Lista de Poemas
When slattern Time, worn out with toil of wearing,
With loose‑tied pack shall trudge upon my years,
And I shall feel that forced occasion nearing
That despair's self (that must live to be) fears,
I, being beggared of all wealth of hope -
So prodigal have I to wishes been -
Shall with known uselessness for the coin grope
To pay that the hour’s ending be serene.
I shall not enter the great silent cave
With curious ardour, or ease out of sun,
But all that with me I shall then still have
Will be a coward rage that all is done.
No hope the cave's a passage shall control
Fear of the immediate night of the shown hole.
45 - THE LOOPHOLE
For when thou call'st I am with thee.
When I think of thee, within me
Thyself art, and thy thought self’s all.
Thy presence is thy absence drest
In thy body that hides thy soul.
Tis in me that thou art possessed,
'Tis in my thoughts that thou art whole.
Outside thee, given to time and space,
Thy body, thy mere loss to me,
Partakes of change and age and place?
Belongs to other laws than thee.
In my dream of thee nothing changes
Thyself to other than thou art.
Thy corporal presence is that part
Of thee that thee from thee estranges.
Therefore call me, but await not.
Thy voice, summed to my dreaming thee,
Shall put new beauty on that thought
Of thy body that dwells in me.
Thy voice heard from afar shall bring
Nearer to me thy presence dreamed.
Brighter and clearer than it seemed
It grow'th in my imagining.
Then call no more. Thy voice twice heard
Along the real space would be
Too near now to reality.
Thy second voice were thy first blurred.
Call me but once. I close mine eyes
And let the second call be dreamed,
Thy body's vision lightly gleamed
On my seeing memory of thy cries.
The rest, eyes shut lest thou appear.
Shall be thy clear continuance
In my dream's constancy askance.
Keep far, keep silent, come not here,
For thou wouldst come too near for sight
And out of my thoughts step to thee,
Putting on thy dreamed body in me
(Thy body's form‑dream infinite)
Thy limit, visibility.
TRAMWAY
Aqui vou eu num carro eléctrico, mais umas trinta ou quarenta pessoas,
Cheio (só) das minhas ideias imortais, (creio que boas).
Amanhã elas, postas em verso, serão
Por toda a Europa, por todo o mundo (quem sabe?!)
Triunfo meta, início, clarão
Que talvez não acabe.
E quem sobe? Que sente? O que vai a meu lado
Só sente em mim que sou o que, estrangeiro,
Tem o lugar da ponta, e do extremo, apanhado
Por quem entra primeiro.
Que o que vale são as ideias que tenho, enfim,
O resto, o que aqui está sentado, sou eu,
Vestido, visual, regular, sempre em mim,
Sob o azul do céu.
Ah, Destino dos deuses, dai-me ao menos o siso
Ao que em mim pensa a vida de ter um profundo
Senso essencial, mas certeiro e conciso
Da vida e do mundo!
Sei, sob o céu que é que toca as minhas ideias,
Sob o céu mais análogo ao que penso comigo
Que este carro vai com os bancos cheios
Para onde eu sigo.
E o ponto de absurdo de tudo isto qual é?
Onde é que está aqui o erro que sinto?
A minha razão enternecida aqui perde pé
E pensando minto,
Mas a que verdade minto, que ponte,
Há entre o que é falso aqui e o que é certo?
Se o que sinto e penso, não sei sequer como o conte,
Se o que está a descoberto
Agora no meu meditar é uma treva e um abismo
Que hei-de fazer da minha consciência dividida?
Oh, carro absurdo e irreal, onde está quanto cismo?
De que lado é que é a vida?
Trazes um manto comprido
Que não é xaile a valer.
Eu trago em ti o sentido
E não sei que hei-de dizer.
Mas eu, alheio sempre, sempre entrando
O mais íntimo ser da minha vida,
Vou dentro em mim a sombra procurando.
ODE IN CONSOLATION FOR MISFORTUNE
He that a soldier will be must be made
To bear all the hard preface of his trade,
All the rough training must he bear
Whereby he shall the conqueror
……
All pain, all failure and all woe
These are but training we must undergo
Ere those heights of ourselves we full can reach
Whence God has things to teach
And the discarnate fate that girds us round
Still more to teach and more to wound.
With patience and with fortitude
Bear thou thy training rude,
Support with grace thy masters that are days
Made of pain and amaze,
Thy potion take, even it that potion look
That Socrates for his divinity took.
To Aesculape the cock immolate,
To the Masters of thy fate
Abandon life, thyself strong above all
Thy power to let things thee appall,
By the sole virtue of thy power set far
Over thy power to feel fate's war.
The rest, that thing that shall remain of thee
When land and sky and sea
Alike are mist in thy unseeing eyes,
This shall nowise
Mater, nor all when all is thine abode,
Nor God himself when all is God.
Dona Rosa, Dona Rosa,/Quando eras inda botão
Quando eras inda botão
Disseram-te alguma cousa
De a flor não ter coração?
Ai, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que farias tu com ela?
— Tirava os brincos do prego,
Casava c'um homem cego
E ia morar para a Estrela.
Mas, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que diria tua mãe?
— (Ela conhece-me a fundo.)
Que há muito parvo no mundo,
E que eras parvo também.
E, Margarida,
Se eu te desse a minha vida
No sentido de morrer?
— Eu iria ao teu enterro,
Mas achava que era um erro
Querer amar sem viver.
Mas, Margarida,
Se este dar-te a minha vida
Não fosse senão poesia?
— Então, filho, nada feito.
Fica tudo sem efeito.
Nesta casa não se fia.
Comunicado pelo Engenheiro Naval
Sr. Álvaro de Campos em estado
de inconsciência
alcoólica.
Mas que grande disparate
É o que penso e o que sinto.
Meu coração bate, bate
E se sonho muito, minto.
47 - FIAT LUX
Flowered, and it as when a flag, unfurled,
Suddenly shows unknown colours and signs.
Into an unknown meaning, evident
And unknown ever, it outspread its lines
Of meaning to my passive wonderment.
The outward and the inward became one.
Feelings and thoughts were visible in shapes,
And flowers and trees as feelings, thoughts. Great capes
Stood out of Soul, thrust into conscious seas,
And on all this a man‑sky spoke its breeze.
Each thing was linked into each other thing
By links of being past imagining,
But visible, as if the skeleton
Were visible and the flesh round it, each one
As if a separate thing visibly alone.
There was no difference between a tree
And an idea. Seeing a river be
And the exterior river were one thing.
The bird's soul and the motion of its wing
Were an inextricable oneness made.
And all this I saw, seeing not, dismayed
With the New God this vision told me of;
For this was aught I could not speak nor love
But a new sentiment not like all others,
Nought like the human feelings, men are brothers
In feeling, woke on my astonished spirit.
With a great suddenness did this disinherit
That thought that looks through mine eyes of the pelf
Of ordered seeing that maketh it itself.
O horror set with mad joy to appal!
O self‑transcendency of all!
O inner infinity of each thing, that now
Suddenly was made visible and local, though
No manner of speech to speak these things in words
Followed that vision! Sight whose sense absurds
Likeness of like, and makes disparity
Contiguous innerly to unity!
How to express what, seen, is not expressed
To the struck sight that sees it? How to know
What comes to senses' threshold to bestow
A visible ignorance upon the knowing?
How to obey the analogy‑behest,
Community in unity to prove
The intellectual meaning of to love,
Shipwrecking difference upon the sight
Renewed from God to Inwards infinite?
Nothing: the exterior world inner expressed,
The flower of the whole vision of the world
Into its colour of absolutely meaning
In the night unfurled,
And therefore nought unfurling, abstract, that,
Vision self‑screening,
Patent invisible fact.
Nothing: all,
And I centre of to recall,
As if Seeing were a god.
The rest the presence of to see,
Hollow self‑sensed infinity,
And all my being‑not‑souled‑to‑oneness trod
To fragments in my sight‑dishevelled sight.
This Night is Light.
Comentários (17)
What?
Simplesmente um pensador ( tão grande) pois todos nós temos máscaras, nossos sentimentos são todos ocultos na nossa eterna alma. fantástico este texto para sua época vivida.
cmt
O maior e mais pensador poeta para a sua antiga época. O maior e mais revolucionista da literatura portuguesa, com os seus poemas e textos que enchem a alma de pensamentos. Tem um forma única de se expressar e ditar o que vem da sua alma, como ele dizia " Quem tem alma não tem calma".
O profeta dos poetas!
Mensagem
1934
Poesias
1942
Poesias de Álvaro de Campos
1944
Odes de Ricardo Reis
1946
Poemas de Alberto Caeiro
1946
Fausto
1952
Poesias Inéditas (1930-1935)
1955
Poesias Inéditas (1919-1930)
1956
Quadras ao Gosto Popular
1965
Novas Poesias Inéditas
1973
Poemas Ingleses
1974
Livro do Desassossego
1982
Álvaro de Campos - Biografia encenada
Estou Cansado - Poema de Álvaro de Campos
Chico Buarque lê Álvaro de Campos
Álvaro de Campos - Tabacaria (por Mário Viegas)
Mário Viegas - Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos
''Acaso & Afinal'' Álvaro de Campos [Fernando Pessoa]
Primeiro é a Angústia - Álvaro de Campos
SIM ESTÁ TUDO CERTO - Álvaro de Campos, Poema do Dia 10.wmv
Maria Bethânia - Ultimatum - Álvaro de Campos
Fernando Pessoa por Joao Villaret- Tabacaria
Sinde Filipe diz Ai Margarida de Álvaro de Campos (2008)
Reticências, Álvaro de Campos (trecho)
Trecho Texto Essa Velha Angustia (Álvaro de Campos)
MANIFESTO DE ÁLVARO DE CAMPOS
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) - Lisbon Revisited
Jô Soares - CRUZOU POR MIM, VEIO TER COMIGO NUMA RUA DA BAIXA - Álvaro de Campos - gravação de 1985
Fernando Pessoa: Tudo o que precisas de saber! 🤓 (CURSO COMPLETO)
The Terrible Paradox of Self-Awareness | Fernando Pessoa
Fernando Pessoa - Brasil Escola
Fernando Pessoa e seus heterônimos *introdução* | Bruna Martiolli
Fernando Pessoa e seus Heterônimos (Modernismo em Portugal)
"FALHEI EM TUDO" | Fernando Pessoa
O Que Há Em Mim É Sobretudo Cansaço | Poema de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas
"Estou farto de semideuses!" | FERNANDO PESSOA | MARIA BETHÂNIA
Pare de ouvir esse tipo de pessoa
Aproveitar O Tempo | Poema de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas
Fernando Pessoa: criador de poetas | Rogério Hafez
"NÃO FUI AMADO" | Fernando Pessoa
"SE EU MORRER MUITO NOVO" | Fernando Pessoa
A FILOSOFIA NA POESIA DE FERNANDO PESSOA - Lúcia Helena Galvão
Quem foi FERNANDO PESSOA I 50 FATOS
Alberto Caeiro | Heterônimos de Fernando Pessoa - Brasil Escola
Grandes Portugueses - Fernando Pessoa
Americano especialista em Fernando Pessoa fala da nova biografia do poeta: "Ele era muito reservado"
Não sou nada...
"A vida é pouco ou demais para mim" | FERNANDO PESSOA | MARIA BETHÂNIA
Fernando Pessoa - The Book of Disquiet BOOK REVIEW
Poesia do Ortónimo - RESUMO e ANÁLISE
Se Eu Pudesse | Poema de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas
Professor David Jackson: Adverse Genres in Fernando Pessoa
Mário Viegas - Fernando Pessoa Por Mário Viegas - O Guardador de rebanhos
"DEITADO NA REALIDADE" | Fernando Pessoa
Fernando Pessoa, ocultista e peregrino
Adeus Senhor António | Texto de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas
Ricardo Reis | Heterônimos de Fernando Pessoa - Brasil Escola
#3 Fernando Pessoa - Alberto Caeiro ✍️ (Português 12º ano)
LITERATURA – Modernismo em Portugal – Fernando Pessoa e Heterônimos ENEM
Richard Zenith on Fernando Pessoa -- 192 Books
Maria Bethânia Meu coração não aprendeu nada Fernando Pessoa
"NÃO ME SUPORTO MAIS" | Fernando Pessoa
Le génie de Fernando Pessoa - Faut-il vivre ses rêves pour être heureux?
Tabacaria | Poema de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas
Fernando Pessoa, "Como é por dentro outra pessoa"
FERNANDO PESSOA (Biografia) & O Livro do Desassossego
Um Especialista É Um Homem Que Sabe ... | Poema de Fernando Pessoa narrado por Mundo Dos Poemas
#2 Fernando Pessoa - A poética do ortónimo ✍️ (Português 12º ano)
La última página 14: Fernando Pessoa, poesía y prosa
Livro do Desassossego: a inquietação de Fernando Pessoa | Rogério Hafez
Fernando Pessoa: The Poet as Philosopher - Jonardon Ganeri for the Royal Institute of Philosophy
Aula Aberta - FERNANDO PESSOA REVISITADO - Curso no Atelier Paulista com José Miguel Wisnik
AUTOPSICOGRAFIA - Fernando Pessoa
Colhe O Dia, Porque És Ele | Poema de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas
I Don't know How Many Souls I Have - Fernando Pessoa
Aulão #02 - Dissecando Fernando Pessoa
"Nem uma coisa nem outra" | FERNANDO PESSOA
"DEIXEM-ME RESPIRAR" | Fernando Pessoa
Escritor português, nasceu a 13 de Junho, numa casa do Largo de São Carlos, em Lisboa. Aos cinco anos morreu-lhe o pai, vitimado pela tuberculose, e, no ano seguinte, o irmão, Jorge. Devido ao segundo casamento da mãe, em 1896, com o cônsul português em Durban, na África do Sul, viveu nesse país entre 1895 e 1905, aí seguindo, no Liceu de Durban, os estudos secundários. Frequentou, durante um ano, uma escola comercial e a Durban High School e concluiu, ainda, o «Intermediate Examination in Arts», na Universidade do Cabo (onde obteve o «Queen Victoria Memorial Prize», pelo melhor ensaio de estilo inglês), com que terminou os seus estudos na África do Sul. No tempo em que viveu neste país, passou um ano de férias (entre 1901 e 1902), em Portugal, tendo residido em Lisboa e viajado para Tavira, para contactar com a família paterna, e para a Ilha Terceira, onde vivia a família materna. Já nesse tempo redigiu, sozinho, vários jornais, assinados com diferentes nomes. De regresso definitivo a Lisboa, em 1905, frequentou, por um período breve (1906-1907), o Curso Superior de Letras. Após uma tentativa falhada de montar uma tipografia e editora, «Empresa Íbis — Tipográfica e Editora», dedicou-se, a partir de 1908, e a tempo parcial, à tradução de correspondência estrangeira de várias casas comerciais, sendo o restante tempo dedicado à escrita e ao estudo de filosofia (grega e alemã), ciências humanas e políticas, teosofia e literatura moderna, que assim acrescentava à sua formação cultural anglo-saxónica, determinante na sua personalidade. Em 1920, ano em que a mãe, viúva, regressou a Portugal com os irmãos e em que Fernando Pessoa foi viver de novo com a família, iniciou uma relação sentimental com Ophélia Queiroz (interrompida nesse mesmo ano e retomada, para rápida e definitivamente terminar, em 1929) testemunhada pelas Cartas de Amor de Pessoa, organizadas e anotadas por David Mourão-Ferreira, e editadas em 1978. Em 1925, ocorreria a morte da mãe. Fernando Pessoa viria a morrer uma década depois, a 30 de Novembro de 1935 no Hospital de S. Luís dos Franceses, onde foi internado com uma cólica hepática, causada provavelmente pelo consumo excessivo de álcool. Levando uma vida relativamente apagada, movimentando-se num círculo restrito de amigos que frequentavam as tertúlias intelectuais dos cafés da capital, envolveu-se nas discussões literárias e até políticas da época. Colaborou na revista A Águia, da Renascença Portuguesa, com artigos de crítica literária sobre a nova poesia portuguesa, imbuídos de um sebastianismo animado pela crença no surgimento de um grande poeta nacional, o «super-Camões» (ele próprio?). Data de 1913 a publicação de «Impressões do Crepúsculo» (poema tomado como exemplo de uma nova corrente, o paúlismo, designação advinda da primeira palavra do poema) e de 1914 o aparecimento dos seus três principais heterónimos, segundo indicação do próprio Fernando Pessoa, em carta dirigida a Adolfo Casais Monteiro, sobre a origem destes. Em 1915, com Mário de Sá-Carneiro (seu dilecto amigo, com o qual trocou intensa correspondência e cujas crises acompanhou de perto), Luís de Montalvor e outros poetas e artistas plásticos com os quais formou o grupo «Orpheu», lançou a revista Orpheu, marco do modernismo português, onde publicou, no primeiro número, Opiário e Ode Triunfal, de Campos, e O Marinheiro, de Pessoa ortónimo, e, no segundo, Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa ortónimo, e a Ode Marítima, de Campos. Publicou, ainda em vida, Antinous (1918), 35 Sonnets (1918), e três séries de English Poems (publicados, em 1921, na editora Olisipo, fundada por si). Em 1934, concorreu com Mensagem a um prémio da Secretaria de Propaganda Nacional, que conquistou na categoria B, devido à reduzida extensão do livro. Colaborou ainda nas revistas Exílio (1916), Portugal Futurista (1917), Contemporânea (1922-1926, de que foi co-director e onde publicou O Banqueiro Anarquista, conto de raciocínio e dedução, e o poema Mar Português), Athena (1924-1925, igualmente como co-director e onde foram publicadas algumas odes de Ricardo Reis e excertos de poemas de Alberto Caeiro) e Presença. A sua obra, que permaneceu maioritariamente inédita, foi difundida e valorizada pelo grupo da Presença. A partir de 1943, Luís de Montalvor deu início à edição das obras completas de Fernando Pessoa, abrangendo os textos em poesia dos heterónimos e de Pessoa ortónimo. Foram ainda sucessivamente editados escritos seus sobre temas de doutrina e crítica literárias, filosofia, política e páginas íntimas. Entre estes, contam-se a organização dos volumes poéticos de Poesias (de Fernando Pessoa), Poemas Dramáticos (de Fernando Pessoa), Poemas (de Alberto Caeiro), Poesias (de Álvaro de Campos), Odes (de Ricardo Reis), Poesias Inéditas (de Fernando Pessoa, dois volumes), Quadras ao Gosto Popular (de Fernando Pessoa), e os textos de prosa de Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Textos Filosóficos, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, Da República (1910-1935) e Ultimatum e Páginas de Sociologia Política. Do seu vasto espólio foram também retirados o Livro do Desassossego por Bernardo Soares e uma série de outros textos. A questão humana dos heterónimos, tanto ou mais que a questão puramente literária, tem atraído as atenções gerais. Concebidos como individualidades distintas da do autor, este criou-lhes uma biografia e até um horóscopo próprios. Encontram-se ligados a alguns dos problemas centrais da sua obra: a unidade ou a pluralidade do eu, a sinceridade, a noção de realidade e a estranheza da existência. Traduzem, por assim dizer, a consciência da fragmentação do eu, reduzindo o eu «real» de Pessoa a um papel que não é maior que o de qualquer um dos seus heterónimos na existência literária do poeta. Assim questiona Pessoa o conceito metafísico de tradição romântica da unidade do sujeito e da sinceridade da expressão da sua emotividade através da linguagem. Enveredando por vários fingimentos, que aprofundam uma teia de polémicas entre si, opondo-se e completando-se, os heterónimos são a mentalização de certas emoções e perspectivas, a sua representação irónica pela inteligência. Deles se destacam três: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Segundo a carta de Fernando Pessoa sobre a génese dos seus heterónimos, Caeiro (1885-1915) é o Mestre, inclusive do próprio Pessoa ortónimo. Nasceu em Lisboa e aí morreu, tuberculoso, em 1915, embora a maior parte da sua vida tenha decorrido numa quinta no Ribatejo, onde foram escritos quase todos os seus poemas, os do livro O Guardador de Rebanhos, os de O Pastor Amoroso e os Poemas Inconjuntos, sendo os do último período da sua vida escritos em Lisboa, quando se encontrava já gravemente doente (daí, segundo Pessoa, a «novidade um pouco estranha ao carácter geral da obra»). Sem profissão e pouco instruído (teria apenas a instrução primária), e, por isso, «escrevendo mal o português», órfão desde muito cedo, vivia de pequenos rendimentos, com uma tia-avó. Caeiro era, segundo ele próprio, «o único poeta da natureza», procurando viver a exterioridade das sensações e recusando a metafísica, caracterizando-se pelo seu panteísmo e sensacionismo que, de modo diferente, Álvaro de Campos e Ricardo Reis iriam assimilar. Ricardo Reis nasceu no Porto, em 1887. Foi educado num colégio de jesuítas, recebeu uma educação clássica (latina) e estudou, por vontade própria, o helenismo (sendo Horácio o seu modelo literário). Essa formação clássica reflecte-se, quer a nível formal (odes à maneira clássica), quer a nível dos temas por si tratados e da própria linguagem utilizada, com um purismo que Pessoa considerava exagerado. Médico, não exercia, no entanto, a profissão. De convicções monárquicas, emigrou para o Brasil após a implantação da República. Pagão intelectual, lúcido e consciente, reflectia uma moral estoico-epicurista, misto de altivez resignada e gozo dos prazeres. 13 de junho de 1888 - Nasce em Lisboa, às 3 horas da tarde, Fernando Antônio Nogueira Pessoa.
1896 - Parte para Durban, na África do Sul.
1905 - Regressa a Lisboa
1906 - Matricula-se no Curso Superior de Letras, em Lisboa
1907 - Abandona o curso.
1914 - Surge o mestre Alberto Caeiro. Fernando Pessoa passa a escrever poemas dos três heterônimos.
1915 - Primeiro número da Revista "Orfeu". Pessoa "mata" Alberto Caeiro.
1916 - Seu amigo Mário de Sá-Carneiro suicida-se.
1924 - Surge a Revista "Atena", dirigida por Fernando Pessoa e Ruy Vaz.
1926 - Fernando Pessoa requere patente de invenção de um Anuário Indicador Sintético, por Nomes e Outras Classificações, Consultável em Qualquer Língua. Dirige, com seu cunhado, a Revista de Comércio e Contabilidade.
1927 - Passa a colaborar com a Revista "Presença".
1934 - Aparece "Mensagem", seu único livro publicado.
30 de novembro de 1935 - Morre em Lisboa, aos 47 anos.
Português
English
Español
ignorante
pode alguem me ajudar em relacao da referencia de publicao deste livro
Sim Fernando
Amo Fernando Pessoa, e o meu preferido é AQUI NA ORLA DA PRAIA...
O Cosmos descortinado...O sonho coberto de poesias...Assim é Fernando Pessoa.
Great Man ...
Da educaçâo que me deram....
Toda a ordem errada. Aqui na orla da praia... O Poeta é um fingidor...Meta poesia, Taqbacaria... O menino da sua mâe. Nunca comheci que tivesse levado porrada... ETC O desassossego do cais!
e lindo
Tantas citações que poderiam usar, e usam logo uma que a Internet lhe tem atribuído erradamente...
alguem podia me fazer uma interpretação do poema sff?
Gostei do blog