Escritas

Lista de Poemas

Olhos que façam chorar

Olhos que façam chorar,
Só os teus, de mais ninguém.
Por que me lembrais, ó olhos,
Os olhos de minha mãe?

Essa lembrança bendita
Apenas é crueldade...
Por que me lembrais, ó olhos,
A minha imensa saudade?

Se ela dorme há muito tempo,
Se há muito tempo morreu...
Por que me lembrais, ó olhos,
Um bem que est’alma perdeu?

Fechai-vos devagarinho,
Olhos como os de ninguém!
Deixai-me esquecer a mágoa
Dos olhos da minha mae!...
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O que sou eu

O que sou eu, Amor?... Sei lá que sou
Sou tudo e nada, grande e pequenina
Sou a que canta urna ilusão divina
Sou a que chora um mal que acabou.

Eu sei lá, que quimera me beijou
E nunca o soube assim desde menina
Há neste mundo tanta amarga sina
A minha é Não saber nunca quem sou

Esfinge, sonho tonto de desejos
Na tua boca sou urna asa aberta
A palpitar vermelha como os beijos

Andorinha..............a voejar
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Liberta!

Eu ponho-me a sonhar transmigrações
Impossíveis, longínquas, milagrosas,
Voos amplos, céus distantes, migrações
Longe... noutras esferas luminosas!

E pelo meu olhar passam visões:
Ilhas de bruma e nácar, d’oiro e rosas...
E eu penso que, liberta de grilhões,
Hei-de aportar as Ilhas misteriosas!

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Com a doçura

Com a doçura de urna linda ave
Bateu as asas brancas e voou.
Era meiga, era pura, era suave
Não viveu! Foi um anjo que passou.
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Á sua, que foi

Á sua, que foi, é e será sempre,
da sua que nunca foi, Não é nem será
Bela
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A bondade

A bondade o som de Deus
A bondade a educação
A gente sempre ama os país
A estrela do coração.

A bondade ai a bondade
Aquele anjo de amor
Aquela santa feliz
E a bondade da flor

O anjo vem dar a bondade
A bondade do coração
A bondade para todos

E urna boa educação
feliz de quem tem bondade
E sempre sempre um bom irmão
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Se as tuas mãos divinas folhearem

Se as tuas mãos divinas folhearem
As páginas de luto uma por uma
Deste meu livro humilde; se poisarem
Esses teus claros olhos como espuma

Tua boca os beijar, lendo-os, um dia;
Se o teu sorrir pairar suavemente
Nessas palavras minhas d’agonia,

Sob esses olhos teus, sob essa boca,
Hão de pairar carícias infinitas!

Às trevas desse livro, assim, ó louca!
A noite atira sóis ao infinito!...
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Matei a ilusão

Matei a ilusão dentro de mira
Toda a quimera em mim despedacei
Rosas e lírios tudo arranquei
Do meu tranquilo e plácido jardim
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O que mais me comove

O que mais me comove e me contrista
Neste pesar que se apossou de mim
E não saber (que tenebrosa egoísta!)
se te lembras de mim!

Qualquer pesar em que a memoria insista
Recorda a nossa angustia. É uma aflição.
E eu vivo a repetir. Longe da vista...
longe do coração...
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Meu Amor

De ti somente um nome sei, Amor,
É pouco, é muito pouco e é bastante
Para que esta paixão doida e constante
Dia após dia cresça com vigor!

Como de um sonho vago e sem fervor
Nasce assim urna paixão tão inquietante!
Meu doido coração triste e amante
Como tu buscas o ideal na dor!

Isto era só quimera, fantasia,
Mágoa de sonho que se esvai num dia,
Perfume leve dum rosal do céu...

paixão ardente, louca isto é agora,
Vulcão que vai crescendo hora por hora...
Ó meu amor, que imenso amor o meu!

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Comentários (13)

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robertinho de roberto
robertinho de roberto
2024-10-21

FLORBELA ESPANCA : paixão na primeira poesia! poesia que vasa sentimento pra todos os lados! sentimentos que espelham sofrimentos d'alma!

mcegonha
mcegonha
2023-04-21

Alma luz! Poesia.

texto bom
texto bom
2021-09-08

naseu en 8 de dezembro e moreu em 8 de dezembro

euskadia
euskadia
2020-08-08

.....erro atrás de erro.... Cada calinada ortográfica capaz de por vacas a grunhir.....Deus, assevera que a língua portuguesa em locais de domínio linguístico como este é suposto ser, dizia, deixa no exterior erros crassos, quer de incúria, quer por livre arbítrio

euskadia
euskadia
2020-08-06

.....quanto à violência mefítica daqueles que, por não se saberem sentados em palha, julgarão seus atributos na jactância da vil existência que se lhes (a eles próprios) conferem. Falar ou opinar sobre língua portuguesa e, com quem dela se serviu para redesenharem a sua alma como Deus assentiu o mundo pela geometria, sem o fervor da deferência, então nada sabe sobre o parir duma Essência