Manuel Rui

Manuel Rui

n. 1941 AO AO

Manuel Rui é um escritor angolano, reconhecido pela sua vasta obra que abrange a poesia, a prosa e o teatro, sendo uma figura proeminente da literatura africana de língua portuguesa. Sua escrita é marcada por uma forte consciência social e política, refletindo as realidades de Angola, desde a luta pela independência até os desafios da pós-colonialidade. Com uma linguagem muitas vezes coloquial, mas carregada de lirismo e ironia, Manuel Rui aborda temas como a identidade, a memória, a justiça e a condição humana. Sua obra é fundamental para a compreensão da história e da cultura de Angola, oferecendo uma perspetiva única sobre os seus conflitos e aspirações.

n. 1941-11-04, Huambo

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O jogo

Que jogo é este
o de saber nos pés
só a espuma
de imensas madrugadas.

Que jogo é este
o de chorar os destroços
de um navio/que chegou a navegar
ou as asas de uma gaivota
apodrecida/que voou

Sem me chorar

Que jogo é este
o de esperar
um rebentar da onda
sem me estender
sem me estender pelos teus túneis.
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Poemas

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O jogo

Que jogo é este
o de saber nos pés
só a espuma
de imensas madrugadas.

Que jogo é este
o de chorar os destroços
de um navio/que chegou a navegar
ou as asas de uma gaivota
apodrecida/que voou

Sem me chorar

Que jogo é este
o de esperar
um rebentar da onda
sem me estender
sem me estender pelos teus túneis.
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Não Vale a Pena Pisar

O capim não foi plantado
nem tratado,
e cresceu. É força
tudo força
que vem da força da terra.
Mas o capim está a arder
e a força que vem da terra
com a pujança da queimada
parece desaparecer.
Mas não! Basta a primeira chuvada
para o capim reviver.

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Museu

De meus antepassados não recordo
mas invento em cada pedra colocada
em praças por seus braços noutros braços
onde pombas poisam e turistas fazem
souvenirs de sol e manuelinos

E pátrias não conheço

Assisto aos exercícios outonais
da morte sem idade do cremar
olhos na distância por noivas adiadas
e mãos correndo terços de velhas esperando
a morte simplesmente

E deuses não conheço

Não fui navegador
embora me quisessem em vários continentes
em que sempre estive e disse nunca
para que naufragasse minha história com o peso
das grilhetas amarrado aos oceanos

E epitáfios não conheço

O que ergueram meus braços
não está em África
a minha música
não está em África
a minha estatuária
não está em África
idem para o meu marfim
as minhas lanças
os meus diamantes
o meu ouro
idem
idem
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Caio
Caio

Muito resumido conteúdo.

D'branco Língua portuguesa
D'branco Língua portuguesa

Manuel Rui