mais perto

a rosa aveludada quer ser cheirada, colhida, chupada.

meus pés querem o calor dos teus,


minha cabeça decidiu-se no teu peito aconchegar ,

minha risada deseja unir-se a vibração da tua

e minha alma quer a plenitude que apenas a tua pode dar

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O sentido do perdão


Faria sentido te perdoar,

Faria sentido amar-te outra vez

E esperar com coragem um amor não vivido.

Para mim tudo isso faria sentido.


Faria sentido perdoar tuas imperfeições,

Faria sentido perdoar a hipocrisia e covardia sob a qual te escondes.

E ser tua companheira de ideias e críticas sinceras.

Para mim, mesmo tudo isso, faria sentido.


Faria sentido também esperar saber que estavas bem,

Faria sentido ser colocada em terceiro ou quarto lugar,

Ser menos importante que um amigo,

mas mais importante que um colega.

Tudo,tudo - tudo - se perdoa,

se ao menos importar-se-ia de me pedir perdão.


Então esse é o desfecho,

se nada fez sentido para o seu egocentrado mundo,

o fim também não o fará.

Mas não é por você que lhe perdoo, meu caro.

Perdôo-lhe por mim.

Por achar que fazíamos sentido,

por me decepcionar e cair.


Perdôo-lhe porque este perdão não vai fazer bem a tua alma,

mas vai curar o veneno da minha.

A mim resta o luto,

perdi meu mentor, meu amigo e minha paixão.

E chorei lágrimas de sangue,

mas só sobrarão cicatrizes e aprendizado.

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