4N

Herberto Helder
Herberto Helder
1 min min de leitura 1988 Última ciência
A lua leveda o mênstruo, vira o peixe no frio, ilumina
o objecto brusco. É um trabalho recôndito
do nome, que o nome escrito
na lenha,
o tronco reverdeceu. E da madeira a mão levanta abismadamente
a corola.
A profissão de marceneiro, inspira-a
a embriaguez. Deus vê a talha cândida
da sua obra. Matriz, umbigo, meio da tábua,
a estrela principal, transfundem-se
em palavra. O marceneiro arranca das entranhas
a sua rosa. A pulso e bebedeira.
Arranca o olho que a olhava
espelhada. Enquanto se ligam lua e sol
debaixo
da plaina.
1 020 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.