Lista de Poemas
Virgindade
Não essa que foi miragem e é negaça.
A porta derradeira é a que importa:
Caçador que porfia, mata caça.
Opção
Num deserto de sombras e de medos,
Que ser a dócil rima do teu mote,
Um morrão de cigarro nos teus dedos.
Fábula do Grifo
De grifo abandonado entre humanos:
Ecos não a distância me devolve,
Mas pedaços de voz e de rangido.
Cada cristal no chão, a luz resolve,
Como olho de insecto refulgido
Em mil sombras, a sombra já sem gritos
De grifo abandonado entre humanos.
Signo do Escorpião
A paz não é contigo nem fortuna:
O signo assim ordena.
Pagam-te os astros bem por essa guerra:
Por mais curta que a vida for contada,
Não a terás pequena.
Pois o Tempo Não Pára
Que vividos os dias aproximem
O copo de água amarga colocado
Onde a sede da vida se exaspera.
Não contemos os dias que passaram:
Hoje foi que nascemos. Só agora
A vida começou, e, longe ainda,
Pode a morte cansar à nossa espera.
Um Zumbido, Apenas
Da aranha recolhida se distendem,
E nos palpos gulosos, entre os fios,
O zumbido enrouquece, e pára, cerce.
O que viveu, morreu. Abandonado
Ao balouço do vento, o corpo seco
Bate a conta do tempo que me rola
Num casulo de estrelas sufocado.
Vertigem
Não vai. Emparedado entre penedos,
Até o próprio grito se contrai.
E se o eco arremeda uma resposta,
São coisas da montanha, são segredos
Guardados entre as patas duma aranha
Que tece a sua teia de miséria
Sobre a pedra suspensa da encosta.
Psicanálise
Em cada homem, nove disfarçados,
E todos nove, na voz, amordaçados,
Do homem que convém palco e berlinda.
Uma porta da cave aferrolhada
A malícia do sono desmantela:
Fugidos do segredo e da cancela,
Mostram os nove o dez igual a nada.
Depois de bem torcido e recalcado,
Sacode o dez a pele e os direitos,
Disfarçando, subtil, rugas e jeitos,
Do que foi o seu corpo analisado.
Velhaca mascarada, ou sem sentido
De sombras a fingir de corpos vivos,
Cicatrizes tapadas de adesivos,
O falso dez, o zero, o um perdido.
Se Não Tenho Outra Voz
Em ecos doutros sons este silêncio,
É falar, ir falando, até que sobre
A palavra escondida do que penso.
É dizê-la, quebrado, entre desvios
De flecha que a si mesma se envenena,
Ou mar alto coalhado de navios
Onde o braço afogado nos acena.
É forçar para o fundo uma raiz
Quando a pedra cabal corta caminho
É lançar para cima quanto diz
Que mais árvore é o tronco mais sozinho.
Ela dirá, palavra descoberta,
Os ditos do costume de viver:
Esta hora que aperta e desaperta,
O não ver, o não ter, o quase ser.
No Coração, Talvez
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta,
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.
Comentários (2)
Bem meu caro José Saramago... se tu ainda estivesse em vida... conquistaria um novo mundo. meu caros amigos já tive o privilégio de ler uns dois livros deste grande escritor. são de um mundo fantástico. Braços a sua eternidade.
Meu caro é preciso sair do corpo em espirito e mente ; para nos vermos a nós mesmos. em corpo e alma a vagar pela mundo desconhecido.
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