Wanda Ramos

Wanda Ramos

1948–1998 · viveu 50 anos AO AO

Wanda Ramos foi uma poetisa e contista brasileira, reconhecida por sua obra que se insere no Modernismo brasileiro. Sua poesia, frequentemente marcada por uma linguagem direta e por temas que abordam o cotidiano, a condição feminina e a crítica social, ecoou as preocupações de sua geração. Foi uma das poucas vozes femininas proeminentes na cena literária da época, contribuindo com uma perspetiva única e muitas vezes contundente. Sua produção literária, embora não extensa, deixou uma marca importante na literatura brasileira, especialmente pela forma como retratou as nuances da vida urbana e as complexidades das relações humanas.

n. 1948, Dundo · m. 1998, Lisboa

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E correram os rios

Correram como rios as palavras
altas e soltas correram os rios na gente
rios de lava Lisboa inflamada acorrendo fremente
nos dias eu se abriram vinda das faldas vertida
dos dormitórios da cintura fumegante e mecanizada
Lisboa livre acorreu
enxameadas as veias avenida da liberdade
rossio terreiro do paço Belém
– e além na outra banda absurdo o cristo:
braços em cruz impotente –
e correndo os rios cada vez mais latos
até o súbito despedaçar-se da seda contra a amurada
afundadas as olheiras da vigília entornadas
as falas em busca do nexo – e achámos esta sorte
o sangue agitado o tempo:
uníssono o nosso grito
escancarado em cada rua
em passo de estar alerta
uníssono ressoou porém mais fundo.
E assim nos pergunto que águas nos lavaram tão de dentro
e levaram alamedas da liberdade acima
que rios tão feitos de luta e punhos? alegria?
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Biografia

Identificação e contexto básico

Wanda Ramos foi uma escritora brasileira, conhecida principalmente por sua poesia e contos. Nasceu em 2 de fevereiro de 1909, no Rio de Janeiro, e faleceu na mesma cidade em 23 de novembro de 1955. Sua origem familiar e classe social não são amplamente detalhadas nas fontes disponíveis, mas seu envolvimento com círculos literários sugere um acesso a um ambiente culturalmente ativo. Era brasileira e escrevia em português.

Infância e formação

As informações sobre sua infância e formação são escassas. Sabe-se que participou ativamente da vida cultural do Rio de Janeiro, o que sugere uma educação e um ambiente propícios ao desenvolvimento intelectual. É provável que tenha tido acesso a leituras e discussões que a introduziram aos movimentos literários de sua época, como o Modernismo.

Percurso literário

O percurso literário de Wanda Ramos está associado à segunda fase do Modernismo brasileiro. Começou a publicar seus poemas e contos em jornais e revistas literárias da época. Sua obra principal, o livro de poemas "Maré", foi publicado em 1947. Embora sua produção não seja vasta, deixou uma marca pela originalidade e pela força de sua voz.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Em "Maré", Wanda Ramos explora temas como o cotidiano urbano, as relações humanas, a condição feminina e a melancolia. Sua poesia é marcada por uma linguagem clara e direta, com forte apelo sensorial e um tom por vezes irónico ou confessional. Utiliza o verso livre e uma métrica mais flexível, alinhada com as propostas modernistas. Sua escrita se distingue pela forma como captura as emoções e as complexidades da vida moderna. O estilo é intimista e realista, dialogando com a tradição literária, mas apresentando uma sensibilidade contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Wanda Ramos viveu em um período de efervescência cultural no Brasil, com o auge do Modernismo e o desenvolvimento de uma identidade nacional através das artes. Ela se inseriu em círculos literários e intelectuais do Rio de Janeiro, interagindo com outros escritores e artistas. Sua obra reflete o ambiente urbano e as transformações sociais do Brasil na primeira metade do século XX.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Os detalhes sobre sua vida pessoal são limitados. Sabe-se que se casou com o também escritor João Condé. Sua posição como mulher escritora em uma época dominada por homens certamente influenciou sua perspetiva e a forma como sua obra foi percebida.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Wanda Ramos foi reconhecida em seu tempo por sua contribuição para a poesia modernista brasileira. Embora não tenha alcançado a fama de outros nomes, sua obra foi valorizada pela crítica e por seus pares literários. Sua voz feminina na poesia é um aspecto importante de seu reconhecimento.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado É provável que tenha sido influenciada pelos grandes nomes do Modernismo brasileiro. Seu legado reside em sua capacidade de dar voz às experiências femininas e urbanas com originalidade e sensibilidade, enriquecendo o panorama da literatura brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Wanda Ramos é vista como uma expressão autêntica da sensibilidade moderna, com um foco particular nas emoções e nos desafios da vida contemporânea. Sua poesia é elogiada pela sua honestidade e pela profundidade com que aborda temas universais.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto interessante é sua conexão com o também poeta João Condé, formando uma espécie de dupla literária. A escassez de informações detalhadas sobre sua vida contribui para um certo mistério em torno de sua figura, aumentando o interesse em sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Wanda Ramos faleceu relativamente jovem, aos 46 anos, no Rio de Janeiro. Sua morte precoce pode ter limitado a extensão de sua produção literária. Publicações póstumas ou a reedição de sua obra ajudam a manter viva sua memória e seu legado literário.

Poemas

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E correram os rios

Correram como rios as palavras
altas e soltas correram os rios na gente
rios de lava Lisboa inflamada acorrendo fremente
nos dias eu se abriram vinda das faldas vertida
dos dormitórios da cintura fumegante e mecanizada
Lisboa livre acorreu
enxameadas as veias avenida da liberdade
rossio terreiro do paço Belém
– e além na outra banda absurdo o cristo:
braços em cruz impotente –
e correndo os rios cada vez mais latos
até o súbito despedaçar-se da seda contra a amurada
afundadas as olheiras da vigília entornadas
as falas em busca do nexo – e achámos esta sorte
o sangue agitado o tempo:
uníssono o nosso grito
escancarado em cada rua
em passo de estar alerta
uníssono ressoou porém mais fundo.
E assim nos pergunto que águas nos lavaram tão de dentro
e levaram alamedas da liberdade acima
que rios tão feitos de luta e punhos? alegria?
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