Reis

Reis da luz e da ilusão,

da nuvem que avança despercebida,

do sol que brilha cegante,

do vento que esconde a brisa,

da árvore que se nutre sutilmente do mundo.


Reis das sombras e do abismo,

da maldade velada no escuro,

da guerra friamente travada na diplomacia,

do horror nos olhos desesperados dos desesperançados,

do ódio cultivado em fogo brando e que há muito promete discórdia.


Reis da arrogância e mediocridade humana,

da negligência e do descaso,

do potencial cruelmente jogado fora,

da vida desperdiçada por amantes que pouco se amam.

de tudo o que deixou de ser o suficiente,

do caro que nos custou o desmantelo do verde em prol das pedras.


Ó Reinados infames que assombram as bravídias tentativas de tomar o teu, o meu e o nosso nas

mãos.

O ódio de culpar-te tornou-se tentador e, mesmo assim, a responsabilidade de culpar-me tornou-se

necessária.

Hilariantes reis, decadentes e inexatos.


Um brinde, então meus caros,

a ilusão,

ao abismo,

a humanidade e ao descaso.

E mais um brinde à saúde dos proclamados...

Os reis dentro de nossa humanidade

que buscam frestas em meio aos telhados.

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