Escritas

Lista de Poemas

Chega

chega
não quero mais morte
não quero mais dor ou sombras chega
meu coração é esplêndido como uma palavra

meu coração tornou-se belo como o sol
que sai voa canta meu coração
é cedo um passarinho
e depois teu nome

teu nome sobe todas as manhãs
aquece o mundo e se põe
só em meu coração
sol em meu coração

(Tradução de Ricardo Domeneck)



Basta

basta
no quiero más de muerte
no quiero más de dolor o sombras basta
mi corazón es espléndido como una palabra

mi corazón se há vuelto bello como el sol
que sale vuela canta mi corazón
es de temprano un pajarito
y después es tu nombre

tu nombre sube todas las mañanas
calienta el mundo y se pone
solo en mi corazón
sol en mi corazón.

.
.
.
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todo o dia vivi com tua ausência

todo o dia vivi com tua ausência melhor dizendo
todo o dia vivi da tua ausência já que os
terramotos
e outros desastres internacionais
não me distraíram de ti

eu sou um homem do mundo interessa-me
a revolução no Paquistão a falta
de revolução no Yorkshire onde
vi uma vez gente a chorar
de fome ou de raiva nem mais

como é então possível
entre as tempestades ou calmarias
que vêm a dar no mesmo em
certo ponto de vista eu

não esquecer a tua firmeza
a aparência suave que tens
e tudo ser como o teu cheiro depois de amar
em vez de amar ser como o teu cheiro?
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Mulheres

dizer que essa mulher era duas mulheres é dizer pouquinho
devia haver umas 12397 mulheres em sua mulher
era difícil alguém saber com quem se tratava
nesse povo de mulheres
por exemplo:
estávamos deitados em um leito de amor
ela era uma alvorada de algas fosforescentes
quando a fui abraçar
se converteu em singapura repleta de cães que uivavam
recordo
quando apareceu envolta em rosas de agadir
parecia uma constelação na terra
parecia que o cruzeiro do sul havía baixado à terra
essa mulher brilhava como a lua de sua voz clara
como o sol que se punha em sua voz
nas rosas estavam escritas todos os nomes dessa mulher menos um
e quando se virou
sua nuca era o plano econômico
tinha milhares de cifras e a balança de mortes favoráveis à ditadura militar
ninguém nunca sabia aonde ia parar essa mulher
eu estava ligeiramente desconcertado
uma noite a toquei no ombro para ver quem era
e vi em seus olhos desertos um camelo
às vezes
essa mulher era a banda municipal de meu povo
tocava doces valsas até que o trombone começava a desafinar
e os demais desafinavam com ele
essa mulher tinha a memória desafinada
você podia amá-la até o delírio
fazer crescer dias de sexo trêmulo
fazer voar como passarinho de savana
no dia seguinte se despertava falando de malevich
a memória lhe andava como um relógio com raiva
às três da tarde acordava da carga
que lhe pisoteou a infância numa noite do ser
era muitas coisas essa mulher e
era uma banda municipal
a devoraram todos os fantasmas que pude alimentar
com suas milhares de mulheres
e era uma banda municipal desafinada
indo-se pelas sombras da pracinha de meu povo
eu
companheiros
uma noite como esta
que nos embebem os rostos e em que provavelmente morremos
montei no camelinho que esperava em seus olhos
e me fui das costas tíbias dessa mulher
calado como um menino debaixo dos gordos abutres
que me comem inteiro
menos o pensamento
de quando ela se unia como um ramo
de doçura e o lançava pela tarde
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Pouco se sabe

Eu não sabia que
não te ter podia ser doce como
nomear-te para que venhas ainda que
não venhas e não haja senão
tua ausência tão
dura como o golpe que
me dei na cara pensando em ti
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O cão

O poema não pede para comer. Come
os pobres pratos que
gente sem vergonha ou pudor
lhe serve no meio da noite.
A palavra divina já não existe. Que pode
fazer o poema, senão
contentar-se com o que lhe dão?
Depois uivará por aí
sem resposta, será
outro cão perdido
na cidade impiedosa.
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Os iludidos

a esperança fracassa muitas vezes, a dor jamais, por isso alguns crêem que mais vale dor conhecida que dor por conhecer, crêem que a esperança é ilusão, são os iludidos da dor.
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Arte Poética

Entre tantos ofícios exerço este que não é meu, 

como um amo implacável
obriga-me a trabalhar de dia, de noite,
com dor, com amor,
sob a chuva, na catástrofe,
quando se abrem os braços da ternura ou da alma,
quando a enfermidade afunda as mãos.

A este ofício obrigam-me as dores alheias,
as lágrimas, os lenços saudadores,
as promessas em meio ao outono ou ao fogo,
os beijos de encontro, os beijos de adeus,
tudo me obriga a trabalhar com as palavras, com o sangue.

Nunca fui o dono de minhas cinzas, meus versos,
rostos obscuros escrevem-nos como atirar contra a morte.
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Sefini

Basta
por esta noite fecho a porta
no saco onho
guardo os papelitos
onde não faço senão falar de ti
mentir sobre teu paradeiro
corpo que me faz tremer
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Poema XXXIII

Basta
Não quero mais morte
Não quero mais dor ou sombras basta
Meu coração é esplêndido como a palavra
 
Meu coração tornou-se belo como o sol
Que sai voa canta meu coração
De manhã cedo é um passarinho
E depois é teu nome
 
Teu nome sobe todas as manhãs
Aquece o mundo e se põe
Só em meu coração
Sol em meu coração
 
Amor que serena, termina?
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Opiniões

Um homem desejava violentamente uma mulher
a algumas pessoas não lhes parecia bem
Um homem desejava loucamente voar
a algumas pessoas lhes parecia mal
Um homem desejava ardentemente a Revolução
E contra a opinião da grande maioria
Subiu pelos muros secos do devido
Abriu o peito e retirando os arredores de seu coração
Agitava violentamente uma mulher
Voava loucamente pelo tecto do mundo
E os povos ardiam, as bandeiras
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