Lista de Poemas
THE GIANT’S REPLY
He looked more wise than Nature.
«Tell me some truth», thus my tongue did betray
My soul so that more than creature.
- «There is but one's, in an old voice strange
He cried: «things are more, I say,
Than Time in which they seem to change
And than Space that seems more than they».
O horror sórdido do que, a sós consigo,
Tonto de tanto dormir ou de tanto pensar,
Ou de ambas as coisas.
O que sei é que estou tonto
E não sei bem se me devo levantar da cadeira
Ou como me levantaria dela.
Fiquemos nisto: estou tonto.
Afinal
Que vida fiz eu da vida?
Nada.
Tudo interstícios,
Tudo aproximações,
Tudo função do irregular e do absurdo,
Tudo nada...
É por isso que estou tonto...
Agora
Todas as manhãs me levanto
Tonto...
Sim, verdadeiramente tonto...
Sem saber em mim o meu nome,
Sem saber onde estou,
Sem saber o que fui,
Sem saber nada.
Mas se isto é assim é assim.
Deixo-me estar na cadeira.
Estou tonto.
Bem, estou tonto.
Fico sentado
E tonto,
Sim, tonto,
Tonto...
Tonto...
PITY? NO!
That were but a bitterer scorn,
Disdain ruthlessly made witty
With a serious look to strain
Its awful joke. No; let me mourn
In peace. Pity me not again!
Pity? No! Let more scorn come,
More indifference, more disdain:
These are the conforts of my home.
To change their look to pity were too far
To make me feel a direr pain.
Pretend not good: it cannot be.
Let evils all seem as they are.
To mask them were a mockery
Heartless and evilly rare.
VI - O maestro sacode a batuta,
O maestro sacode a batuta,
E lânguida e triste a música rompe...
Lembra-me a minha infância, aquele dia
Em que eu brincava ao pé dum muro de quintal
Atirando-lhe com uma bola que tinha dum lado
O deslizar dum cão verde, e do outro lado
Um cavalo azul a correr com um jockey amarelo,
Prossegue a música, e eis na minha infância
De repente entre mim e o maestro, muro branco,
Vai e vem a bola, ora um cão verde,
Ora um cavalo azul com um jockey amarelo...
Todo o teatro é o meu quintal, a minha infância
Está em todos os lugares, e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão verde tornando-se jockey amarelo...
(Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos...)
Atiro-a de encontro à minha infância e ela
Atravessa o teatro todo que está aos meus pés
A brincar com um jockey amarelo e um cão verde
E um cavalo azul que aparece por cima do muro
Do meu quintal... E a música atira com bolas
À minha infância... E o muro do quintal é feito de gestos
De batuta e rotações confusas de cães verdes
E cavalos azuis e jockeys amarelos..,
Todo o teatro é um muro branco de música
Por onde um cão verde corre atrás da minha saudade
Da minha infância, cavalo azul com um jockey amarelo...
E dum lado para o outro, da direita para a esquerda,
Donde há árvores e entre os ramos ao pé da copa
Com orquestras a tocar música,
Para onde há filas de bolas na loja onde a comprei
E o homem da loja sorri entre as memórias da minha infância...
E a música cessa como um muro que desaba,
A bola rola pelo despenhadeiro dos meus sonhos interrompidos,
E do alto dum cavalo azul, o maestro, jockey amarelo tornando-se preto,
Agradece, pousando a batuta em cima da fuga dum muro,
E curva-se sorrindo, com uma bola branca em cima da cabeça,
Bola branca que lhe desaparece pelas costas abaixo...
Ninguém compreende o meu sofrer
Nem compreende porque não compreende.
Estou vazio como um poço seco
Não tenho verdadeiramente realidade nenhuma
Tampa no esforço imaginativo!
E o sentimento de que a vida passa
E o senti-la a passar
Toma em mim tal intensidade
De desolado e confrangido horror
Que a esse próprio horror, horror eu tenho,
Por ele e por senti-lo, e por senti-lo
Como tal.
Feliz a humanidade que, a não ser
Em momentos febris e desolados,
Não sente o esvair da existência
(E há quem a sinta com tristeza imensa)
Mas eu... eu não a sinto fugir-me,
Penso-a a fugir-me e em lugar de tristeza
Só esse horror é meu, silente e fundo.
Não ter emoções, não ter desejos, não ter vontades,
Mas ser apenas, no ar sensível das coisas
Uma consciência abstracta com asas de pensamento,
Não ser desonesto nem não desonesto, separado ou junto,
Nem igual a outros, nem diferente dos outros,
Vivê-los em outrem, separar-se deles
Como quem, distraído, se esquece de si...
CRISTO: A sonhar eu venci mundos,
Minha vida um sonho foi.
Cerra teus olhos profundos
Para a verdade que dói.
A Ilusão é mãe da vida:
Fui doido e tido por Deus.
Só a loucura incompreendida
Vai avante para os céus.
Cheio de dor e de susto
Toda a vida delirei,
E assim fui ao céu sem custo,
Nem por que lá fui eu sei.
Meu egoísmo e vã preguiça
Um choroso amor gerou;
De ser Deus tive a cobiça,
Vê se sou Deus ou não sou!
Como tu eu não fui nada,
E vales mais do que eu;
Nada eu. De alucinada
Minha alma a si se envolveu
Na inconsciência profunda
Que nunca deixa infeliz
Ser de todo — e assim se funda
Uma fé — vê quem o diz.
Assim sou e em meu nome
Inda muitos o serão;
Um Deus — supremo renome,
E doido! — suma abjecção.
CORO DE VOZES MÁSCULAS:
Através de ferro e fogo
Por ti iremos
Ver a pugna. Por teu Nome logo
Iremos.
No combate, na fogueira,
Cessaremos
Mortos, mortos.
BUDA:
O meu sonho foi incompleto
Por isso eu compreendi
Que sofrer é o nome do trajecto
Que o mundo faz de si a si.
GOETHE:
Do fundo da inconsciência
Da alma sobriamente louca
Tirei poesia e ciência
E não pouca.
Maravilha do inconsciente!
Em sonhos sonhos criei
E o mundo atónito sente
Como é belo o que lhe dei.
SHAKESPEARE:
E é loucura a inspiração!
VOZES:
Só a loucura é que é grande!
E só ela é que é feliz!
IV - Que pandeiretas o silêncio deste quarto!...
Que pandeiretas o silêncio deste quarto!...
As paredes estão na Andaluzia...
Há danças sensuais no brilho fixo da luz...
De repente todo o espaço pára....
Pára, escorrega, desembrulha-se...,
E num canto do tecto, muito mais longe do que ele está,
Abrem mãos brancas janelas secretas
E há ramos de violetas caindo
De haver uma noite de Primavera lá fora
Sobre o eu estar de olhos fechados...
Comentários (17)
What?
Simplesmente um pensador ( tão grande) pois todos nós temos máscaras, nossos sentimentos são todos ocultos na nossa eterna alma. fantástico este texto para sua época vivida.
cmt
O maior e mais pensador poeta para a sua antiga época. O maior e mais revolucionista da literatura portuguesa, com os seus poemas e textos que enchem a alma de pensamentos. Tem um forma única de se expressar e ditar o que vem da sua alma, como ele dizia " Quem tem alma não tem calma".
O profeta dos poetas!
Mensagem
1934
Poesias
1942
Poesias de Álvaro de Campos
1944
Odes de Ricardo Reis
1946
Poemas de Alberto Caeiro
1946
Fausto
1952
Poesias Inéditas (1930-1935)
1955
Poesias Inéditas (1919-1930)
1956
Quadras ao Gosto Popular
1965
Novas Poesias Inéditas
1973
Poemas Ingleses
1974
Livro do Desassossego
1982
Álvaro de Campos - Biografia encenada
Estou Cansado - Poema de Álvaro de Campos
Chico Buarque lê Álvaro de Campos
Álvaro de Campos - Tabacaria (por Mário Viegas)
Mário Viegas - Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos
''Acaso & Afinal'' Álvaro de Campos [Fernando Pessoa]
Primeiro é a Angústia - Álvaro de Campos
SIM ESTÁ TUDO CERTO - Álvaro de Campos, Poema do Dia 10.wmv
Maria Bethânia - Ultimatum - Álvaro de Campos
Fernando Pessoa por Joao Villaret- Tabacaria
Sinde Filipe diz Ai Margarida de Álvaro de Campos (2008)
Reticências, Álvaro de Campos (trecho)
Trecho Texto Essa Velha Angustia (Álvaro de Campos)
MANIFESTO DE ÁLVARO DE CAMPOS
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) - Lisbon Revisited
Jô Soares - CRUZOU POR MIM, VEIO TER COMIGO NUMA RUA DA BAIXA - Álvaro de Campos - gravação de 1985
Fernando Pessoa: Tudo o que precisas de saber! 🤓 (CURSO COMPLETO)
The Terrible Paradox of Self-Awareness | Fernando Pessoa
Fernando Pessoa - Brasil Escola
Fernando Pessoa e seus heterônimos *introdução* | Bruna Martiolli
Fernando Pessoa e seus Heterônimos (Modernismo em Portugal)
"FALHEI EM TUDO" | Fernando Pessoa
O Que Há Em Mim É Sobretudo Cansaço | Poema de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas
"Estou farto de semideuses!" | FERNANDO PESSOA | MARIA BETHÂNIA
Pare de ouvir esse tipo de pessoa
Aproveitar O Tempo | Poema de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas
Fernando Pessoa: criador de poetas | Rogério Hafez
"NÃO FUI AMADO" | Fernando Pessoa
"SE EU MORRER MUITO NOVO" | Fernando Pessoa
A FILOSOFIA NA POESIA DE FERNANDO PESSOA - Lúcia Helena Galvão
Quem foi FERNANDO PESSOA I 50 FATOS
Alberto Caeiro | Heterônimos de Fernando Pessoa - Brasil Escola
Grandes Portugueses - Fernando Pessoa
Americano especialista em Fernando Pessoa fala da nova biografia do poeta: "Ele era muito reservado"
Não sou nada...
"A vida é pouco ou demais para mim" | FERNANDO PESSOA | MARIA BETHÂNIA
Fernando Pessoa - The Book of Disquiet BOOK REVIEW
Poesia do Ortónimo - RESUMO e ANÁLISE
Se Eu Pudesse | Poema de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas
Professor David Jackson: Adverse Genres in Fernando Pessoa
Mário Viegas - Fernando Pessoa Por Mário Viegas - O Guardador de rebanhos
"DEITADO NA REALIDADE" | Fernando Pessoa
Fernando Pessoa, ocultista e peregrino
Adeus Senhor António | Texto de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas
Ricardo Reis | Heterônimos de Fernando Pessoa - Brasil Escola
#3 Fernando Pessoa - Alberto Caeiro ✍️ (Português 12º ano)
LITERATURA – Modernismo em Portugal – Fernando Pessoa e Heterônimos ENEM
Richard Zenith on Fernando Pessoa -- 192 Books
Maria Bethânia Meu coração não aprendeu nada Fernando Pessoa
"NÃO ME SUPORTO MAIS" | Fernando Pessoa
Le génie de Fernando Pessoa - Faut-il vivre ses rêves pour être heureux?
Tabacaria | Poema de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas
Fernando Pessoa, "Como é por dentro outra pessoa"
FERNANDO PESSOA (Biografia) & O Livro do Desassossego
Um Especialista É Um Homem Que Sabe ... | Poema de Fernando Pessoa narrado por Mundo Dos Poemas
#2 Fernando Pessoa - A poética do ortónimo ✍️ (Português 12º ano)
La última página 14: Fernando Pessoa, poesía y prosa
Livro do Desassossego: a inquietação de Fernando Pessoa | Rogério Hafez
Fernando Pessoa: The Poet as Philosopher - Jonardon Ganeri for the Royal Institute of Philosophy
Aula Aberta - FERNANDO PESSOA REVISITADO - Curso no Atelier Paulista com José Miguel Wisnik
AUTOPSICOGRAFIA - Fernando Pessoa
Colhe O Dia, Porque És Ele | Poema de Fernando Pessoa com narração de Mundo Dos Poemas
I Don't know How Many Souls I Have - Fernando Pessoa
Aulão #02 - Dissecando Fernando Pessoa
"Nem uma coisa nem outra" | FERNANDO PESSOA
"DEIXEM-ME RESPIRAR" | Fernando Pessoa
ignorante
pode alguem me ajudar em relacao da referencia de publicao deste livro
Sim Fernando
Amo Fernando Pessoa, e o meu preferido é AQUI NA ORLA DA PRAIA...
O Cosmos descortinado...O sonho coberto de poesias...Assim é Fernando Pessoa.
Great Man ...
Da educaçâo que me deram....
Toda a ordem errada. Aqui na orla da praia... O Poeta é um fingidor...Meta poesia, Taqbacaria... O menino da sua mâe. Nunca comheci que tivesse levado porrada... ETC O desassossego do cais!
e lindo
Tantas citações que poderiam usar, e usam logo uma que a Internet lhe tem atribuído erradamente...
alguem podia me fazer uma interpretação do poema sff?
Gostei do blog