Escritas

Lista de Poemas

Amargura

Amargura


Perdoa amor a honrosa loucura
De voltar a dizer que sempre te amei
Sentimental eu sou, e bem o sei
Por ti, já sofri dias de amargura

Bendigo este sofrer, mereço a dor
Tive a alma iludida e não quis crer
Meu rumo, meu destino, foi sofrer
Sem nunca fenecer em mim o amor

Talvez seja castigo, ou punição
Por alcançar de ti, só indiferença
Cruel amargura ao meu coração,

Que só amou... e nunca foi amado
Mas teu amor, marcou sua presença
Na triste, jornada longa de meu fado !

São Paulo, 21/02/2013
Armando A. C. Garcia

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Expressões da alma

Expressões da alma


Na vida somos apenas
Semente que proliferou
Nas dimensões mais pequenas
Fruto que outro gerou

E no mundão desta vida
Somos a expressão da alma
Que nas reações sentidas
Só a alegria as acalma

E se num vôo altaneiro
Se perder seu pensamento
Seja o guia, o timoneiro
Para achar o aproamento

Se de âncora necessitar
Para fundear seu navio
Pára e pense até cansar
Aí, apagou-se o pavio

No mundo não viva absorto
Extasiado no caminho
O que hoje é seu conforto
Pode amanhã ser espinho !

São Paulo, 15/02/2013
Armando A. C. Garcia

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👁️ 597

Como Ser Feliz

Como Ser Feliz !

Sinta o gosto de viver feliz
Sentindo na alma a alegria
Crie em si, como a flor a raiz
E admire os momentos de cada dia

Após a chuva, sinta o cheiro da terra
À noite ao *ciciar palavras de amor
Contemple as estrelas que o céu encerra
Verás nelas a mão do Criador

Sinta a felicidade em todos os momentos
Tanto ao pisares na areia da praia
Como ao pisar em lodos purulentos
Aprecie o sol, olhe como ele raia

Deixe renascer no seu coração
A esperança de ser feliz a cada dia
Nas coisas mais singelas a emoção
Sentirá que a paz nunca é demasia

Aceitando em si o nascer do sol
A cada dia que passa a alegria
Brilhará tal puro ouro no **crisol
E verá que o mundo não é fantasia

Sinta em cada momento a mão de Deus
E eleve aos céus uma prece fervorosa
Se há espinhos na vida, até a rosa
Os tem, e é a flor da vida e do adeus !

- Sussurrar; dizer em voz baixa
** Cadinho onde se apura o ouro: fig. onde se apuram sentimentos

São Paulo, 14/02/2013
Armando A. C. Garcia
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👁️ 681

Com trastes

Com/trastes

Vendo tanta depravação de costumes
Até já me acostumei à anormalidade
Chegando mesmo a pensar que esses *gumes
Apenas são, uma questão de contrariedade

Com raras exceções, põem a crítica de lado
Insensatamente assaltam sem motivo
Tanto o erário público, quanto o privado
Enquanto o populacho, lida noutro crivo

Desfrutam honrosa fama, sem os merecimentos
Fogem do estendal, do comento enfadonho
Seus usos e costumes, carecem de sentimentos
Não posso tolerar ! tanta lama... é medonho

Incrível! Mas 'stão consecutivamente
No comando das hordas, ou do populacho
Seu carisma é aparente e convincente
Os vícios execrandos ocupam o mesmo facho

Nos argumentos tais de suas excelências
Sempre a transmigrar de um cargo a outro
Não deixam sentir que essas pestilências
Sejam sentidas fora do lugar próprio...

Fig. perspicácia; agudeza

Porangaba, 16/02/2013
Armando A. C. Garcia

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👁️ 633

A semente do amor

A semente do amor...


A felicidade está em nossas mãos
Cumpre-nos apenas limpar o caminho
Plantar na alma a semente do amor
E deixar o coração da cor do arminho

Então, ouçamos a voz do universo
E busquemos na sua sabedoria
A razão de tudo e deste próprio verso
Está nas mãos do Criador, em sua cria

Bem o sei, que nossas ambições são tantas
Necessitamos de muito discernimento
E precisamos de aprendizados quantos

Para que não feneça a brisa e o alvor
Encha nosso coração de conhecimento
Da verdade, da caridade e do amor!

Porangaba, 17/02/2013
Armando A. C. Garcia


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Melancolia

Melancolia

Tristeza indefinida
Nas horas amargas
De saudade vencida
Excesso, sobrecargas

Sussurros incontidos
Acre sabor da vida
Por abismos sofridos
Melancolia dorida

Que sangra o coração
Como nas garras da morte
Em suprema aflição
Moribundo em aporte

Os céus não se dão conta
Do sofrimento atroz
Dessa tristeza de monta
Qual tempestade feroz

Violenta, impetuosa
Que o indivíduo maltrata
Melancolia ardilosa
A tua face o retrata

És tu, que gravas e falas
A mulher, ao velho, à criança
Em devaneios os igualas
À tua verossimilhança

São Paulo, 14/02/2013
Armando A. C. Garcia

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👁️ 616

Aos lábios de alguém

Aos lábios de alguém

Todas as esperanças esvaecidas
Até aquela que não vê e só se sente
A alma cansada de sofrer. Ausente
A chama do amor, pretensões vencidas

Amargo destino de quem sou refém
Não basta o pranto que a alma enluta
No mar de angústias, estranha conduta
Me arrasta a tropel, aos lábios de alguém

Alguém que não quer, por medo ou anseio
Saciar minha sede, amor, vem ser minha
Amar-me incondicionalmente sem receio

Unindo aos meus, teus dias de amor
Não negues a sorte, não sejas mesquinha
Se perco o alento, eu morro de dor !

São Paulo, 18/02/2013
Armando A. C. Garcia
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👁️ 634

De Tropeço em tropeço

De tropeço em tropeço

E de tropeço em tropeço
Vai caindo, levantando,
Mudando até de endereço
Na vida, vai caminhando

No labor, alegre ou triste
Rasga a superfície bruta.
Que à enxada, não resiste
O agro solo. Brava luta

Pra trabalhar, sai contente
Dias inteiros na luta
Chega à noite, sorridente
Com a família desfruta

Do aconchego do lar.
Oram aos céus uma prece
Para nunca lhes faltar
O trabalho que enaltece.

Brilha a luz do amanhecer
De novo apega-se à lida
E sem nunca esmaecer
Do labor, sustenta a vida.

É dos tropeços da vida
Que novos avanços surgem
Não julga a esperança perdida
Se outras medidas urgem

Sabe tirar o proveito
De cada lance da vida.
Tem quem tropece no leito
E quem tropece na vida !

Porangaba, 15/02/2013
Armando A. C. Garcia

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👁️ 665

O desgosto

O desgosto


O desgosto, mata, aniquila
Sente-se a vida oca, vazia
A fronte consternada vacila
Na solidão, que ao triste cria

As profundas abstrações do nada
Abrigam no peito tanto fel
Que o sangue ferve, a alma gelada
Só aspira um silêncio cruel

Como se erguendo um cadafalso
Inflexível à alegria da vida
Para às sombras do pseudo-falso
Pouco a pouco, abreviar partida

Desgosto, é amargura sem fim
É o horror fechado à ofensa
Descorado, pálido, qual cupim
Que corrói a alma sem defensa

Mina a alegria, a exultação
Só à tristeza ele nos conduz
É chaga que mina o coração
É uma úlcera cheia de pus

É dor, que em vida amortalha
No silêncio profundo e mudo
É o entristecer nesta batalha
Que a vida nos legou, contudo

É preciso reagir com força
Equilibrar nosso pensamento
E antes que a porca o rabo torça
Virar a página desse mau momento !

São Paulo, 11/02/2013
Armando A. C. Garcia
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O idoso

O idoso...


A matéria já está debilitada
O tempo o fez envelhecer
Ao clamor de tantas madrugadas
Perdeu a vontade de viver

De repente, fica mudo a cismar
Quando dará seu último suspiro
Está sendo difícil suportar
O ar ambiental que respira

Se a vida já é amargurada
Como pode, frágil enfrentar
Quem sempre viveu nesta jornada
Cheio de viço, ora, a agonizar

Era risonho, era prazenteiro
Enfrentava a dura caminhada
Lutava bravo em busca do dinheiro
Que fosse compensar sua jornada

Quando jovem, tão ativo e forte
Nada era capaz de o deter
Agora, só pensar enfrentar a morte
O forte, perdeu a parada de viver

Tristonho, é um ser sem coragem
Que sua saudade o faz chorar
Qual marinheiro de primeira viagem
Que vai afrontar o mar sem bagagem

Ele, que viveu sua vida inteira
Sem perder da vida a confiança
Está agora, perdendo a estribeira
Sem puder equilibrar a balança

São Paulo, 11/02/2013
Armando A. C. Garcia

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