Escritas

Lista de Poemas

23-III(Estático)

uma estrela cai no mar
um silêncio enche o mundo
um pavor se compenetra.
um poema cai no mar
uma gota d’água se misturva
ao mormaço.

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5 - V (Cais sombrio)

eu te reparo nos olhos:
possuem um brilho intensamente mágico
e trágico
eu amo tua pele, cada traço,
cab:elos do mais fino fio
que desfio impulsivamente
tragicomicamente
em toda a extensão do teu ser
porque és maior do que a imaginação.

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46-III-(Feitura)

criança magra e feia
homem brabo e feio
mulher velha e feia
criança inesperança
homem sem ânsia
mulher sem crença
e tudo horrendo e feio
alma feia deus feio

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31-I(Sol Incompleto)

a manhã
lilases lilases
perdizes e avestruzes
aprisionadas em minha mente
e as marcas dorvalho descoram descrentes
na minha casa o sol é incompleto
o dia cresce na face e a noite nasce
para-
lela-
mente
porque não há escolha
no templo há somente hastes e naves inconseqüentes
as flores não nascem
existem pura e simplesmente
porque não há escolha

a manhã recebeu a angústia
dos primeiros raios que ressecam as folhas

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28-VIII-(O mágico)

o pássaro voou da cartola do mágico
mas não havia cartola nem truque
o pássaro-saíra da mão do mágico
mas não havia mão
o mágico num acidente mágico havia perdido
as duas mãos
e então de onde saíra o pássaro?
do chão, sim, do chão de onde saem
todos os pássaros
mas não havia chão
a multidão bem observou
não havia multidão nem mágico
mas o pássaro realmente voou.

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32-II(Persianas)

a cor da dúvida na pele
repele muitos carinhos
e as linhas compostas
em muitos caminhos
diferem apenas do homem sozinho
de estar-se solto e completo
apesar de ver de perto do mundo o outro mundor
que só engana ao homem só e às persianas
às vezes os ziguezagues tortos apelam às diferenças
e às divisões que as mentes fazem
mas o que eles ignoram
é que os cérebros apenas conhecem as diferenças
entre as cousas e as lousas
que eles ignoram
o instinto de bicho do homem só
e das múltiplas multidões aglomeradas em torno dele
e das lânguidas e insensíveis persianas
um homem fica mais só quando reflete
é assim que ficam todos os homens sós
e a solidão
mero deserto entre a palavra e o chão
estranha hora entre o clarão e a aurora
o teu aéreo olhar
que medes a distância
entre o provável e o improvável
e tudo sabes
o que não sabes é o sol que esconde
ou ofusca quem sabe a dor e a sede do homem só
e o linho das linhas das alheias persianas

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35-V-(Esparsa)

desculpa meu edgar poe
mas talvez a tua dor
não tenha sensibilizado os nossos corações
meu caro edgar
mas ensinam muito
a quem tem mente e a quem não tem também
é pela sede de alguma coisa a mais
que buscamos refúgio no verso
só por isso
meu raro edgar
é para regar as nossas almas
para preencher velhos esparsos
somos os que pintam a morte
o medo de muitos
a dor de muitos
tamanhos
confusos horários
daqui à tua terra
à eternidade
até a eternidade
espero que não haja barreiras
desculpe meu claro edgar
mas esqueci que se eu errasse o caminho
só ouviria um longínquo pavoroso
silêncio
não despertem quem pensa

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36-VI-(Litografia)

que voz sopra os sons
nessas horas sincopadas
no silêncio dos homens?
que voz assoprará
o assombro
o sombrio ressumbro
os sobrolhos selvagens
da solidão?
e sobrará um silvo
seda e sono solto.

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44-I-(Alientude)

juventude apática
altitude américa
juventude máscula
máscara de atleta
festa de gracejo
pra zombar da festa
marcas de revolta
planetóides ermos
juventude alada
fantasia lírica
crê lindos fantasmas
juventude atlântica
américa sem norte
morte nunca chega
juventude velha

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2 - II (Avis rara)

ser vontade de pássaro,
as asas adejar pelo infinito crocitante
e acenar aos mecenas de saturno
que eu também vôo!
mas é a fala que cala,
resvala no último ogro que há.
força mágica que assassina as estrelas,
riso de fogo que incendeia a alma,
no entanto feroz vejo-te calma,
e me olhas, eu te olho, e nos olhamos
num olhar patético e néscio até.
eu poderia dizer da tua voz doce e mansa
sáltria divina cavatina de delírio
sei porém que inadvertida
pela imagem da força da distância
irá impelida pelo amargor que envolve toda vida,
e tua boca que ora ri e me deleita
se abrirá como em rictus selvagem
sinto e pressinto
que ferirá minhalma
que busca a tua qual orfeu a amada
o teu olhar em negra claridade
ofuscando os sóis.

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